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O FILHO PRÓDIGO Artur Alonso

Como um leão de fogo, com olhos e ouvidos alerta, contemplava a virgindade da vida, aquele humano ser que de si mesmo ainda se esconde.

Depois de atravessar três reinos, em três anteriores cadeias (vencendo, passo a passo, cada íngreme montanha e cume); agora contempla aquela luz basilar, invicto, com a sombra dum corpo humano conquistado pelo esforço antigo. Corpo e humano, tão perfeito, como nunca imaginar quisera, pudera, antes de obter uma carne tão envolvente. Mas lamentavelmente ele ainda era cego, para as cousas do amor e do coração como copo de elixir eterno.

Memorias dos seus ossos falavam a língua dos minerais (não menos silenciosa que dúctil lembrava de pedra ser sua alma). Lembranças de seu olfato, gosto, tato (como isso se pudera exemplificar) sentia na macia pele dos vegetais como sua. A verdura do campo, percorrendo seus nervos adjacentes, vivificante todavia nas sensações que ele sentia, sonhando tudo, da campina, nos pertence. Segue lendo

O CAMINHO DE LUGH – O CAMINHO DE HORUS Artur Alonso

Nada a dizer. Nada a ensinar. A verdade é tão evidente por si, tão obvia, que toda e qualquer explicação somente servirá para obscurecer essa mesma verdade”

(W.Wats – em “O Budismo Zen”)

 

Um dia comprendí: “A sabedoria traz prudência, o amor fraternidade. Afastando de nosso coração os medos que ainda o perturbam, podemos iniciar o abandono de toda animalidade“… E escrevendo esta frase se me deu por pensar que… Existe o ciclo, aquele no qual pela morte se rejuvenesce na vida. Existe a vida que surge, resurge após a morte. Existe o caminho e existem, como fala o ditado romeno “as pedras”; “pois as pedras também são parte desse caminho e desta cíclica caminhada”. Existe o desvio, individual e coletivo. Quando o coletivo aprofundar e a lei natural começar a dengenerar-se em favor da voragem insaciável dos homens e seus egos, surge então, chamado pelo universal ciclo de reintegração aquele que caminha por cima das águas, aquele que pode elevar-se pelo ar, para ver acima dos mundanos aconteceres. Aquele que prega sua paz no grande deserto estéril das almas já pelo sonho corrompidas, adormecentes.

Diz Khrisa a Arjuna, no Bagavad Gita: “Todas as vezes, ó filho de Bhârata! – que Dharma declina, e Adharma se levanta, Eu me manifesto para a salvação dos bons e destruição dos maus. Para restabelecimento da Lei, Eu nasço em cada Yuga” – Sendo Dharma a lei e Adharma seu oposto, sendo Yuga a Era ou ciclo… E existem ciclos maiores e ciclos menores, e ciclos dentro de ciclos. E existe o ritmo e existe a frequência. E existe a vida dentro da vida, e a morte, no seio da espiral que nasce, cresce e se fortalece. Tudo tem seu inicio, tudo seu fim aparente e sua reciclagem neste plano das correções cabalísticas, também chamado físico…

Lugh, sendo Samildanach, é o mercurial homem perfeito. Aquele que pode e deve ser exemplo para regeneração dum povo cegado na noite profunda das trevas. Ele está agora a retornar, pois a Galiza precisa suas vestes. Ele com a destra mão ensinar-nos de novo há a vivificar, dentro, o ouro da racional consciência que traz a mente tão emocional, irrequieta, a ansiada calma e sossego. Deves, pois, lembrar que tua mente sempre mente: eis sua precaria natureza. Lugh na esquerda mão ensina a joia de prata da emoção e sensibilidade, viciadas na etérea esfera dos que se deixam arrastar pelas paixões que os instintos despertam. Nas verdadeiras bodas da exuberância, o homem que aspira atingir o verdadeiro livre amor, deve de Lugh compreender, como apaziguando o apaixonado coração tranquilizada fica a astuciosa mente. Sendo que ai, no meio do peito, a união verdadeira pode realizar-se com a alquímica fusão do emocional fundido na ração verdadeiramente ética. Um novo caminho então poderá, este povo novamente iniciar: onde a intuição já não vai precisar de comparar continuamente o que deve ou não ser feito. Ele, Lugh, guiará teu caminhar já em contanto eterno com as estrelas. Permanentemente.

Criaste assim dentro de ti o ser universal que voa por cima das nuves rarefeitas, como águia livre que pode antecipar da terra qualquer movimento.

Lugh, o dos “três rostos” sabes que contem em seu seio também as três hipóstases imensas: O Pai, a Mãe, o Filho, em comunião – Sendo de ele a tríplice coroa aureamente bela. Assim como um primeiro impulso de vontade para o gelo animar, um segundo de sabedoria no amor para aquecer a mônada no seu desiderio, um terceiro para realizar-se ao fim. No mundo das causas, no meio está a lei finalmente provando na areia seus efeitos.

