A CAMINHO DUM NOVO PARADIGMA, PARA UMA NOVA HUMANIDADE Artur Alonso

Em 1900 o físico alemão Max Planck introduziu a ideia de que a energia era quantizada; anteriormente em 1838 Gustav Faraday tinha feito a descoberta dos Raios Catódicos. Em 1860 Gustav Kirchhoff, introduz o conceito de Corpo Negro. Já em 1905, Einstein demonstrou que toda a radiação eletromagnética, pode ser dividida num número finito de energia, que denominou “quanta de energia”. Depois em 1926 Gilbert N. Lewis, chamaria estes “quanta de energia” de fotons. Dous anos antes em 1924 Louis-Victor de Broglie apresentara sua teoria de ondas de matéria, fazendo perceber ao mundo que as partículas podem exibir características de onda e vice-versa. Assim é como em 1925 nasce a ideia da mecânica quântica, quando Werner Heisenberg e Max Born (baseados na aproximação de Broglie) desenvolverão a mecânica matricial que, junto com a visão de Erwin Schrödinger, sobre a mecânica de ondas, iniciará a virada de século e de paradigma na física.

Em 1933 às margens do Lago Maggiore, próximo a Ascona, na Suíça, Olga Froebe-Kapteyn funda o Grupo Eranos; abrindo à porta a interação já consciente entre ciência – espiritualidade. Entre os participantes do grupo figuravam pessoalidades tão destacadas como: o eminente teólogo alemão Rudolf Otto, especialista em religiões comparadas; Gilbert Durand, conhecido pelos seus influentes trabalhos sobre Imaginário e Mitologia; James Hillman psicologo analítico, conferencista de fama internacional; D. T. Suzuki, famoso autor japonês de livros sobre budismo (ajudou a introduzir em Ocidente o conhecimento de disciplinas como o Zen); o engenheiro elétrico Max Knoll: os famosos físicos quânticos Rudolf Alexander Schrödinger, Niels Borh e Wolfgang Ernst Paul; os biologos Jacob Johann von Uexkül e Adolf Portmann; assim como diversos especialistas de reconhecido prestigio tais como Mircea Eliade, Heinrich Robert Zimmer, Joseph John Campbell, Erich Neumann e o famoso psicoanalsita Carl Jung (um dos grandes promotores destes encontros), entre outros… Ajudaram a mudar nosso visão da realidade. 
Este grupo reuniu-se durante 70 anos, em reuniões regulares, efetuadas 1 vez por ano; durante as quais, em períodos de 8 horas diárias, cada pensador dispunha de 2 horas para suas palestras. Pudendo agora afirmar que graças a esta iniciativa, muitas das vanguardas atuais, que visam aprofundar os caminhos de confraternização global (não somente entre ciência, humanidade e espiritualidade) senão também entre culturas e povos, beberam direta ou indiretamente desta inesgotável fonte que foi Eranos.

Alberto Filipe Araújo, no seu texto: “Jung e o tempo de Eranos. Do sentido espiritual e pedagógico do Círculo de Eranos”, afirma: “…Vários conferencistas, vindos dos quatro cantos do mundo, partilhavam à volta de uma mesa as suas ideias de acordo com o tema proposto. Por outras palavras, cada participante coloca as suas visões interiores, sob uma forma filosófica ou científica, à disposição de todos os participantes com a condição de que o seu contributo seja simultaneamente imaginativo, criador e rigoroso.” (Revista @mbienteeducação. 94-112, jan/jun, 2013/04). Não é pois de estranhar que em grego Eranos, signifique comida em comum, celebração compartilhada, onde cada um achega sua parte.

Este novo caminho de confluência Ciência – Espiritualidade, ainda que agora nos torne um bocadinho mais céticos, de início; pode, no entanto auxiliar aos individiduos e sociedades dotando-os de novas ferramentas, que permitam com maior acerto, enfrentar, como humanidade global os novos desafios e provações que o futuro e o próprio presente nos está a deparar já, embrulhado na aparência de varias crises isoladas (económica, energética, ecológica, politica, social, cultural…), que bem analisadas partem de um mesmo fio comum: a crise sistémica de um velho modelo já inadequado para ultrapassar novos e mais pujantes desafios planetários.

Podemos inferir do pensamento de unidade ciência – esperitualidade, que ficam pela teoria quântica, abertos campos que podem desvelar novas possibilidades, nas quais mesmo a consciência, nos permitiria criar uma nova realidade. Já, hoje em dia, muitas pessoas não somente acreditam em este axioma; senão que na prática tentam mudar suas vidas, suas rotinas, tendências, círculos viciados, repetição de caminhadas… Mudando precisamente suas consciências (mesmo permitindo a expansão dessa consciência à procura de novas dimensões). E muitas afirmam mesmo que as positivas mudanças que obtiveram, seriam impossíveis, sem essa mudança de consciência. Há mesmo científicos a concordar, que essas mudanças efetuadas no nível anímico – psicológico, levariam também a profundas transformações bioquímicas no nosso cérebro; acrescentando a ideia de uma maior unidade, nos processos processos da vida; tal como pensa o Dr. Jeffrey Satinover.

Esta conceção nova da realidade, tem também empolgado a inovação terapêutica e campos como o Reiki, Ioga, Meditação… Que anteriormente foram indevidamente associados a “efeito placebo”, agora começam a ser inseridos, dentro de diferentes terapias, que mesmo abrangem a docencia ou a pratica hospitalar. Pelo qual devemos começar a pensar a serio, em esta mudança do paradigma social dominante, nascido no século das luces e muito associado, ao ate agora, entendido como racional. Sabendo que velhos paradigmas, que foram fundamentais na sua época para gerar um avanço evolutivo na humanidade, puderam agora chegar a entorpecer o mesmo ao ficar já velhos e desgastados, pelo avanço do tempo e, as inércias próprias dos ciclos naturais de renovação.

Para o físico indiano Amit Goswami “a consciência é a base de tudo”. Ele afirma ser a consciência, e não a matéria, a base de tudo quanto vemos, percebemos e observamos. Nós, então, podemos criar nossa realidade, dependendo das escolhas que façamos na nossa vida. Sabendo que existem diversas possibilidades, dentro das nossas potencialidades. Como assegura o próprio Goswami : “A consciência diz que o mundo é cheio de possibilidades e que nós temos liberdade de escolha. Se nós aprendermos a escolher com criatividade, acessando esta interconectividade não-local que cada um de nós tem, que é um estado de consciência não-local, se nós aprendermos a dar um salto do nosso ego individual para essa interconectividade não-local, então nós podemos acessar essas ideias de criatividade e mudar as nossas vidas. Assim, se acessarmos esse estado, seremos mais responsáveis pelas nossas ações. E quando assumimos essa responsabilidade, podemos enfrentar todos os problemas que vêm perseguindo-nos. Então “escolha” e “responsabilidade” são as palavras chaves desta nova ciência. Neste sentido, a nova ciência nos ensina a exercitar a criatividade.”

Novos avanços científicos tecnológicos, podem estar a obrigar-nos já a essa mudança; que não entanto não poderá ser possível, sem antes mudar nossa psicologia atual de competência pelos recursos (entre contrários ou inimigos), pela nova psicologia de colaboração e compreensão (entre completares e amigos).

Demonstrado está, também e, fica patente em diferentes estudos que o imaginário coletivo interage no imaginário individual e o mesmo individuo tira muitas vezes suas ideias, desse imaginário. Sabendo também da função que exerce o poder no controlo de esse imaginário coletivo, através de todos os seus meios ao alcance, desde os meios de de comunicação, aos doutrinamentos escolares, o seio familiar, o mundo laboral, etc… Acreditamos que somente plantando pequenas sementes de renovação e encorajando a libertação pessoal e coletiva , poderemos num futuro ver brotar a árvore da renascença.

Estas sementes tendem a avançar da Materialidade à consciência psíquica – dai elevar-nos – à Consciência iluminada da personalidade individual (morte do egoismo, esse entendemos nós foi o verdadeiro sacrificio do Cristo, na cruz – a morte do eu inferior, o ego material apegado a dominação, a imposição, viçado em cumprir os caprichos, paixoes, desejos de controlo…   Para alcançar o Eu Superior: ultrapassando essencialmente ess medo à morte).

A cruz mística sempre como símbolo da união da vertical e a horizontal (aparece em diversas culturas, como na nossa celta): Na horizontal o homem cresce pela racionalidade material, na vertical o homem ascende a intuição pura espiritual.

Na horizontal, a delimitação necessária a definição para tornar compressíveis as partes do todo (delimitar: dar limites; definir: tornar finito). Na vertical de novo a união com o todo, através da compreensão das suas partes. Experiência direita da realidade, através da intuição pura, deixando que o todo inunde o ser, deixando que nosso ser se inunde no todo…

Dai saber necessário razão e intuição serem complementarias. E um dos grandes trabalhos do nosso iniciado século, será esse: aprender a conciliar razão e intuição. Aprender a confraternizar fusionar, também, emoções (coração) e mente (cabeça).

Dai elevar-nos (atravesando o abismo do medo, com a força interior, vontande e coragem integradas, por meio da impassível perserverança) para – alcançar a essência comum (a União do Todo no Uno). Chegando a compreender que o que nos une como humanidade é mais forte, enraizado (raiz comum) que o que nos separa: divisão aparente (fomentada pela discórdia e a guerra). Sendo a união a raiz da árvore da vida e a divisão: as folhas (latejante no símbolo universal e cabalistico da “árvore da vida”).

Do mundo material – elevar-nos ao mundo moral – deste ao mundo intelectual. O intelecto é essencialmente a concretização da intuição a da compreensão.

Chegado aquí o discurso, faremos nossa a frase de Hernri Durville, na dedicatória do seu livro: “A Ciência Secreta” e dedicamos também este texto: “A todos aqueles que têm sede de ideal, que sonham com a Justiça, a Liberdade moral, a Fraternidade…” pois eles certamente foram os que hoje se achegaram a esta leitura (nada é por acaso). Mas advertimos, como também advertiu em seu préfacio o próprio Durville, aqueles que por acaso procuram encontrar em este saber e conhecimento: “o meio de saciar as suas paixões, ódios, amores, ambições, rancores; que procuram o ganho material; desgraçados que tem sofrido e não tem sabido perdoar, que este pequeno e humilde texto, não escrito para eles. Este tipo de atos, são atos de amor e de altruísmo”. Dados a quem compartilham estes nobres ideais.

Acrescentamos também que pela contra aqueles que tens sofrido longamente e que querem sair do tormento, caminhar ousadamente pela senda do amor, para encontrar a Serenidade, a Felicidade e a Paz Interior, realmente estão no local apropriado.

Mas de novo desafiamos aqueles que ainda não preparam seu coração para o amor, a tomar outro caminho, lembrando de novo as palavras de Hernri Durville quando, no mesmo, escrito advertia: “Procuras o ganho material? Não será aqui que tu o encontrarás; este é um estudo desinteressado, uma tentativa mais de dar a todos a felicidade, que vem da paz da alma e do bem feito em torno de si. Nele não se encontra nenhuma idéia cúpida.

Simples curioso, e tu, ambicioso, que acreditas ter nascido para seres o conquistador do mundo, este escrito não é para vós, para os vossos corações presos ao tumulto das paixões vãs que esta obra não foi feita… No estado atual da vossa perturbação, não compreendereis esta obra . Não falamos a mesma linguagem e os propósitos que escolhemos não fariam desaparecer a barreira que nos separa. Não procureis levantar o véu (da sabedoria) antes de terdes mudado os vossos desejos.

Daqui até lá, vosso dia ainda não é chegado; não saberíeis ainda ver nestas páginas a ternura e a alegria que quisemos expressar.”

Sirva pois este trabalho entusiasta, como um pequeno inicio, para na medida da sua humilde projeção, abrir a alma dos leitores à procura desse novo modelo de participação coletiva nas decisões e colaboração ética baseada na lealdade, honorabilidade e transparência; necessárias para criar confiança entre todas as diversas culturas globais.

ERRODIARIO minux

Erro, lapsus, fallo, falla… fenda
escapada, fuga, alborada.
Dixéronnos que os galos cantaban
polas mañás, dixéronnos non sei que do medo
mais os galos cantan a todas horas
igual que os cans que cantan ás veces
con medo… os páxaros ladran tamén
ladran os páxaros engaiolados nesa tenda
baixo a alameda.
Un día lancei a dous páxaros coa súa
gaiola encomendada ao chan dunha terraza
e ou ben voaron ou ben morreron.
Non soportaba que estiveran pechados e
despois o que estivo dentro da gaiola
fun eu pero iso xa pasou e agora como
pinchos de tortilla e bebo cervexa sen alcohol.
Liña de fuga que non se disolva no nariz
eu de neno saboreaba peta zetas.
Montaña, alborada, río, sementes
auga pura, auga envelenada.
Plásticos na lama, papeis na beirarrúa
camiño oscilando na mente.
Ti acompáñasme na viaxe celeste
ás veces non…
melancolía do tabaco entumecido
sospirando amianto
hiperactividade, hiperventilación… pasos.
Auga regadeira pasa pola miña alma
pechado no círculo que ten currunchos con espiños
a culpa das laranxas debe ser maior
que a fibra
eu visito poucos lugares
pola gorxa morre o rei… ás veces as autopistas
do internet van cada vez a máis velocidade
non leo tan rápido a Deleuze. En Bueu
leo máis. Mar calmo, que chova quinindiola
ás veces son autista e penso como na
praia da Lanzada hai morea de xente
camiñando dun extremo a outro da praia
procurando morenos e morenas? Despois
hai rapaces que pescan polbos e tamén
hai polbos na toalla.
Os políticos non tiran a toalla porque
non hai quen lles rompa o nariz. O rapaz
que se atreveu a darlle unha hostia ao Rajoy
mandárono para un centro de menores, aquí
en Ourense e iso que era familiar. Familias
hai moitas. Todos iguais, todos diferentes dí
o lema mais a lama de todos parte dos
mesmos lodos ou era dos mesmos polbos?
Inquisición, parisién, fútbol, catequese.
O colexio máis horripilante do mundo.
O meu avó estivo tres anos no cárcere nesa
época infame que aínda non se vomitou ata
quedar medianamente ben. Herdanzas, rodas,
xílgaros.
Moito trauma. Agora mesmo estou estirándome
e estrálanme todas as vértebras do corpo.
Eu teño vértebras ata na pixa.
A rúa onde vivimos lémbrame á canción
de Silvio Rodríguez, esa que dí: “Viva el
harapo, señor y la mesa sin mantel. Viva
y que huela a callejuela, a palabrota y
taller.
Nesta rúa e neste barrio hai xente de todas
as cores e ata se falan distintos idiomas
pero non me chega, gustaríame que fora moito,
moito máis. Que compensaran polo menos á
toda a xente maior autótona que vexo por todos os lados.
Aínda que agora que o penso eu tamén debo ser maior.
Algas o pelo do pé
craváchesme as tenazas
no buraco da uña
pero foi sen querer
durmiches coas gatas
e un menda tamén
choveu toda a noite
nevou en Maceda
nevou en Compostela
e estamos na primavera
andas na lama
eu en distintas prisións
entrullado de raíces
entrullado de ósos
cos músculos aletargados
co miolo amorado
a pel fría e dopada
non penetra nela ren
mais dela non sae tampouco nada
só mancho os dedos
ás veces de pintura
ás veces de verniz
imos expoñer
vóume expoñer con medo
a gorxa rota
polos xeados
río pequeno
no que collen benxamíns
cágados, algas
visóns, caranguexos americanos
quizais lontras
vimos unha o ano pasado
patos a mansalva
merlas, paporroibos
lavandeiras brancas e amarelas
e ata o martiño pescador
co seu brillo azul
vimos voar
garzas, corvos mariños
gaivotas que non son do pp
río pequeno
cheo de latas, plástico,
papeis, verquidos de todo tipo.
Pneumáticos, bidóns,
valados, ladrillos,
ferranchadas de todo tipo
río que andas na cidade
e non te podes alonxar dela
soportas o insoportable
pero das vida plena
eu mírote con mirada extraviada
con ollo birollo e sorrío.
Motor ruído de fondo
banda sonora da rúa
permanezo quedo
asténico
mais cos dedos pegoñentos
non de seme nin de semente
senón de pintura
sintética pintura que dana
a lingua-bolboreta
pintura negra de loito
lingua de loito
loito nas veas e nas carreteiras
e nas rochas do mar
o mar que está máis alá.
Hoxe unha lavandeira
colleu co seu pico pole das árbores
para un niño
e naceron patiños
facían carreiras polo río
e a barba vaime minguando
como a lúa que medra
e a lingua que pica
pica alabastros
mancho o diario e a caneta vermella
pinto cadros vila morena
e semella que chove acobardado
todo o diario está subxectivado
e envasado no pasado que verte
con substancias e é teu o meu embigo de visón
algas na mesa
a modo de mostrario
devecen por ser penduradas no fume
o fume de primavera de toxos
carreiras nas medias de calzedonia
non verás
carreiras no medio da calzada de motos
si
e a auga da baixada non é auga da traída
a auga ten cloro e sulfitos e sulfatos
eu teño co psiquiatra o sete
xa van tres veces que me cambian a data
quérolle pedir un favor
quero menos xalea real
paso de monarquías
eu quero ser zángana
sen garavata nin camisola de forza
procuraba fotos de revistas
que foran gráficas e porno
ou sexa pornográficas
só para recortar en saudade
nin en pelos púbicos
si quero escoitar esa auga
que cae chovendo contra o asfalto
diseminando burbullas polos sumidoiros.
Aquel día o cosmos
pegou no río
e caeron estreliñas
coa súa luz
na superficie da auga
escura
as lápidas ás veces brillan
e a vida nas rás das charcas
tamén
vin un cágado nunha tomba
en San Pedro de rochas
estaba quedo mais a súa cabeza
ía moi rápido
alí se reflexaban ás árbores
autótonas que se ancoraron no outono
o chan cheo de follas secas
as pedras na auga
e aquí e agora segue a chover
debe haber fútbol ou houbo fútbol
ou haberá fútbol
e sigo manchando o diario
diario de ex-fumador que voltou fumar
diario de ex-okupa… voltará okupar?
diario de ex-pontino… ?
akelarre para os teus ollos
de apátrida invencible.
Calquera sae á rúa!
non trouxen chuvasqueiro
e a pelo non o quero
polas mans cheas de pintura
de pintura negra de loito
de loito senil
abafante adoito mergullarme
en obsesións tipo redes sociais
por que os asociais teñen facebook?
ou temos, xa non sei
resulta contraditorio
ao final resulta que odiamos tanto
e aí andamos procurando aloumiños
sigo manchando o diario
diario de século vinteún
entre os ríos dunha cidade de provincias
que non son as vascongadas…
unha vez fomos a esas provincias
e vimos realmente a moita garda civil
parando carros e furgonetas
por se aparecía alguén da eta
ou por tocar as bolas sería tamén.
Ían cargados ata os dentes
daba algo de medo, a verdade
polo demais ben, moi curriño todo
e segue a chover e xa non sei que hora é?
pica a lingua e non comín peta zetas.
Os vídeos que gravo
son tremendos polo que tremo
entran nos meus ollos
os desexos de ollar
baleiros e enchidos
vermellos e verdes
fauna e flora
e ata o cemento e a xente
expóñome a taquicardias
e ataques ao corazón
por toda a ilusión que
me provoca a vida
que sempre está acompañada
da morte
porque a vida doe, pica,
ás veces espanta e ata delira
entón dase a volta á moeda
e cáeche enriba
someténdote con medo
parálise física e mental
tes que facer moita forza
para alonxar ese peso
e cando o consegues
xa non tes présa por vivir
xa camiñas arrastrado
ollando cara os lados
mirando sempre ao carón
non vaia ser que apareza
a morte outra vez
e non queres vivir
tampouco morrer
queres adecuarte a un molde
quizais non moverte demasiado
para que non che caia un raio
e así van pasando días, semanas,
e algún que outro mes, si
para de novo comezar a vivir
e vives, minguas, estiras, berras, ris
unha boa tempada
aínda non aprendiches
técnicas zen para florecer
acadar a paz e o pracer
de seguir ben mes a mes
és un pobre aprendiz
ignorante da sabiduría inxente
e necesaria para subir á montaña
ou mergullar no mar sen afogar
que lle imos facer, imos parar
non nos imos laiar porque
deseguida tildaránnos de algo, verás.