Tenta esta tríplice chama não apagar, senão quiseres perder para sempre teu caminho reto: no seio da mãe o círculo de contenção, no meio o pau que sustenta a abóbada ou teto celeste; juntos tens a palhoça onde os filhos dormem e refúgio sempre há para que a fraternidade acrescenta…

Na sociedade humana deveras equilibrar a função espiritual – sacerdotal, a função guerreira – transformadora pela vontade das negras humanas inércias; assim como a função artesanal no espírito criativo a desenvolver o belo por gratidão ao universo.

O amor tudo embelece. Dai em equilibro os três poderes poderão projetar, na vida dos seres, a estrutura da sociedade ética…

Lugh sempre pode ser útil para ajudar a criar os alicerces, por isso não deves tua porta fechar quando convidada já foi tua alma a abrir-se por dentro: seu caminho é o da luz, o sol interior que sempre acende. O astro inicial, o zero no astro, o Zero-Astro para melhor falar, meu bem, num povo agora ressurecto. Qualquer um, que deixe de viver na pequena ilusão, pode entender que tem nesses ouvidos a Palavra de Valor sua coragem sempre preste, sempre na boca a voz perfeita.

Horus, filho da virgem Isis, de Lugh, Krisnha ou Mitra outro gémeo irmão – outro guia a maiores para iniciar aquele caminho estelar, que pode levar nosso povo atingir o campo das estrelas. Antes de no promontório elevado local, nossa alma ter de render no tunel luminoso seu derradeiro amén eterno (quando no por do sol esta porta se abrir, na ida e a volta já plenas). Vive tua realização miraculosamente.

Se a roda da retorno puderes quebrar (trás uma vida continua e virtuosa) da qual Rumi, no Masnavi nos veio antecipar, teu novo reino será aquele dos Anjos Alegres… Caminha não deixes de caminhar, lembra o exemplo de Lugh, a luta daquele que a si mesmo se vence: a exemplo de Horus mesmo.

Horus a 25 de Dezembro também nasceu, marcando o começo duma Nova Era. Outra Nova Era está hoje a alvorecer, na que todos os seres, povos, serão em abraço fraterno libertos.

Não sejas parte da escuridão, quebra tua dual interior luta cega: nada existe que da natureza te possa separar, se tens o espírito apaziguado do rancor, do ódio, remorsos, feridas por curar, ânsias de reclamar, ignorância imensa…

Assim quando o falcão te incitar, senão te renovas na mágica flor não poderás voar na tua alma por dentro: o lis do gaulês brasão dela é um simbolo perpétuo. Lembra que Horus porta o disco Solar, de Ouro, na sua testa…

Horus com a amarelada cor da serenidade espiritual, com a azul da serenidade anímica, com a verde da vitalização – sintetizadas no Clarão virginal , daquele que traspassou o portão lumínico.

Horus com doze anos tomou instrução no Templo da palavra eterna. Com trinta anos batizado foi, a beira do rio Eridanos, por Anup o purificador da original mácua terrestre. Com doze discípulos predicou. Tentado por Set o filho da Grande Escuridão, no deserto de Amenta. Ali a seus infernos teve de descer e vencer todos seus medos, grandes e férreos apegos (aquele que dessa viagem regressar fica livre de toda vanal inércia, ira, vileza).

Horus depois pode realizar o grande sermão na Montanha Hetep, onde as multidões puderam escutar aquele que se tornara, por seu próprio esforço, Iluminado Mestre.

Horus que crucificado morreu no meio de dous ladroes, aos quais ele amou também profundamente, como amava a todo humano ser, a todos os seres vivos deste planeta.

Horus que o terceiro dia ressuscitou na cidade de Anu. Escuta sua palavra é a tua mesma, que nasce por detrás da tua voz, criada pelo enganoso ego. Compartilhas com Horus, Lugh, do amor solar a mais pura essência.

O escrivã Aun, sua encarrega recebeu para levar pelo mundo a palavra que sempre é certa. Não desesperes, por isso ou aquilo amor, Lugh – Horus amostram o caminho belo. O Buda, Cristo, falam sua mesma língua. Maitreya está a se materializar, tem amor um bocadinho de paciência e não te esqueças de perdoar aos teus inimigos como a ti mesmo.

Se conseguires o labirinto escuro ultraspassar, serás bem-aventurado na luz da verdade sempre imensa. Um ungido te tornarás. Se ainda no conseguiste, paciência…

– Que dizes?… Que queres saber como esta negra sombra ao chão deitar ?

  • Escuta atentamente: segue o caminho de Lugh, segue a senda do bem-aventurado na terra. Forma parte do que ainda está por se realizar, não permitas que teu ódio, tua culpa e negatividade contaminem tua a mente.
  • E lembra, lembra sempre: a mente mente.

Deixa teu espírito te guiar, fala com ele na solidão de teu Horus neste deserto…

Areia atiram a teus olhos sem tu saber… Limpa da tua face esse véu carregado pelo medo.

Vibra na frequência de Lugh, voa como falção destas pesadas cadeias para semrpe Liberto!

A CAMINHO DUM NOVO PARADIGMA, PARA UMA NOVA HUMANIDADE Artur Alonso

Em 1900 o físico alemão Max Planck introduziu a ideia de que a energia era quantizada; anteriormente em 1838 Gustav Faraday tinha feito a descoberta dos Raios Catódicos. Em 1860 Gustav Kirchhoff, introduz o conceito de Corpo Negro. Já em 1905, Einstein demonstrou que toda a radiação eletromagnética, pode ser dividida num número finito de energia, que denominou “quanta de energia”. Depois em 1926 Gilbert N. Lewis, chamaria estes “quanta de energia” de fotons. Dous anos antes em 1924 Louis-Victor de Broglie apresentara sua teoria de ondas de matéria, fazendo perceber ao mundo que as partículas podem exibir características de onda e vice-versa. Assim é como em 1925 nasce a ideia da mecânica quântica, quando Werner Heisenberg e Max Born (baseados na aproximação de Broglie) desenvolverão a mecânica matricial que, junto com a visão de Erwin Schrödinger, sobre a mecânica de ondas, iniciará a virada de século e de paradigma na física.

Em 1933 às margens do Lago Maggiore, próximo a Ascona, na Suíça, Olga Froebe-Kapteyn funda o Grupo Eranos; abrindo à porta a interação já consciente entre ciência – espiritualidade. Entre os participantes do grupo figuravam pessoalidades tão destacadas como: o eminente teólogo alemão Rudolf Otto, especialista em religiões comparadas; Gilbert Durand, conhecido pelos seus influentes trabalhos sobre Imaginário e Mitologia; James Hillman psicologo analítico, conferencista de fama internacional; D. T. Suzuki, famoso autor japonês de livros sobre budismo (ajudou a introduzir em Ocidente o conhecimento de disciplinas como o Zen); o engenheiro elétrico Max Knoll: os famosos físicos quânticos Rudolf Alexander Schrödinger, Niels Borh e Wolfgang Ernst Paul; os biologos Jacob Johann von Uexkül e Adolf Portmann; assim como diversos especialistas de reconhecido prestigio tais como Mircea Eliade, Heinrich Robert Zimmer, Joseph John Campbell, Erich Neumann e o famoso psicoanalsita Carl Jung (um dos grandes promotores destes encontros), entre outros… Ajudaram a mudar nosso visão da realidade. 
Este grupo reuniu-se durante 70 anos, em reuniões regulares, efetuadas 1 vez por ano; durante as quais, em períodos de 8 horas diárias, cada pensador dispunha de 2 horas para suas palestras. Pudendo agora afirmar que graças a esta iniciativa, muitas das vanguardas atuais, que visam aprofundar os caminhos de confraternização global (não somente entre ciência, humanidade e espiritualidade) senão também entre culturas e povos, beberam direta ou indiretamente desta inesgotável fonte que foi Eranos.

Alberto Filipe Araújo, no seu texto: “Jung e o tempo de Eranos. Do sentido espiritual e pedagógico do Círculo de Eranos”, afirma: “…Vários conferencistas, vindos dos quatro cantos do mundo, partilhavam à volta de uma mesa as suas ideias de acordo com o tema proposto. Por outras palavras, cada participante coloca as suas visões interiores, sob uma forma filosófica ou científica, à disposição de todos os participantes com a condição de que o seu contributo seja simultaneamente imaginativo, criador e rigoroso.” (Revista @mbienteeducação. 94-112, jan/jun, 2013/04). Não é pois de estranhar que em grego Eranos, signifique comida em comum, celebração compartilhada, onde cada um achega sua parte.

Este novo caminho de confluência Ciência – Espiritualidade, ainda que agora nos torne um bocadinho mais céticos, de início; pode, no entanto auxiliar aos individiduos e sociedades dotando-os de novas ferramentas, que permitam com maior acerto, enfrentar, como humanidade global os novos desafios e provações que o futuro e o próprio presente nos está a deparar já, embrulhado na aparência de varias crises isoladas (económica, energética, ecológica, politica, social, cultural…), que bem analisadas partem de um mesmo fio comum: a crise sistémica de um velho modelo já inadequado para ultrapassar novos e mais pujantes desafios planetários.

Podemos inferir do pensamento de unidade ciência – esperitualidade, que ficam pela teoria quântica, abertos campos que podem desvelar novas possibilidades, nas quais mesmo a consciência, nos permitiria criar uma nova realidade. Já, hoje em dia, muitas pessoas não somente acreditam em este axioma; senão que na prática tentam mudar suas vidas, suas rotinas, tendências, círculos viciados, repetição de caminhadas… Mudando precisamente suas consciências (mesmo permitindo a expansão dessa consciência à procura de novas dimensões). E muitas afirmam mesmo que as positivas mudanças que obtiveram, seriam impossíveis, sem essa mudança de consciência. Há mesmo científicos a concordar, que essas mudanças efetuadas no nível anímico – psicológico, levariam também a profundas transformações bioquímicas no nosso cérebro; acrescentando a ideia de uma maior unidade, nos processos processos da vida; tal como pensa o Dr. Jeffrey Satinover.