FACEBOOK EXISTENCIAL Vento Morteira

Gústame emborracharme polas mañás, pasar as tardes con resaca e estar sobrio pola noite.

Gústame o cheiro da palla húmida, e do estiércol de vaca, gústame ver voar e ver danzar entre as ramas aos paxaros, gústame ver amencer e o aroma do vapor da muller tras facer o amor.

Gústame ver correr os ríos e as nubes, todas as nubes.

Gústanme as casas humildes, os alpendres, as cuadras e os muros de pedra.

Gústame o pan, as patacas, o aceite, as agullas en lata , os froitos secos e a froita.

Gústanme as tres estrelas do cinto de Orión.

Gústanme os labregos que falan pouco, aman a terra e non minten. Gústanme as mulleres que non enganan.

Gústanme os oficios vellos de cesteiros, alfareiros, latoeiros; e os nenos cando cospen.

Gústanme os mapas e as fotos estelares. Gústanme os rifs de guitarra, os acoples e a distorsión; gústame o son do roncón da gaita.

Gústame andar descalzo e beber da billa. Gústanme as visitas inesperadas e a alegría desorganizada.

E pouco máis…

E non me gusta todo o demais.

NACIONALISMO E ANARQUISMO VVAA

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O libriño/"panfleto" Nacionalismo e Anarquismo foi editado polo colectivo Treboada no ano 1992. Ano significativo por todos os fastos como a exposición de Sevilla, as olimpiadas de Barcelona ou a celebración do Vº centenario do xenocidio de América. Foron anos de bastante actividade a nivel contestatario e se debatía de moitas ideas e prácticas que concernían a diferentes ámbitos políticos e como non ao ámbito libertario. O tema do nacionalismo suscitou e suscita moitas controversias a nivel xeral e se o focalizamos nos parámetros do eido libertario pois o tema chega acalorar de grande maneira. Treboada que se adicou despois máis a edición de música punk e hardcore, na súa maioría galega de maneira alternativa, xuntou neste libriño a autores e colectivos libertarios de moito peso que dan a súa opinión de distintas facetas asociadas á temática, rompendo quizais, isto o dicimos ilusamente, os mitos do anarquismo máis ríxido con respecto ao tema.

ARCO DA VELLA (PENSAMENTO LIBERTARIO GALEGO) 1 VVAA

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Arco da Vella (Pensamento Libertario Galego) foi unha publicación de carácter libertario editada polo colectivo Arco da Vella en Santiago de Compostela.
Publicáronse catro números, a comezos dos anos 80. Estaba escrito integramente en lingua galega, e contou cunha tirada de 1.000 exemplares, con depósito legal. Aparecía impreso con moitas ilustracións, presentado con follas de distintas cores e con formatos distintos, así como pegotes e obxectos engadidos (pedazos de espello, letras de sopa…).
Entre os seus colaboradores están Carmen Blanco, Ramiro Fonte, Manuel Forcadela, Claudio Rodríguez Fer, Margarita Ledo, Henrique Monteagudo, Dionisio Pereira, María Balteira (pseudónimo de Rosa Bassave Roibal), Alberto de Esteban Gracia, Susana Antón, Albino Prada, Manuel Xirimbao, César Rodríguez, Álvarez, Cide, Cobas, Llamazares, Miragaia, Prada, Díez, Rábade, Louxas, Alvite, Barba, ou Vétula.
Tiña unha liña claramente anarcocomunista, libertaria, galeguista e pro-CNT. Máis que polo seu contido, destacou pola súa extraordinaria presentación, con pingas de vangardismo.
No 1º número aparece o artigo “o Estado non é a patria”, firmado pola Federación Anarcocomunista Galega. Falábase tamén de temas diversos como o parto natural, a loucura e os manicomios, a identidade galega, a enerxía nuclear, o antimilitarismo, a cociña natural ou os problemas urbáns. Inclúe un texto de Eva Forest.
O número 2 apareceu no verán de 1981, con 30 páxinas máis cubertas e engadidos, e cun formato de 27 x 42 cm. Fala de temas como a homosexualidade, o caso Scala, a prisión de Herrera de la Mancha, a heterodoxia anarquista, ou a protección animal.
O número 3 editouse no verán de 1982, con 36 páxinas máis oito do anexo, cun formato de 21 x 27 cm e 13,5 x 27 no anexo. Trata temas como a lingua galega, o campo, a apicultura, a tecnoloxía alternativa ou a gastronomía.

gl.wikipedia

Presentamos aquí para poder visualizar e descargar ao mesmo tempo o primeiro número que apareceu en 1981 da revista Arco da Vella. Pensamento libertario galego, que editaba a Cooperativa Reprografía 1846 en Compostela.
 Facémolo porque consideramos que é imprescindible facer os exercicios de memoria precisos para rescatar e non deixar atrás proxectos que foron moi importantes na época, entre outras cousas, por que non se vai dicir, porque eran moi minoritarios e sen embargo existiron, como teñen existido outros aos que acollerse xa que serven de exemplo para continuar expresando a nosa disconformidade co establecido e seguir sementando as ideas libertarias tan obviadas nestes tempos.
 Hoxe en día que repuntan dalgunha maneira certas historias que teñen que ver co fanzine, a autoedición e a modernidade pensamos que é significativo que na Galiza de principios dos oitenta existira algo como Arco da Vella.

DE VIVIR. CUADERNOS DA GADAÑA 3 Xosé Dono

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Os Cuadernos da Gadaña (colección patrocinada pola Irmandade Galega de Madrid e con deseño de Xosé Manuel Pereiro) viron a luz no ano 1979 e arrancaban cun número 0 no que se reproducía un escrito de Luís Seoane, “Textos encol da Arte Galega”, publicado en Bos Aires xunto cun cartafol de debuxos inéditos que servirían para ilustrar un libro de Carlos Oroza. Do pintor, estudoso e teórico da arte, ofrécensenos tres capítulos: “Arte galega”, “Anotacións sobre da creación artística” e “Nota encol da arte galega” onde Seoane reivindica que “non se pode prescindir dos que traballan fora, pois proieitan a Galicia lonxe dela e polas mesmas razós que nengún país da terra renuncia ós seus fillos”. Así eran presentados, no Limiar desta primeira entrega, estes “Cuadernos”: “arelan ser unha publicación discontinua, de carácter experimental, na que se recollan unha serie de traballos realizados hai anos e non pubricados deica agora por razóns de todos sabidas, secomasí as novas experiencias /…/ e tamén números monográficos adicados ben a un escritor, ben a un pintor…”. Logo viría o especial dedicado aos “Poemas Caligráficos” de Uxío Novoneyra, cun prólogo realizado por Reimundo Patiño no que salienta o traballo do poeta: “un home do Caurel, labrego e druida, fixo o relato das penedías, dos cumes, do xordo e anónimo devir das augas, do rítmico sobrepoñerse das colleitas, do impersoal estar xeolóxico das terras”. E aínda a parecerían dos volumes máis: o libriño de Xavier Vaz “O muíño de antrasaguas”, unha prosa na que, en verbas de Reimundo Patiño, “hai unha concepción animista da natureza na persoalización de animás e cousas…”, e o denso volume lírico da autoría de Xosé Dono, titulado “De vivir (Noiturno de pub. Caledonia. Santuarium)” aparecido no ano 1980 con ilustracións de Reimundo Patiño.

“Brais Pinto e a creación nos Cuadernos da Gadaña”, Xavier Castro Rodríguez, Galicia Hoxe

ULTRAGRÁFICO recupera o derradeiro volume cos tres poemarios de Xosé Dono como se comentaba aparecido en 1980. Chegou un exemplar as nosas mans e pareceunos que ao igual que co resto de entradas desta nova actualización do noso blog deberíamos facer un exercicio de memoria porque moitas veces hai cousas que non se lles dá/deu a saída que merecían. Nós non somos ninguén, somos conscentes do pouco alcance dos nosos verquidos, será millor tamén así, mais mentras podamos gústanos resaltar o que nos semella que merece a pena e estes poemarios de Xosé Dono nos fixeron meditar e non só mostralos senón que nos levou ao feito de mostrar esas outras dúas novas entradas do blog desde o punto de vista da memoria. E así unhas cousas levan as outras e ademáis do "Cuaderno da Gadaña" nº 3 pois animámonos e reeditamos dixitalmente o libriño nacionalismo e anarquismo e o primeiro número da revista libertaria Arco da Vella. Que aproveite!

CATRO CINEGRAMAS CONCEPTUAIS Claudio Rodríguez Fer

(Deriva libertaria anticolonial)

ANTROPOLOXÍA DOCUMENTAL

Claudio Rodríguez Fer, ANTROPOLOXÍA DOCUMENTAL

O norteamericano Robert J. Flaherty iniciou o cine documental, mediante a convivencia por inmersión, retratando ao pobo inuit en Nanook of the North (1922) e ao samoano en Moana (1926); máis tarde colaborou con F. W. Murnau na conflitiva produción de Tabu (1931), docuficción rodada na Polinesia.

ALPHAVILLE OMEGA

Claudio Rodríguez Fer, ALPHAVILLE OMEGA

Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution (1965), de Jean-Luc Godard, é un thriller de ciencia ficción cheo de conexións literarias (La Fontaine, Baudelaire, Orwell, Eluard, Céline, Borges), intertextualidades cinematográficas (Cocteau, Lang, Murnau, Marker) e referencias filosóficas ou científicas (Pascal, Nietzsche, Bergson, Einstein).