Esta conceção nova da realidade, tem também empolgado a inovação terapêutica e campos como o Reiki, Ioga, Meditação… Que anteriormente foram indevidamente associados a “efeito placebo”, agora começam a ser inseridos, dentro de diferentes terapias, que mesmo abrangem a docencia ou a pratica hospitalar. Pelo qual devemos começar a pensar a serio, em esta mudança do paradigma social dominante, nascido no século das luces e muito associado, ao ate agora, entendido como racional. Sabendo que velhos paradigmas, que foram fundamentais na sua época para gerar um avanço evolutivo na humanidade, puderam agora chegar a entorpecer o mesmo ao ficar já velhos e desgastados, pelo avanço do tempo e, as inércias próprias dos ciclos naturais de renovação.

Para o físico indiano Amit Goswami “a consciência é a base de tudo”. Ele afirma ser a consciência, e não a matéria, a base de tudo quanto vemos, percebemos e observamos. Nós, então, podemos criar nossa realidade, dependendo das escolhas que façamos na nossa vida. Sabendo que existem diversas possibilidades, dentro das nossas potencialidades. Como assegura o próprio Goswami : “A consciência diz que o mundo é cheio de possibilidades e que nós temos liberdade de escolha. Se nós aprendermos a escolher com criatividade, acessando esta interconectividade não-local que cada um de nós tem, que é um estado de consciência não-local, se nós aprendermos a dar um salto do nosso ego individual para essa interconectividade não-local, então nós podemos acessar essas ideias de criatividade e mudar as nossas vidas. Assim, se acessarmos esse estado, seremos mais responsáveis pelas nossas ações. E quando assumimos essa responsabilidade, podemos enfrentar todos os problemas que vêm perseguindo-nos. Então “escolha” e “responsabilidade” são as palavras chaves desta nova ciência. Neste sentido, a nova ciência nos ensina a exercitar a criatividade.”

Novos avanços científicos tecnológicos, podem estar a obrigar-nos já a essa mudança; que não entanto não poderá ser possível, sem antes mudar nossa psicologia atual de competência pelos recursos (entre contrários ou inimigos), pela nova psicologia de colaboração e compreensão (entre completares e amigos).

Demonstrado está, também e, fica patente em diferentes estudos que o imaginário coletivo interage no imaginário individual e o mesmo individuo tira muitas vezes suas ideias, desse imaginário. Sabendo também da função que exerce o poder no controlo de esse imaginário coletivo, através de todos os seus meios ao alcance, desde os meios de de comunicação, aos doutrinamentos escolares, o seio familiar, o mundo laboral, etc… Acreditamos que somente plantando pequenas sementes de renovação e encorajando a libertação pessoal e coletiva , poderemos num futuro ver brotar a árvore da renascença.

Estas sementes tendem a avançar da Materialidade à consciência psíquica – dai elevar-nos – à Consciência iluminada da personalidade individual (morte do egoismo, esse entendemos nós foi o verdadeiro sacrificio do Cristo, na cruz – a morte do eu inferior, o ego material apegado a dominação, a imposição, viçado em cumprir os caprichos, paixoes, desejos de controlo…   Para alcançar o Eu Superior: ultrapassando essencialmente ess medo à morte).

A cruz mística sempre como símbolo da união da vertical e a horizontal (aparece em diversas culturas, como na nossa celta): Na horizontal o homem cresce pela racionalidade material, na vertical o homem ascende a intuição pura espiritual.

Na horizontal, a delimitação necessária a definição para tornar compressíveis as partes do todo (delimitar: dar limites; definir: tornar finito). Na vertical de novo a união com o todo, através da compreensão das suas partes. Experiência direita da realidade, através da intuição pura, deixando que o todo inunde o ser, deixando que nosso ser se inunde no todo…

Dai saber necessário razão e intuição serem complementarias. E um dos grandes trabalhos do nosso iniciado século, será esse: aprender a conciliar razão e intuição. Aprender a confraternizar fusionar, também, emoções (coração) e mente (cabeça).

Dai elevar-nos (atravesando o abismo do medo, com a força interior, vontande e coragem integradas, por meio da impassível perserverança) para – alcançar a essência comum (a União do Todo no Uno). Chegando a compreender que o que nos une como humanidade é mais forte, enraizado (raiz comum) que o que nos separa: divisão aparente (fomentada pela discórdia e a guerra). Sendo a união a raiz da árvore da vida e a divisão: as folhas (latejante no símbolo universal e cabalistico da “árvore da vida”).

Do mundo material – elevar-nos ao mundo moral – deste ao mundo intelectual. O intelecto é essencialmente a concretização da intuição a da compreensão.

Chegado aquí o discurso, faremos nossa a frase de Hernri Durville, na dedicatória do seu livro: “A Ciência Secreta” e dedicamos também este texto: “A todos aqueles que têm sede de ideal, que sonham com a Justiça, a Liberdade moral, a Fraternidade…” pois eles certamente foram os que hoje se achegaram a esta leitura (nada é por acaso). Mas advertimos, como também advertiu em seu préfacio o próprio Durville, aqueles que por acaso procuram encontrar em este saber e conhecimento: “o meio de saciar as suas paixões, ódios, amores, ambições, rancores; que procuram o ganho material; desgraçados que tem sofrido e não tem sabido perdoar, que este pequeno e humilde texto, não escrito para eles. Este tipo de atos, são atos de amor e de altruísmo”. Dados a quem compartilham estes nobres ideais.

Acrescentamos também que pela contra aqueles que tens sofrido longamente e que querem sair do tormento, caminhar ousadamente pela senda do amor, para encontrar a Serenidade, a Felicidade e a Paz Interior, realmente estão no local apropriado.

Mas de novo desafiamos aqueles que ainda não preparam seu coração para o amor, a tomar outro caminho, lembrando de novo as palavras de Hernri Durville quando, no mesmo, escrito advertia: “Procuras o ganho material? Não será aqui que tu o encontrarás; este é um estudo desinteressado, uma tentativa mais de dar a todos a felicidade, que vem da paz da alma e do bem feito em torno de si. Nele não se encontra nenhuma idéia cúpida.

Simples curioso, e tu, ambicioso, que acreditas ter nascido para seres o conquistador do mundo, este escrito não é para vós, para os vossos corações presos ao tumulto das paixões vãs que esta obra não foi feita… No estado atual da vossa perturbação, não compreendereis esta obra . Não falamos a mesma linguagem e os propósitos que escolhemos não fariam desaparecer a barreira que nos separa. Não procureis levantar o véu (da sabedoria) antes de terdes mudado os vossos desejos.

Daqui até lá, vosso dia ainda não é chegado; não saberíeis ainda ver nestas páginas a ternura e a alegria que quisemos expressar.”

Sirva pois este trabalho entusiasta, como um pequeno inicio, para na medida da sua humilde projeção, abrir a alma dos leitores à procura desse novo modelo de participação coletiva nas decisões e colaboração ética baseada na lealdade, honorabilidade e transparência; necessárias para criar confiança entre todas as diversas culturas globais.