INVASIÓN REXISTRADA

Claudio Rodríguez Fer, INVASIÓN REXISTRADA

Invasión (1969), do arxentino Hugo Santiago Muchnick, quen contou no guión con Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares, converte Bos Aires en Aquilea, unha cidade ocupada dun xeito misteriosamente inexorable malia a resistencia kafkiana dun pequeno sector de activistas.

QUEIMADA LIBRE

Claudio Rodríguez Fer, QUEIMADA LIBRE

O cine político do italiano Gillo Pontecorvo centrouse a miúdo nas loitas anticoloniais, como ocorre en Queimada (1969), rebelión dunha illa caribeña contra o imperialismo portugués teledirixida polo neocolonialismo británico.

SONHOS Artur Alonso

É membro numerário da Academia Galega da Lingua Portuguesa. Tem quatro livros publicados, dois livros coletivos. Participou em várias revistas como Agália, Outras Vozes ou Identidades e em jornais digitais como o Portal galego da língua ou Mundo Galiza. Pertence ao Clube dos Poetas Vivos de Galiza.

Sonha Alicia Sanchez Camacho deixar de viver em Catalunha, por causa da falta de liberdades e pluralidade política; curiosamente sonha Felipe González o mesmo acontece em Caracas, será que na Generalitat governa um bolivariano? Sonha o alcaide de Vigo, os da Xunta respeitem a sua cidade; ao tempo que sonham em Crunha entregar aos cidadãos o governo desta localidade.
Sonha Obama, Cameron, Hollande com um Meio Oriente alargado – este sonho o comparte também a amiga Fraternidade Muçulmana (curiosamente sonha o governo israeliano com o fim da ameaça iraniana).
Sonha Susana Díaz com uma oposição responsável, do mesmo jeito o novo regedor de Ourense em esse mesmo sonho vê-se retratado, a pesares dum ser popular e outra sócia lista proclamada.
Sonha o senhor arcebispo com uma sociedade bem catolizada, e a nova alcaidesa de Mondonhedo sonha mesmamente que em esse catolicismo, como povo, temos nós a identidade; no entanto Ferreira e Noriega sonham com liberdade na sua religiosidade.
Sonha Esperanza Aguirre com a ameaça dos “soviets” na capital das Espanhas, e com a mesma sonhava Carmona: com chegar a ser, dela, alcaide.
Sonha o rei Filipe VI recuperar o prestigio da monarquia desprestigiada, a um tempo que sonhava Leticia converter-se em rainha afamada.
Sonha Vladimir Putin travar a expansão do Império Norte-americano; ao tempo que sonhava Merkel com uma Ucrânia na União Europeia integrada.
E em algum lugar deste remoto planeta, nas montanhas do Afeganistão (pode estar a dar-se o caso), alguém desperta do seu sonho e a dor dele se esvai em um lapso… para sempre e sem palavras.

TABLERO DE DON MATEO DE LEMONTE (FRAGMENTO C) Barbaro Mahony

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TABLERO DE DON MATEO DE LEMONTE (FRAGMENTO C), Barbaro Mahony
Piezas grabadas en papel y compuestas sobre un lienzo al que van adheridas, que permite el plegado del tablero. Ensalada iconográfica sobre la que se desarrollaba el juego para “esparcimiento de navegantes en la travesía desde los Imperios de la Luna hacia más allá de los del Sol” (Tractatus de navigatione siderea. – [s.l.: s.n., c. 1540]. – f. CXXVII v.). El nombre por el que se conoce el tablero aparece manuscrito en un margen y se supone de un propietario del ejemplar.

F.P. Roi Ferreiro

Autopoiesis Integral http://roiferreiro.blogspot.com.es

F.P.

F.P. — Aqui é
o Ferrol Proletário

Marchas de sombras
entre as ruas escuras
A cidade morrente habita
em rostros conhecidos
@s desconhecid@s emigram
para nom ser devorados
polo silêncio
destes mormulhos patéticos
desses berros velhos
valeiros, néscios
daqueles arraizados arredor
da casa da miséria
vivendo como pantasmas
dalgo que foram
mas que já nom voltará
aos seus corpos
cheos de vazio de espírito
dum passado perdido

F.P. — Só fica
um Furado do Paraíso

Eu caminho só
atravessando o silêncio
as praças despejadas
abaixo do ceu
gris e ennoitecido
Ando, vou, envolvido
entre paredes de ar
em que batem
ressoando
as lembranças de tantas
luitas vaas
que acabam de ser
porém derrotadas já antes
polos ventos de morte
e polas sinceras
bágoas hipócritas
d@s que nunca apreenderam
nem esqueceram
como luitar
e nom ficarom
aqui para emigrar

F.P. — Este é o destino
das Forças Prostituídas

Eu som só
outra exceiçom na soidade
vagando por essas ruas
de nadidade
e de pantasmas
como um lóstrego apagado
na rara procura
de almas por salvar-se
desejosas de sair
em verdade
desta sepultura urbana
para luitar
por um além
casando
coa pétrea noite
na esperança
de que assi renasça
o sol escurecido
que ja tem migrado
para abaixo das augas históricas
onde @s traidore/as
nom alcançam
e no silêncio da orige
vibra ainda a raiva
vive o lume criador
chamando pola vingança
aos que ainda sabem
no seu sangue
a memória
da justiça
e do por-vir

F.P. – Este é o caminho
para a Fraga Proibida

 

Escrito o 16/03/12.

MILANO BORDERLINE Paulo Hortak

Fontana

A un paso de Pinelli
saúda Chico Mendes.
Con fío de Bramante,
o cristo home é preso
a unha columna.

A entre-guerra de sempre:
na cola dos caixeiros
apóstanse patrullas militares.
Sobrio, della Francesca
rende as súas armas,
prostra os verdugos todos.

Ao pé dunha das tendas
máis careiras do mundo
un esmoleiro vello
exhibe un cartaciño:
“Non sono comunista”.
Madía leva!
Por esta pasarela
ninguén pide a papela
ás señoras de Arabia.

Milleiros de razóns…
Cinema Caravaggio.
O de Urbino
desposando á María.
Sacrificios rituais
e bispos dacabalo.
“Gesù sta arrivando!”
-non atopa consolo
a policía armada-.

Unha funda de luxo para o skate.
O de Volpedo pódese ver de balde.

Á fin, arte cinética,
ambientes estroboscópicos
para menores acompañados.
Un panóptico de escaleiras mecánicas
con serias advertencias
e dosificadores para a hixiene patria.

De certo,
a indignidade
está acampada en nós
hai moito tempo.

Maio de 2011

NÉBOA Vento Morteira

Ainda non se esvaecera a néboa que orbitaba en torno dos farois da cidade e tamén, a que eu tiña ancorada nas cuncas dos ollos, cando me abordou unha rapaza voluntariosa e falandeira pra seren as primeiras horas da mañá; viña facendo enquisas encol da situación económica, social e política do país.

Sen ganas de entrar a traballar, convideina a un café namentras enchía os cuadriños da enquisa coas miñas respostas moderadas, hipócritas por educación ou solidariedade cun traballador. Como reflectir o rexeitamento na súa totalidade as bases do sistema naquelas ringleiras, cadriños, óvalos e parénteses que compuñan aquel documento; “la espuma, la fétida espuma, pone a borbotones, sobre la superficie, todas las impurezas de una sociedad moribunda”, decía Ricardo Mella fai un século e a mín, naquela hora, me retumbaba nos miolos.

Tería que lle decir que me importaba unha merda Podemos, Mas, o bipartidismo, a cuestión territorial a percepción económica dos españois, as medidas parlamentarias anticorrupción e todo o demáis; que só anhelaba ver saltar as institucions polos aires e a tódolos persoaxes sudando no rego, de maña a noite, pra poder xantar. E por fin chegar a ver as persoas libres, a terra coidade e os animais respetados. Mais, que agardar nestes intres, tralo triunfo e a consumación dun golpe de estado a ralentí a nivel global, nas que unhas mil xuntas de accionistas, un centenar de axencias estatais de información i espionaxe apoiadas por exercitos e a coa tecnoloxia ao seu servicio declararón a suspensión dos dereitos universales do home aprobados pola ONU.

Deixoume o odio e a raiba, como escapan as forzas ao ir vello e, ainda sen rancor nen animadversión, durmo maxinando un mundo superado polas catástrofes naturais, coas ciudades costerias inundadas polo mar, polo estoupido de un ou varios volcans, o desprazamento das placas continentais, o impacto dun obxeto do firmamento ou a extension dunha epidemia. Estou enfermo? Donde está a empatía? Donde foi a solidariedade?. Mais non debo ser o único, i é así, que me explico o éxito de series, filmes e documentais sobre istes temas apocalípticos, zombies e distopias varias: unha de dúas; o é unha manobra de distracción que anule a voluntad dunha maioría que se erga en rebelión ou é a constatación de que na consciencia colectiva aniña a convicción de que esta civilización esta chegando ao seu fin ainda que sexa por motivos externos, e que, sobre as cinzas, outra forma de vivir é posible.

SENTENCIAS IDIOTAS Rafa Becerra

http://laconjuracontraelnecio.blogspot.com

Rafa Becerra Rafa Becerra

A veces, paseando por las ciudades, suelo fijarme en esos alcorques o parterres que suelen dejar en las aceras para plantar árboles. Árboles que en el caso de existir suelen estar raquíticos o enfermos, polucionados de civilización y empachados de cemento. En alguna ciudad, al borde de esos alcorques, se observa a veces un pequeño azulejo con un nombre y una fecha de nacimiento. A algún concejal se le ocurriría la idea de aunar la natalidad municipal con la plantación de árboles. Hoy, todos los parterres están vacíos de todo, salvo de excrementos de perros papeles y colillas.

Imagino a esos padres haciendo suyo aquel dicho que decía que en la vida hay que hacer tres cosas: Plantar un árbol, tener un hijo, y escribir un libro.
Muchos, gracias a las facilidades municipales harían las dos primeras, y algunos se atreverían con la tercera.