ERRODIARIO minux

Erro, lapsus, fallo, falla… fenda
escapada, fuga, alborada.
Dixéronnos que os galos cantaban
polas mañás, dixéronnos non sei que do medo
mais os galos cantan a todas horas
igual que os cans que cantan ás veces
con medo… os páxaros ladran tamén
ladran os páxaros engaiolados nesa tenda
baixo a alameda.
Un día lancei a dous páxaros coa súa
gaiola encomendada ao chan dunha terraza
e ou ben voaron ou ben morreron.
Non soportaba que estiveran pechados e
despois o que estivo dentro da gaiola
fun eu pero iso xa pasou e agora como
pinchos de tortilla e bebo cervexa sen alcohol.
Liña de fuga que non se disolva no nariz
eu de neno saboreaba peta zetas.
Montaña, alborada, río, sementes
auga pura, auga envelenada.
Plásticos na lama, papeis na beirarrúa
camiño oscilando na mente.
Ti acompáñasme na viaxe celeste
ás veces non…
melancolía do tabaco entumecido
sospirando amianto
hiperactividade, hiperventilación… pasos.
Auga regadeira pasa pola miña alma
pechado no círculo que ten currunchos con espiños
a culpa das laranxas debe ser maior
que a fibra
eu visito poucos lugares
pola gorxa morre o rei… ás veces as autopistas
do internet van cada vez a máis velocidade
non leo tan rápido a Deleuze. En Bueu
leo máis. Mar calmo, que chova quinindiola
ás veces son autista e penso como na
praia da Lanzada hai morea de xente
camiñando dun extremo a outro da praia
procurando morenos e morenas? Despois
hai rapaces que pescan polbos e tamén
hai polbos na toalla.
Os políticos non tiran a toalla porque
non hai quen lles rompa o nariz. O rapaz
que se atreveu a darlle unha hostia ao Rajoy
mandárono para un centro de menores, aquí
en Ourense e iso que era familiar. Familias
hai moitas. Todos iguais, todos diferentes dí
o lema mais a lama de todos parte dos
mesmos lodos ou era dos mesmos polbos?
Inquisición, parisién, fútbol, catequese.
O colexio máis horripilante do mundo.
O meu avó estivo tres anos no cárcere nesa
época infame que aínda non se vomitou ata
quedar medianamente ben. Herdanzas, rodas,
xílgaros.
Moito trauma. Agora mesmo estou estirándome
e estrálanme todas as vértebras do corpo.
Eu teño vértebras ata na pixa.
A rúa onde vivimos lémbrame á canción
de Silvio Rodríguez, esa que dí: “Viva el
harapo, señor y la mesa sin mantel. Viva
y que huela a callejuela, a palabrota y
taller.
Nesta rúa e neste barrio hai xente de todas
as cores e ata se falan distintos idiomas
pero non me chega, gustaríame que fora moito,
moito máis. Que compensaran polo menos á
toda a xente maior autótona que vexo por todos os lados.
Aínda que agora que o penso eu tamén debo ser maior.
Algas o pelo do pé
craváchesme as tenazas
no buraco da uña
pero foi sen querer
durmiches coas gatas
e un menda tamén
choveu toda a noite
nevou en Maceda
nevou en Compostela
e estamos na primavera
andas na lama
eu en distintas prisións
entrullado de raíces
entrullado de ósos
cos músculos aletargados
co miolo amorado
a pel fría e dopada
non penetra nela ren
mais dela non sae tampouco nada
só mancho os dedos
ás veces de pintura
ás veces de verniz
imos expoñer
vóume expoñer con medo
a gorxa rota
polos xeados
río pequeno
no que collen benxamíns
cágados, algas
visóns, caranguexos americanos
quizais lontras
vimos unha o ano pasado
patos a mansalva
merlas, paporroibos
lavandeiras brancas e amarelas
e ata o martiño pescador
co seu brillo azul
vimos voar
garzas, corvos mariños
gaivotas que non son do pp
río pequeno
cheo de latas, plástico,
papeis, verquidos de todo tipo.
Pneumáticos, bidóns,
valados, ladrillos,
ferranchadas de todo tipo
río que andas na cidade
e non te podes alonxar dela
soportas o insoportable
pero das vida plena
eu mírote con mirada extraviada
con ollo birollo e sorrío.
Motor ruído de fondo
banda sonora da rúa
permanezo quedo
asténico
mais cos dedos pegoñentos
non de seme nin de semente
senón de pintura
sintética pintura que dana
a lingua-bolboreta
pintura negra de loito
lingua de loito
loito nas veas e nas carreteiras
e nas rochas do mar
o mar que está máis alá.
Hoxe unha lavandeira
colleu co seu pico pole das árbores
para un niño
e naceron patiños
facían carreiras polo río
e a barba vaime minguando
como a lúa que medra
e a lingua que pica
pica alabastros
mancho o diario e a caneta vermella
pinto cadros vila morena
e semella que chove acobardado
todo o diario está subxectivado
e envasado no pasado que verte
con substancias e é teu o meu embigo de visón
algas na mesa
a modo de mostrario
devecen por ser penduradas no fume
o fume de primavera de toxos
carreiras nas medias de calzedonia
non verás
carreiras no medio da calzada de motos
si
e a auga da baixada non é auga da traída
a auga ten cloro e sulfitos e sulfatos
eu teño co psiquiatra o sete
xa van tres veces que me cambian a data
quérolle pedir un favor
quero menos xalea real
paso de monarquías
eu quero ser zángana
sen garavata nin camisola de forza
procuraba fotos de revistas
que foran gráficas e porno
ou sexa pornográficas
só para recortar en saudade
nin en pelos púbicos
si quero escoitar esa auga
que cae chovendo contra o asfalto
diseminando burbullas polos sumidoiros.
Aquel día o cosmos
pegou no río
e caeron estreliñas
coa súa luz
na superficie da auga
escura
as lápidas ás veces brillan
e a vida nas rás das charcas
tamén
vin un cágado nunha tomba
en San Pedro de rochas
estaba quedo mais a súa cabeza
ía moi rápido
alí se reflexaban ás árbores
autótonas que se ancoraron no outono
o chan cheo de follas secas
as pedras na auga
e aquí e agora segue a chover
debe haber fútbol ou houbo fútbol
ou haberá fútbol
e sigo manchando o diario
diario de ex-fumador que voltou fumar
diario de ex-okupa… voltará okupar?
diario de ex-pontino… ?
akelarre para os teus ollos
de apátrida invencible.
Calquera sae á rúa!
non trouxen chuvasqueiro
e a pelo non o quero
polas mans cheas de pintura
de pintura negra de loito
de loito senil
abafante adoito mergullarme
en obsesións tipo redes sociais
por que os asociais teñen facebook?
ou temos, xa non sei
resulta contraditorio
ao final resulta que odiamos tanto
e aí andamos procurando aloumiños
sigo manchando o diario
diario de século vinteún
entre os ríos dunha cidade de provincias
que non son as vascongadas…
unha vez fomos a esas provincias
e vimos realmente a moita garda civil
parando carros e furgonetas
por se aparecía alguén da eta
ou por tocar as bolas sería tamén.
Ían cargados ata os dentes
daba algo de medo, a verdade
polo demais ben, moi curriño todo
e segue a chover e xa non sei que hora é?
pica a lingua e non comín peta zetas.
Os vídeos que gravo
son tremendos polo que tremo
entran nos meus ollos
os desexos de ollar
baleiros e enchidos
vermellos e verdes
fauna e flora
e ata o cemento e a xente
expóñome a taquicardias
e ataques ao corazón
por toda a ilusión que
me provoca a vida
que sempre está acompañada
da morte
porque a vida doe, pica,
ás veces espanta e ata delira
entón dase a volta á moeda
e cáeche enriba
someténdote con medo
parálise física e mental
tes que facer moita forza
para alonxar ese peso
e cando o consegues
xa non tes présa por vivir
xa camiñas arrastrado
ollando cara os lados
mirando sempre ao carón
non vaia ser que apareza
a morte outra vez
e non queres vivir
tampouco morrer
queres adecuarte a un molde
quizais non moverte demasiado
para que non che caia un raio
e así van pasando días, semanas,
e algún que outro mes, si
para de novo comezar a vivir
e vives, minguas, estiras, berras, ris
unha boa tempada
aínda non aprendiches
técnicas zen para florecer
acadar a paz e o pracer
de seguir ben mes a mes
és un pobre aprendiz
ignorante da sabiduría inxente
e necesaria para subir á montaña
ou mergullar no mar sen afogar
que lle imos facer, imos parar
non nos imos laiar porque
deseguida tildaránnos de algo, verás.

FACEBOOK EXISTENCIAL Vento Morteira

Gústame emborracharme polas mañás, pasar as tardes con resaca e estar sobrio pola noite.

Gústame o cheiro da palla húmida, e do estiércol de vaca, gústame ver voar e ver danzar entre as ramas aos paxaros, gústame ver amencer e o aroma do vapor da muller tras facer o amor.

Gústame ver correr os ríos e as nubes, todas as nubes.

Gústanme as casas humildes, os alpendres, as cuadras e os muros de pedra.

Gústame o pan, as patacas, o aceite, as agullas en lata , os froitos secos e a froita.

Gústanme as tres estrelas do cinto de Orión.

Gústanme os labregos que falan pouco, aman a terra e non minten. Gústanme as mulleres que non enganan.

Gústanme os oficios vellos de cesteiros, alfareiros, latoeiros; e os nenos cando cospen.

Gústanme os mapas e as fotos estelares. Gústanme os rifs de guitarra, os acoples e a distorsión; gústame o son do roncón da gaita.

Gústame andar descalzo e beber da billa. Gústanme as visitas inesperadas e a alegría desorganizada.

E pouco máis…

E non me gusta todo o demais.

CATRO CINEGRAMAS CONCEPTUAIS Claudio Rodríguez Fer

(Deriva libertaria anticolonial)

ANTROPOLOXÍA DOCUMENTAL

Claudio Rodríguez Fer, ANTROPOLOXÍA DOCUMENTAL

O norteamericano Robert J. Flaherty iniciou o cine documental, mediante a convivencia por inmersión, retratando ao pobo inuit en Nanook of the North (1922) e ao samoano en Moana (1926); máis tarde colaborou con F. W. Murnau na conflitiva produción de Tabu (1931), docuficción rodada na Polinesia.

ALPHAVILLE OMEGA

Claudio Rodríguez Fer, ALPHAVILLE OMEGA

Alphaville, une étrange aventure de Lemmy Caution (1965), de Jean-Luc Godard, é un thriller de ciencia ficción cheo de conexións literarias (La Fontaine, Baudelaire, Orwell, Eluard, Céline, Borges), intertextualidades cinematográficas (Cocteau, Lang, Murnau, Marker) e referencias filosóficas ou científicas (Pascal, Nietzsche, Bergson, Einstein).

INVASIÓN REXISTRADA

Claudio Rodríguez Fer, INVASIÓN REXISTRADA

Invasión (1969), do arxentino Hugo Santiago Muchnick, quen contou no guión con Jorge Luis Borges e Adolfo Bioy Casares, converte Bos Aires en Aquilea, unha cidade ocupada dun xeito misteriosamente inexorable malia a resistencia kafkiana dun pequeno sector de activistas.

QUEIMADA LIBRE

Claudio Rodríguez Fer, QUEIMADA LIBRE

O cine político do italiano Gillo Pontecorvo centrouse a miúdo nas loitas anticoloniais, como ocorre en Queimada (1969), rebelión dunha illa caribeña contra o imperialismo portugués teledirixida polo neocolonialismo británico.

SONHOS Artur Alonso

É membro numerário da Academia Galega da Lingua Portuguesa. Tem quatro livros publicados, dois livros coletivos. Participou em várias revistas como Agália, Outras Vozes ou Identidades e em jornais digitais como o Portal galego da língua ou Mundo Galiza. Pertence ao Clube dos Poetas Vivos de Galiza.