Desde mi punto de vista, las tres experiencias son decepcionantes y duras.
El libro que he escrito, permanece encima de mi mesa, a la espera de que decida que hacer con él. Es el resultado de veinte años de escritura dispersa y errática, y contiene demasiados sentimientos para que no de pavor lanzarlo por el mundo. Sentir la desnudez del alma una vez que sea leído y juzgado por los demás. Y al mismo tiempo, no deja de provocar curiosidad el saber que aceptación tendría, un dilema en definitiva.

El siguiente asunto, el de la paternidad, tampoco ha sido un camino de rosas. Echando la vista atrás, sobre los diecisiete años que tiene mi hija, me encuentro que este recorrido temporal y vivencial ha tenido más de calvario que de experiencia satisfactoria. Mi pronta separación de su madre, el miedo a perder a mi hija, la presión social, las dificultades y desacuerdos educativos, la frustración de una separación forzosa con mi hija. Las desavenencias con ella según se fue haciendo mayor, las incertidumbres sobre su futuro.
Un calvario que está lejos de terminar, y donde te queda siempre la sensación de ser el perdedor.

Y la tercera parte, la de plantar un árbol, no ha ido mucho mejor. No es cuestión de abrir un agujero en el suelo, plantar el esqueje, regarlo y adiós. Es mucho más complejo, las posibilidades de que ese pequeño tronco llegue a ser un ejemplar adulto son muy pocas. Una vez leí que para que un árbol sea adulto, han de pasar sobre veinticinco años, entonces y solo entonces, se podrá hablar de absorción de anhídrido carbónico y expulsión de oxígeno. Sin entrar en aspectos tan técnicos, yo he plantado muchos árboles, y no he visto sobrevivir a ninguno. Mi última y frustrante comprobación me dejo clara la fragilidad de estos seres vivos, y las dificultades para crecer.
Hace años me fui a vivir al campo, rodeado de bosques y vacas. Tenía una finca donde abundaban los castaños, los robles, abedules y frutales, pero no había ningún acebo. Yo adoraba estos árboles, y empujado por una tonta codicia deseaba uno. Un día, en uno de los largos paseos que daba por la región, observe al borde de un camino un pequeño acebo cuya supervivencia estaba amenazada por la cercanía del camino. Las huellas de los tractores pasaban a pocos centímetros y seguro alguno de ellos no tardaría en aplastarlo. No lo dude, fui a casa y volví con una azada dispuesto a llevármelo.
El pequeño árbol no tuvo dificultades para crecer en casa, y pronto otros como él. Aunque algunos sufrieron la voracidad de unas ovejas que criaba por aquel entonces.
Un día tuvimos que dejar aquella casa, y allí quedaron los árboles. Tarde unos años en volver, cuando lo hice, los nuevos dueños habían talado y limpiado las lindes de la finca y talado algunos árboles, pero los acebos que yo había plantado seguían allí, hermosos y con sus dos buenos metros de altura. Estaban preciosos, y yo lleno de orgullo, pensaba que lo había conseguido, que ya nada impediría que aquellos ejemplares llegaran a adultos. Estaba equivocado.
Hace unas semanas volví a aquella maravillosa tierra, y pasé cerca de la casa. Los dos acebos estaban arrasados, triturados bajo las potentes mandíbulas de dos caballos. Un tronco pelado era lo que quedaba de ellos, después de diez años.
A veces me pregunto ¿Quiénes somos nosotros para inmiscuirnos  en el ciclo de la vida?
Creemos estar por encima de muchas cosas que ni siquiera entendemos.

Vuelvo a vivir en el campo, lejos de donde lo hacía antes, sigo plantando árboles, pero no espero nada. En el fondo hago como que los ignoro, por miedo a quererlos demasiado. Intento no meterme, dejarlos. Los árboles que ya había en la casa, ni siquiera los podo. Quiero entender que no me pertenecen, que seguro saben arreglárselas sin mi.

Ellos crecen… Yo también.

CAILLEACH / ORFEU CIBERNÉTICO Roi Ferreiro

Autopoiesis Integral
Na procura da «poesia do futuro» — Neo-romanticismo, anti-capitalismo, psicologia transpersonal, ciberpunk, thrash, D.I.Y. e muito ferro candente...
http://roiferreiro.blogspot.com

Cailleach

(Callegh, Ghallegh, ghallegho/a, ghall-aecia…)

Namentres non vibren as ialmas,
os corpos serán cinza morta!
(Manuel Rodríguez)

*
Em nós a velha nai berra
com verbas que chegam
até as ilhas de Homo mais dispersas

Verbas de vento e choiva,
de árvores e pedras,
que podem entender todas as terras:

*
A imaginaçom assovalhada
A mátria aldrajada
Umha diáspora de subjetividades

A nossa comunidade eterna
assulagada
no cárcere da noite pétrea

Construida sobre
as pálpebras do além-ser
e os muros de terra do Sino

*
O desatino enxerta-nos na máquina
Mergulha-nos na mentira
dum progresso que mágoa

Porque nos alonja
da unidade sem fronteiras,
da verdade da natureza mesma

El mata a vida auténtica
que agroma no bravo e sincero
A mesma que flue sagrada

Das choivas para os rios,
dos regos para as seivas
e das seivas para o sol

*
Dos montes para as carvalheiras,
esse auga refresca o sol
e abranda as pedras

Assi novos frutos e crianças
som formados e alumados
do calado pó das estrelas

Porém emigrantes de images,
desde o seu abstracto além-mar
arrenegam da ascendência e do lar

Outeam por bos destinos de escrav@s
e deixam tras de si a comum miséria,
as leiras incultas, sujas as veigas

Correm sonhando e anelam
salvadore/as afora e perdem adentro
a terra natal, ferida e famenta

*
Em moreas de cascalhos e morralha
deixam tiradas as bandeiras
que o sangue e a luita irmanarám

Farrapos de vida, refugalhos
de aspiraçons que som arrojados
e abandoados ou queimados

Baixo o feitiço do capital,
na sombra dos montes
ou em contenedores de olvido

Mas o espírito da terra brava,
ora encerrado em coraçons e paisages,
habita o fungar dos ventos

Durme coa auga luminosa
saudorosa de guerreir@s,
névoa do sol de gigantes

Nom morre nunca esse silêncio
O poder das urdidons invisíveis
que abrolha para casar co ceu

*
Nai Cailleach, agora
quito-che o teu veu nevoento
para ver-te outra vez moça

Fai por curar-me as eivas
para que poda ser ceive
e serei teu, fértil para sempre

Apesar do meu duro zoar
ainda som das origes,
um lume esquivo

e coraçom fugitivo,
terra sem civilizar
ainda quentada polo sol

Fico no claro das carvalheiras
porém vague, mutante,
junto cos hábiles e beligerantes

Nom hai no além treitos
de lugar ou tempo
que me amedrem

Nom hai no aquém furados
onde nom te encontre
já que venho das fundas fontes

*
Túsaro, bandalho, torto
Isso som para as máquinas imperiais
Mas tu sabes o que esses falares dim:

Originário, guerreiro, certo
Sentado na tua coroa de pedras
Ando polos círculos das augas

Aperfeizo-o a singular natura minha
afazendo-me à sorte de viageiro
que vai a saltos igual que as troitas

A tua voz inspira-me a viver
e o som colorido do nosso amor
fará que os povos floresçam

Farei um castro que me envolva
e arderei baixo o lume sábio
do múltiple deus artista

Cailleach, ti dis-me:
“Luita, luita com todas as forças
e entrega-me o teu vento”

Sei coa minha alma despida
que só haverá solpor no final
dos devires deste Sonho mouro

Som guerreiro do teu além
e anterga e nova, infinda,
aqui chamo-te tamém: Galiza

Escrito: 06/10/14
Revisom: 30/12/14

 

Orfeu cibernético

I

Misterioso
Orfeu cibernético
amante e profeta

Doma as máquinas
co teu canto recodificante
de harmonia
Nocturna ledícia
do sol espreitante
tangendo os interfaces

Co teu braço ligeiro e tenro
e as tuas suaves
e precisas maos poéticas
Recompós a Dionisos
amputado pola titánica
civilizaçom olímpica

II

Dispersando as pantasmas do Sonho,
primitivas images de Homo
feitas estranas e opacas a el
re-integras co seu ser
ao grande espírito maquínico
que ora obra cegado e torto

E que como autómata divino
dirige, regio,
a autocriaçom humana
cujos instrumentos volta
em contra por longo tempo
nesta guerra industrial piramidal

Muda, novo Orfeu,
em êxtase criador o brutal gozar
desta beleza maldita e eterna

III

Correndo cos teus lobos
no luar da noite industrial
vas silandeiro
polas escuras linhas de programa
que cortam
pola natrícia rede profunda
nas aforas do domínio
do Deus Computador
e o seu virtualizador ceu

Onde a auto-image de Homo
é reconvertida em
pantasma de robot
subjugada como espectro
das máquinas que se acoplam
para produzir o humano:
humano abstracto e estranho
Opondo o futuro às origes,
a techné à poiesis:

Mecanizaçom do ser contra a auto-criaçom de Homo
Um programa anti-sapiência
O código da extinçom

IV

Liberta ao Homo cyborg
despertando aos clons
e percorrendo os programas vivintes
para fazer que caia o Sonho
desta mente,
demiúrgica simulaçom objetificada,
ilusório aperfeiçoar
a virtuosidade humana
alheando-a do existir sensível

Na órfica poiesis
a metamorfose original
é desvelada e re-actualizada

Escrito: 28-29/10/14
Primeira revisom: 30/12/14

AS CAVIDADES DO VEIGA (Parte II) Virgílio Liquito

«Publicou alguns livros em prosa. Participou em revistas (Última Geração e Pé de Cabra), então sediadas no Porto. Colaborou com poemas nos eventos de Versos Soltos, em Espinho. Participou em Filo-Cafés em Portugal e Galiza. Colaborou na Porta Verde e regularmente no Círculo Poético Aberto, cujos eventos têm sido lavrados no café Uf em Vigo, Galiza.» (Revista Elipse, Núm. 4)

A noite calcinava-se…

Espetado com segurança na rua onde nascera, Veiga sentiu então as primeiras fornadas de água encharcando-lhe o corpo; latões aos pinchos pela calçada abaixo, alguns deles atravessando o espaço aberto entre as suas pernas, como se tratasse de uma cena de circo na penumbra, onde o cálculo carregava às costas o acaso, arrastando no seu movimento carradas de gatos esquartejados nessa noite pelos cães inquietos; os estampidos dos trovões fissurando as entretelas negras do espaço procedentes dos relâmpagos apocalípticos absorvidos nas camadas atmosféricas… Realmente Veiga sofria já os vectores do cataclismo, arrastado para os alguidares da fatalidade. Contudo, ele mostrava-se valente, defendendo a sua personalidade que lhe custara muitos amigos abandonados no âmago das multidões, dissabores e horas mórbidas de solidão frágil e nostálgica, nesses absurdos minutos de desespero. Como tal ele já não queria pensar se realmente era essa a única maneira de se lapidar; pensamentos tais que inúmeras vezes o faziam gesticular atabalhoadamente com as solas dos sapatos sob a densa cortina da chuva crescente, e que o faziam rodar-se no pavimento pelos ombros em contraponto às suas próprias querelas e esquisitices dos rebordos das suas óbvias emoções. Por isso mesmo, por estranho que pareça, a sua atitude no que concerne à libertação do seu corpo, foi-se modificando… Então a sua pressa em sair da abertura do buraco, logo se metamorfoseou em tempestades interiores na pança da sua memória, pondo em evidência os estercos – retrospectivos do seu subconsciente. Um lugar escuro do seu cérebro que lhe fazia crer ouvir o chilrear da sua bondosa ama, bem aleitada, de quem a alma tolhida já vagueava há longo tempo em plano inclinado no grande pântano das incertezas metafísicas. E assim Veiga logrou reviver aqueles momentos aprazíveis de colo, principalmente aquele em que a sua ama sempre atenta o deixou cair dos braços na oportuna profundidade do penico de esmalte… (e que bem o marcara em termos de predilecção pelos buracos).

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AS CAVIDADES DO VEIGA (Parte I) Virgílio Liquito

«Publicou alguns livros em prosa. Participou em revistas (Última Geração e Pé de Cabra), então sediadas no Porto. Colaborou com poemas nos eventos de Versos Soltos, em Espinho. Participou em Filo-Cafés em Portugal e Galiza. Colaborou na Porta Verde e regularmente no Círculo Poético Aberto, cujos eventos têm sido lavrados no café Uf em Vigo, Galiza.» (Revista Elipse, Núm. 4)

Regressava de noite a casa, absorto, depois de mais um dia de rotina pelos subúrbios do seu bairro. Um certo cansaço indicava-lhe que a sua existência se sumira mais um pouco. Mas não se importava. Queria só dar corpo ao seu desejo, de se espalmar na cama; era aquela convicção de que enquanto dormiria, os seus tomates encontrariam no leito um repouso positivo, bastante acolhedor.

A atmosfera parecia-lhe quente ao penetrar-lhe nas articulações da língua. Mas a ânsia de percorrer os largos metros até ao repouso, fazia-o secundar esse pormenor. Interessava-lhe mais acabar depressa com o dia, para que na manhã seguinte, já bem robusto como um tronco de árvore, pudesse reiniciar com mais ardor, com mais gana, as suas deambulações farmacêuticas pelos lugares que mais o faziam sumir da Terra. Por isso, nem reparara que a taberna do Semeão já estava cerrada, que os gatos pareciam ter electricidade nos entrefolhos ao atravessarem diagonalmente a calçada enquanto faziam esgares terríficos, que lhes partiam os próprios pêlos do bigode… Que até os latões do lixo e de lavagem abanavam como centeio, fustigados por vento. Efectivamente Veiga estava afastado desses pormenores aparentemente escoados de conteúdo.

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A TRAVÉS DA FIM (I) / A MEMÓRIA INFERNAL / OS LOBOS ANDAM FAMENTOS Roi Ferreiro

Autopoiesis Integral
Na procura da «poesia do futuro» — Neo-romanticismo, anti-capitalismo, psicologia transpersonal, ciberpunk, thrash, D.I.Y. e muito ferro candente…
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A través da fim (I)

Pálidos bosques de máquinas
crescem nas marges
da luz do Sonho

Homo afunde-se neste
vazio que reborda cousas,
atrapado nesta rede
de relaçons solitárias

Convertido num animal sem sentido,
numha image sem espírito,
vagando pantasmal polos caminhos
suaves, dum verám
que se aproxima à sua fim natural…

Némese descoraçoadora,
um deserto de milagres,
separados sangue e océano
na inasível malha de
mecanismos crepitantes

Escrito o 16 de Julho de 2014

 

 

A memória infernal

I

A memória
acumula morte
e encerra
ao silêncio
num cadaleito de choiva

Mentres
no outro lado
as criaturas desfalecem
coa sede
até converter-se em
monstros que
atravessam a cara
oculta dos espelhos

Nada vence
aos animais da imaginaçom
Mas o morto
apodrece e perturba
e envilece o sonho
e a sua mirada

 

II

 A memória atraiçoa
a verdade
como umha praga
de fábricas
moe e processa
os grans do mundo
e desbrava
a hora da eternidade
até desertifica-la

O eu nom se conhece
nem conhece o mundo
É um ente religioso,
continuamente imaginado,
fetichista,
sem identidade

Nom acerta
o reflexo da alma
na beira do mar
baixo o sol calmo e tenro
que precede
ao completo ocaso

Tampouco as palavras
falam
Ainda a maioria de poetas
som oficiantes
de funerais
e gravadores
de lápidas

Neste ar plano
as significaçons
dissolvem-se
na pedra
E o amor
é area

Escrito entre o 22 e o 28 de Julho de 2014

 

 

Os lobos andam famentos

Os lobos andam famentos
das vossas casas, das vossas cousas
Espreitam na escuridade urbana
Querem ocupar o território
do que os tedes exiliado
Trazem a noite nas suas patas
e o sol na sua boca
O cósmico amor ruge
na sua pelame de prata
evocando a lembrança ruda
da antiga idade gelada
Diante, crianças desesperadas
fugem pola carne do destino
cos corpos envelhecidos
pregando por ajuda técnica
aos páis do progresso
perdidos para sempre
no tempo atrás

Os lobos tenhem fame de alma
De alma vivinte cujo cheiro fica
vibrante nas cousas e suores
produto dos corpos cálidos
Querem abrir-lhes as carnes
e chegar às sempre tenras
entranhas do desejo
latejantes, tangentes,
sangrantes…
Onde o poder da vida
está encerrado
por sacerdotes da morte
cegos, sombrios
e enlamados
Os lobos libertarám
cos seus colmilhos profanos
ao espírito dessas opacidades,
fendas no múltiple movimento
que separam um inconsciente,
umha consciência
e um Deus

Os lobos venhem famentos de vida
atraídos polo abatimento de Homo
Comendo e bebendo,
a carne e o sangue,
salvarám o que lhe reste de alento
e voltarám-no,
refulgente de novo,
para o seu fogar na noite eterna
onde se gestará e será parido
e da que sairá el
outra vez erótico futuro
para alimentar
o lume da criaçom inacabável
Será quando os lobos
voltem a andar e caçar junto aos homes
Quando retorne a alma humana à natureza
para viver a unidade de Gaia
e se funde a sociedade das espécies

Estám famentos, si, os lobos aziveche
que andam pola tua alma negada,
ouveando ao poder vital que resplandece
ao reflectir os raios do si-mesmo
Aparecem coas sombras,
mas venhem detrás
porque venhem de antes
Eles som a mensage da noite selvage
que se advém
e que acurtará as sombras
provocadas polo ego
projetadas sobre as cousas
Devorará os lineamentos
da percepçom e das obras
no próprio mundo de Urizen
Som prelúdio e vento
dumha nova evoluçom,
da nova espécie humana

Os nossos lobos nom se deterám
até que tenham devorado o medo
Iluminará-no até formar
com el um sol de gelo
Ou até que o pánico ferva
liquefazendo o ego desviado,
afastado da nossa natura
E o si-mesmo poda
directamente guiar o ser,
a alma-corpo enteiro,
fazendo que se embeba
radiante
do brilho da noite,
e que os sentidos se transparezam
pola graça da luz
que subjaze a tudo
Ressucitando da orige
ao concreto home cósmico

Escrito do 9 ao 11 de Agosto de 2014

CAMINHO LONGO FINAL / PRESAUSENCIA Ad Hoc


Caminho Longo Final. Vídeo sobre improvisación musical a cargo do grupo de acción poética Ad Hoc (Pedro Lamas, Ramón Cruces, Antonio Rivas, Roque Mosquera e Lois G. Magariños) e texto de Neira Vilas realizada na Filloaldea de O Tremo, Brión, Febreiro de 2010.


Presausencia. Vídeo-improvisación realizada en Caldas de Reis coa colaboración do bailador Xosé Candal e improvisación musical a cargo de Ad Hoc para o filocafé Presencias, Esencias, Ausencias celebrado en Rois no ano 2006.

LUÍS PIMENTEL Claudio Rodríguez Fer

Videopoema manuscrito “Luís Pimentel” (1990)

 

Lémbraste, amigo Luís, de Lugo libre
antes do espanto sobre a lama?
Entraba a mañá pola túa praza
e a lúa abandonaba os bancos da alameda.
Dende a fiestra acristalada
vías levitar a túa cidade
no espello que levaban os obreiros.
Baixabas con coidado
por non crebar as sabas da néboa
e lentamente só ti paseabas.
(Lonxe os arrabaldes achegábanse).
A música do palco
poñía luvas brancas ás bandeiras.
Despois viña o solpor:
a hora en que a cidade era paisaxe.
Pola rúa subían as casas en muletas
e as murallas durmían redondas e brandas.
Ti dicías: “Solpores da miña vila,
longos, case eternos.
(Os anos pasan rápidos;
os días, lentos)”.
E Lugo abandonábase á noite
velado polo seu poeta de garda.

Pero unha noite lenta de solpores
desamparaches de versos tanta calma.
E ti que crías que nun pobo pequeno
non había asasinos
comprendiches que a cidade morrera.
Con ninguén podías trocar o teu sorriso
e todos os rostros resultaban forasteiros.
Para ti xamais volverían ser ledas
as bandeiras que sangran anilina.
Os arrabaldes abatidos a balazos
queimaban os últimos farrapos
e os sucos abríanse aos cadáveres
que enchían de metralla as vísceras da terra.
E cada verso que escribías
resultaba ser un suco de bágoas
que se convertía en cuneta.
Lémbraste amigo Luís de Lugo en loito
baixo a sombra fugacísima das balas?

Poeta en nicho
cruzaches aínda a ponte do terror
e houbo máis palabras para os teus versos.
(Ti sabías que a cidade morrera).
Seguramente un día
saudaches os meus pais
no parque ou na alameda
e dixéchesme algo
porque eu xa cumprira un ano
e mantiña implacable a ledicia.
Pero ti sabías como ninguén
que os nenos tamén morren
que existen nenos solitarios e tristes
estraños nenos
que coñecen a morte.
Prematuramente desvelado
eu nunca esquecín a túa canción
para que un neno non durma.
(Nos arrabaldes xa non quedaban nenos).
Lémbraste amigo Luís de tanta sombra
sen luces pola brétema de Lugo?

 

Composición de *Lugo blues* (1987)

VOLVÍN Á CIDADE ONDE NACERA Vento Morteira

Por espazo de vinte e dúas horas percorrín de novo as rúas e prazas a medias recoñecidas.

De alí marchara con sete anos e só volvera unha vez na mocidade e outra vez quince anos atrás con ocasión dun enterro.

Poucos lugares lograron conmoverme o máis mínimo; só a escola onde estudei, exactamente igual que fai corenta anos, conseguiu evocarme recordos de xiz, leite americano e mañás xeadas de inverno cheirando, ao pasar polo próximo mercado, a queixo , carne e verduras.

Xa non quedaba gran cousa daquela cidade idealizada da nenez. O centro histórico, como adoita suceder nestes tempos, converteuse nun escaparate para turistas, un gran museo baleiro de vida propia. Os chigres, as ferraxerías e as tendas de ultramarinos deixaran paso a bares de deseño, tendas de delicadezas , hoteis de luxo e despachos profesionais. Só permanecían algunhas antigas librerías.   O resto da cidade achábase partido polas arterias de incomunicación, barrios dispersos e sen conexión entre eles como illotes de cemento. Da familia só quedaban enfermidades e ausencias por morte.

De regreso á miña casa constataba entristecido que nunca máis habería unha revolución en Asturias.

Xa non sentía un vínculo especial coa cidade que deixaba atrás como tampouco sentía ningún afecto   pola miña cidade de acollida. No me sentía xungido ao pobo do meu pai onde deixara suor e sangue. Tampouco me sentía parte nen da terra nen do pobo onde vivía; nen sequera da miña propia terra esta que traballaba desde facía once anos, na miña propia casa, e que entre os dedos das mans, se me escurría allea. As verbas “pertenza” e “posesión” “raigame”, non tiña senso, eran pura invención.

Miraba á miña muller deitada na cama, miraba as nubes e as copas das árbores, xa de noite, dende o balcón e pensaba que todo era un desperdicio de vida.

BREVE APUNTAMENTO CONTRA O TEATRO DO DESTINO Paulo Hortak

“Non é que os oráculos calaran: os homes deixaran de escoitalos”.
Lichtenberg (1742-1799)

Dous non rifan se un non quer. Isto sábeo moi ben o poderoso, mais é divisa común dos que son, día tras día, asoballados pola súa condición servil. Que é o destino senón o miolo culpábel dun perecer rastreiro?

Precisamos o choio, a pugna, a traxedia episódica que significa, literalmente, o- sacrificio-ritual-do-cabrón. Mentres, natureza e vida, palcos e destinatarios estáticos do noso papanatismo, levan unha malleira.

A pregunta do fantoche: de que lle serve a alguén reflexionar sobre a impostura radical do seu tempo?

Non hai máis xuízo ao fin que aquel que xorde da liturxia e da perpetuación da inxustiza. Apertando a loita, ese outro sino, tratarás de evadir sen suceso a sobreactuación e o patetismo da interpretación. Apenas a restauración revolucionaria da anarquía orixinal cuestionará por algún tempo o ordeamento e as súas tremoias. A sociedade interpreta a súa farsa no espazo ficcional da crenza, mais require o atrezzo mineral das túas bágoas. O actor do destino precisa de ti, o seu público.

Pese ao suxeito teatral e á metafísica causal que o suxeita, nace o actante libre para identificar no seu propio corpo a natureza orgánica do conflito e tomar consciencia das súas propias accións. O clan-destino elude o espectáculo. O sen-destino exerce a vontade para identificarse no cariño do posíbel, para ocultar e ampliar os límites da súa existencia.

Erguer a vontade sobre a dupla vida onde nos desbota a civilización do diñeiro é facermos un propósito, odiar e amar sen finximento e desatender a imposición normativa dun xogo que se denuncia como adestramento.

Fronte ao fado-masoquismo relixioso cabe esquencer todas as habilidades e itinerarios do escravo. Fronte á desgraciada miraxe burguesa, apenas cabe o consolo de que é posíbel outro mundo sen nós?

[Último acto]

Primeiros auxilios: amor e risos mentres despedimos ao médico.

Outubro de 2011

 

O FIN DOS DÍAS (UNHA PELÍCULA VELADA) Alí Ben Teu Pai

Dende A Morteira vén o vento caloroso do verán promulgando as rutinas dos días silandeiros ou non tanto. Alí Ben Teu Pai obséquianos cunhas sabias palabras simples como todo ou nada...

Co fin do día unha película velada, as veces rápida, as veces lenta, pasa ante os ollos pechados do durmevela.

Nela todo se difumina, nada ten demasiada importancia e o máis interesante é que son aqueles detalliños non percibidos conscientemente no axetreo diario do traballo e as tarefas ás que nítidamente volven ó cerebro como se realmente estas foran o esencial pra o aprendizaxe e o desenrolo.

Unha mirada de esguello non percibida naquel intre; as gotas de suor pingando polo naris ata o zapato e dende ali nun regueiro de po deica o chan; as derradeiras palabras dunha conversa que xa facia rato que deixaras de atender e agora volven ; o rato que botaches seguindo os movementos nervosos e precisos da lagartixa no que se che esqueceu a dor nas costas.

Temo que a vida non ten importancia ata que estas a piques de a perder.

AUTOPOIESIS INTEGRAL Roi Ferreiro

Autopoiesis Integral
Na procura da «poesia do futuro» — Neo-romanticismo, anti-capitalismo, psicologia transpersonal, ciberpunk, thrash, D.I.Y. e muito ferro candente…
http://roiferreiro.blogspot.com.es

MENINOS DA NOITE TRAS A PORTA

MENINOS DA NOITE TRAS A PORTA. ROI FERREIRO

CANTO A MIM MESMO, MENTRES…

escrevo apoiado numha mesa de soidade,
fazendo da minha prisom umha ocasiom de autolibertaçom
com lóstregos. Berros fundem ruído e silêncio
conto que vivo nas minhas encruzilhadas
atravesando-as mentres interminavelmente se refam
em lugar de alimentar os rios delirantes que vam cheos de bágoas
olho-me umha e outra vez no espelho da infáncia, nunca esquecida
já que tudo o que me rodea o sinto insignificante e elusivo
ainda se me fala coas cores da beleza e com vontade de luitar
vam versos livres, mentres vou e veño desde o meu adentro,
em continua pugna cos conceitos do mundo, do eu, da arte
tentando umha poesia que comprehenda a existência humana concreta
as hervas do amor e do saber crescem espessas,
ao contrário da ignoráncia crassa que se arrastra polos sonhos,
ora o océano levanta as ondas que enchem a liberdade
a fame comezou dentro de min e será a minha fim
porque nom é umha fame coa que podam acabar êxitos, prémios, laureados
que oferta umha sociedade transtornada, a vida de mercado
mas comemoro sempre os dous peixes do fevreiro
que sempre preludiam as primaveras e as luitas do por-vir
sabendo que finalmente chegarám o seco e o gelo
somos um mundo de tumbas entre a herva e assi finaremos
amor, gozos, nuves húmidas e a escuridade ficarám atrás
a danza, a música, estalidos e susurros já nom importarám
procuro a alquímia dos opostos, obter um cinzento aguzado em cores
permaneço arraizado no silêncio, mentres deixo à mente lançar-se
contra o sofrer que, próprio ou alheo, desde o coraçom vejo injusto
caminho por umha infinitude extrana, pródiga em multitudes,
eternidade vivinte onde ser supóm perder-se
e para saber hai que morrer
canto para mim mesmo, mentres a tormenta se me achega
e com luz e choiva estala regeneradora
sobre a vívida herva baixo os meus pés

— Escrito a finais de Junho de 2014

MOTIVAÇOM E EMOÇOM (ou por que sabem melhor os poetas mortos)

I
Soidade
suja e gris
etéreo muro sobre mim
vazio
sem sentido
dor que contrae
no lado esquerdo
do meu peito
Lume
no meu pensar
calma que incêndia
o silêncio direito
Força
no corpo
tensando fibras
punhos enfrente
A mirada penetra
a matéria morta
dum mundo infértil
pola corrupçom das mentes
Ódio que se seca
destruindo a esperança
no futuro, no incerto
Só capital, tolo desejo de mais
Essa é a paz do cemitério presente
II
Poesia da morte
— Isso produzides
Bela mercadoria
da agonia que apodrece
até dar novo brilho
à miséria que cresce
A criaçom
é selvage
e nom um lamento
ou umha crítica
É umha apertura,
o rachamento do presente
Porque só se vive (no agora)
aquilo que se transforma (efectivamente)

— Escrito em Abril de 2011

CORPORACIÓN SEMIÓTICA GALEGA

Primeira colaboración para ULTRAGRÁFICO 2.0 por parte de COSEGA (Corporación Semiótica Galega) http://cosega.org
Tres montaxes visuais para inaugurar esta nova andaina.
Animamos a todo o mundo a que participe e colabore enviando textos, imaxes, vídeos etc
Saúde!
CORPORACIÓN SEMIÓTICA GALEGA, nome corporativo, pseudónimo, condensador de identidades, fragmentos dun mesmo, empresa... Calquer nome podería server para apelar a ese pulo íntimo creativo que nada ten que ver con categorías hoxe trasnoitadas: currículo, AUTOR, individuo, xerarquía, selección... todos obstáculos para o intercambio creativo entre iguais.
 O nome CO.SE.GA. é unha empresa colectindividual, reflexo especular prismático do que somos en tanto que falamos sobre o xa dito, o xa creado, da nosa natureza referencial en constante interacción co xa feito o con procesos paralelos. Vén á mente a idea da razón común, do subconsciente colectivo: o individuo creativo fóra de si, trascendéndose dun xeito orixinariamente irracional en conversa silenciosa, agochada, cos demais. Pouco importa o nome, podemos chegar a xustificar calquera que elixamos e utilizar para cada caso un variado abano de posibilidades ou argumentos explicativos: a explicación psicolóxica (o medo do autor a darse a coñecer, a negación da identidade definida como manifestación patolóxica), a sociolóxica e a política (desmitificación, ironía crítico-social, aposta antieconomicista, axitación política de pasquín...). Que sei eu.

VIRXE

VIRXE. COSEGA

PAPANODEF

PAPANODEF. COSEGA

PUTICLUB

PUTICLUB. COSEGA

MAIS Minux

Este é un poemario, por chamarlle dalgunha maneira, que inaugura unha nova etapa do blog que estaba morto, ULTRAGRÁFICO. É unha reconversión industrial que lle dará como todas unha nova morte non se sabe se doce ou salgada.
Inaugura MAIS  esta nova etapa de- construción/in/out/reconstrución... Ao pior quédase así estancado como quedou dende hai case anos con estes poemiñas ou ao millor hai xente que se anima a participar ou algo e asín expoplanetarium.net abrirá este oco para que outras mentes e desmentes podan aportar ou deportar os seus grans de pólvora e flores secas. Facemos chamamento para que enviedes o que vós prace (textos, imaxes, vídeos, insultos ou o que miredes) a planetarium@expoplanetarium.net
Xa sabemos que todo isto está moi pasado de moda pero como dicía Manuel Fraga pois pasando de modas... Este blog queda a vosa disposición. Iso si temos un poderoso filtro de amor que decidirá quen si ou quen non se visibiliza neste glorioso e histórico espazo que no seu día foi lugar para vídeos desternillantes do tuvo.
E falando de MAIS este primeiro artefacto en ULTRAGRÁFICO de minux contar que foi escrito no tempo que durou a reproducción dunha cinta de cassette con título de "ZINTA DE TEMPOS DE CRISE" de noventa minutos de variedade musical gravada máis de dez anos atrás en intres realmente alterados de conciencia. Serviu así de inspiración para escribir esta pequena obra, entre outros: ELECTROHIPPIES, RATOS DE PORAO, LOS ENEMIGOS, KOJÓN PRIETO Y LOS HUAJALOTES, SONIC YOUTH, THE SONICS, MILLADOIRO, CICATRIZ, SUBTERRANEAN KIDS, ANTÓN REIXA, OBUS, etc etc
Saúde!

VERDE

verde cor da herba
árbores milenarias estenden súas raíces
na terra
miñocas arelan o deserto
sen auga
con sede e cloro.

 

BRASIL

brasil mundial
fútbol global
guerra eterna nas favelas do corazón
represión e morte
turismo – nádegas
mocos e bile
acaparando os sumidoiros
piollo no pelo
pinchar todos os balóns
coiro de merda!

 

PANACEA

panacea
pan de cea
pop
flocos no cine
rañarse as vestiduras
sen xeito
derrochar
estoupidos sen par
nacer nun sitio
defender a rúa
con versos e mamuts.

 

WARHOL IS DEAD

sabedoría popular
warhol is dead
sopas de sobres negros
así artísticos
xa desbotei a cinza
e mergúllome
nas bágoas de risa
procurando osíxeno
para a miña cachola
chea de ruídos de litio.

 

INMEDIATO

inmediato
xa

 

PARABÓLICAS

parabólicas tapan as nubes
e atrapan raios de amor
treboadas con e sen vento
armonizan as orellas
acusadas de alterar
as vibracións acuciantes
de agardar polas confusións
de misturas de augardentes
e chuchameles insertadas
nas flores molladas
en blocos de azucre
ecolóxico o alento
do teu dinosaurio desexo
infectado de delirios.

 

BAILAR

bailar cos ollos pechados
arrecendendo á música
que amplifica os oídos
os pés ondulando as baldosas
que xa están ralladas
das risas dos nosos dentes.

 

ADEMÁIS

ademáis dun atracón
de magdalenas ausentes
e de bágoas petrificadas
bailando ao son da música
tamén soño moitas veces
aínda que sexa mentira
cun atracón naquela caixa
ou neses bancos non de peixes
cargados de cartos
para queimalos nalgunhas igrexas
ou devocións/institucións
de todos os países incluso no meu.

 

OCASO

ai como me doe o cinturón do ocaso
que medo me dá o vaivén
deste tren de vida que pasa e pasa
por estacións nas que ás veces para
e logo me tremen as pernas
pero nunca dou chorado de verdade
só son capaz de botarme baixo a cama
ou laiándome cara a miña irmá
non soporto por veces os treces do calendario
logo xa vou levando os catorces e quinces
a non ser que teña algún esguince.

 

AGORA

agora estou aquí e penso
que os golpes que oio
xa non son propios
senón que están dando
moi forte moi forte
quizais deberíamos devolver
ou trousar polo menos
todas estas infamias e telexornais
infumables, intragables
estou aquí e penso: merda!

 

NON QUERO ROUBAR

non quero roubar
coma ti
só quero andar
lonxe de ti
e voar co vendaval
ata desfacerme no mar
e desfacer o mal de cabeza.

 

IMAXINACIÓN

rápido corro coa miña imaxinación
e flúen fluídos
e corren os narcocorridos
e os narcóticos son aprensivos
de derrotas e pelotas.

 

CANDO ERA NENO

articulos-027cando era neno pensaba
que a primavera era a miña curmá
e dixéronme que ía vir
agora sempre que vén estou
“a tu vera, siempre a la verita tuya…”

 

ESCURIDADE

alí na escuridade palpando as partículas
e vendo resprandores aprendín a bailar
no espazo sideral da alucinación
e a voar na antártida e no
círculo polar ártico da nada.

 

GOLPE A GOLPE

golpe a golpe conto a conto
fun espabilando ata a seguinte morte
da que resucitaba
entre garaxe e garaxe
hai paxes, traxes e vagaxes.

 

UNLLAS

unllas pintadas de cores resprandecentes
guitarras rosas e baterías con brillantina
un grupo de bonecas literalmente
tomadas en sesións fotográficas
simulan

 

SEXO

noites en vela unha vela na noite
unha vela vermella anarcosindicalismo
e comunismo, cousa de borrachos?
straight edge non é cascar ovos
así me movía eu polos escenarios
dun lado ao outro como vampiro
ou bolboreta en lata que non da eta
temo ser agora malinterpretado
case sempre se pensa en sexo…

 

VELOCIDADE

a velocidade das gacelas
a velocidade dos guepardos
a velocidade da conexión a internet
a velocidade do ave
sal de froitas.

 

VENTO MALVA

vento malva
rosa capullo
europa
un fillo teu
glande prepucio
socios listos
neurastenia
de salón
fondo de armario
fascistas no fondo

 

CASTRACIÓN

aquí estou de novo coa miña castración
unha folla de leituga
monifates
e o de sempre tentado
de non caer deitado ao carón
desa mentira xenuína
innecesaria e sentido o óxido
na caixa de tomates pera
que xa chego.

 

MUNDO

perdínme e atopéime
agora procuro non perderme
nunha toupeira
mundo!

 

ESPANTO ABECEDARIO

teño as mans amoradas
con pelos e escamas
cumpro anos cada ano
coma todos e todas
e sáciome cando bebo
ás veces teño apetito
e camiño cun pé diante doutro
digo máis
camiño
deliro e ás veces pinto
o indio e o vaqueiro
leite bebo pero desnatada
senfín nin serafín
anxo da garda non teño
e agardo sentado
polo espanto abecedario.

 

MÚSICA

música introducida en caixiñas
de puros habanos
con arrecendo a marihuana
salta salpicando notas
aos ollos impacientes por
bailar ao son da deusa fortuna.

 

CAMIÑO

camiño pola estación de buses
esquecida estación
con destartalados vehículos longos
onde están señoras con
gaiolas, caixas, bolsas
e entremeses
entre ti e máis eu
hai unha ralla verde
autopista de neón
luz negra
límite e fandango
penso ao carón da bancada
que na máquina expendedora
de refrescos tamén hai auga
trago o cuspe, tremo
sorrío e respiro.

 

AS ESTRELAS

as estrelas pintadas
sobre a cartulina negra
son mentira e verdade á vez
a ela gústalle o viño branco
e as chulas de bacallau
e sorríe e ríe inconmensurable
ata abrir todas as ventás
entra o ar e limpa
a area dos meus dedos
que estaba pegada no meu suor
cheo de virus estupefactos.

“te visitará la muerte” obus
“galicia no país das marabillas” milladoiro

(23/05/14)

Blogo máis alá do que imaxinas!