Sonha Alicia Sanchez Camacho deixar de viver em Catalunha, por causa da falta de liberdades e pluralidade política; curiosamente sonha Felipe González o mesmo acontece em Caracas, será que na Generalitat governa um bolivariano? Sonha o alcaide de Vigo, os da Xunta respeitem a sua cidade; ao tempo que sonham em Crunha entregar aos cidadãos o governo desta localidade.
Sonha Obama, Cameron, Hollande com um Meio Oriente alargado – este sonho o comparte também a amiga Fraternidade Muçulmana (curiosamente sonha o governo israeliano com o fim da ameaça iraniana).
Sonha Susana Díaz com uma oposição responsável, do mesmo jeito o novo regedor de Ourense em esse mesmo sonho vê-se retratado, a pesares dum ser popular e outra sócia lista proclamada.
Sonha o senhor arcebispo com uma sociedade bem catolizada, e a nova alcaidesa de Mondonhedo sonha mesmamente que em esse catolicismo, como povo, temos nós a identidade; no entanto Ferreira e Noriega sonham com liberdade na sua religiosidade.
Sonha Esperanza Aguirre com a ameaça dos “soviets” na capital das Espanhas, e com a mesma sonhava Carmona: com chegar a ser, dela, alcaide.
Sonha o rei Filipe VI recuperar o prestigio da monarquia desprestigiada, a um tempo que sonhava Leticia converter-se em rainha afamada.
Sonha Vladimir Putin travar a expansão do Império Norte-americano; ao tempo que sonhava Merkel com uma Ucrânia na União Europeia integrada.
E em algum lugar deste remoto planeta, nas montanhas do Afeganistão (pode estar a dar-se o caso), alguém desperta do seu sonho e a dor dele se esvai em um lapso… para sempre e sem palavras.

NÉBOA Vento Morteira

Ainda non se esvaecera a néboa que orbitaba en torno dos farois da cidade e tamén, a que eu tiña ancorada nas cuncas dos ollos, cando me abordou unha rapaza voluntariosa e falandeira pra seren as primeiras horas da mañá; viña facendo enquisas encol da situación económica, social e política do país.

Sen ganas de entrar a traballar, convideina a un café namentras enchía os cuadriños da enquisa coas miñas respostas moderadas, hipócritas por educación ou solidariedade cun traballador. Como reflectir o rexeitamento na súa totalidade as bases do sistema naquelas ringleiras, cadriños, óvalos e parénteses que compuñan aquel documento; “la espuma, la fétida espuma, pone a borbotones, sobre la superficie, todas las impurezas de una sociedad moribunda”, decía Ricardo Mella fai un século e a mín, naquela hora, me retumbaba nos miolos.

Tería que lle decir que me importaba unha merda Podemos, Mas, o bipartidismo, a cuestión territorial a percepción económica dos españois, as medidas parlamentarias anticorrupción e todo o demáis; que só anhelaba ver saltar as institucions polos aires e a tódolos persoaxes sudando no rego, de maña a noite, pra poder xantar. E por fin chegar a ver as persoas libres, a terra coidade e os animais respetados. Mais, que agardar nestes intres, tralo triunfo e a consumación dun golpe de estado a ralentí a nivel global, nas que unhas mil xuntas de accionistas, un centenar de axencias estatais de información i espionaxe apoiadas por exercitos e a coa tecnoloxia ao seu servicio declararón a suspensión dos dereitos universales do home aprobados pola ONU.

Deixoume o odio e a raiba, como escapan as forzas ao ir vello e, ainda sen rancor nen animadversión, durmo maxinando un mundo superado polas catástrofes naturais, coas ciudades costerias inundadas polo mar, polo estoupido de un ou varios volcans, o desprazamento das placas continentais, o impacto dun obxeto do firmamento ou a extension dunha epidemia. Estou enfermo? Donde está a empatía? Donde foi a solidariedade?. Mais non debo ser o único, i é así, que me explico o éxito de series, filmes e documentais sobre istes temas apocalípticos, zombies e distopias varias: unha de dúas; o é unha manobra de distracción que anule a voluntad dunha maioría que se erga en rebelión ou é a constatación de que na consciencia colectiva aniña a convicción de que esta civilización esta chegando ao seu fin ainda que sexa por motivos externos, e que, sobre as cinzas, outra forma de vivir é posible.

SENTENCIAS IDIOTAS Rafa Becerra

http://laconjuracontraelnecio.blogspot.com

Rafa Becerra Rafa Becerra

A veces, paseando por las ciudades, suelo fijarme en esos alcorques o parterres que suelen dejar en las aceras para plantar árboles. Árboles que en el caso de existir suelen estar raquíticos o enfermos, polucionados de civilización y empachados de cemento. En alguna ciudad, al borde de esos alcorques, se observa a veces un pequeño azulejo con un nombre y una fecha de nacimiento. A algún concejal se le ocurriría la idea de aunar la natalidad municipal con la plantación de árboles. Hoy, todos los parterres están vacíos de todo, salvo de excrementos de perros papeles y colillas.

Imagino a esos padres haciendo suyo aquel dicho que decía que en la vida hay que hacer tres cosas: Plantar un árbol, tener un hijo, y escribir un libro.
Muchos, gracias a las facilidades municipales harían las dos primeras, y algunos se atreverían con la tercera.

Desde mi punto de vista, las tres experiencias son decepcionantes y duras.
El libro que he escrito, permanece encima de mi mesa, a la espera de que decida que hacer con él. Es el resultado de veinte años de escritura dispersa y errática, y contiene demasiados sentimientos para que no de pavor lanzarlo por el mundo. Sentir la desnudez del alma una vez que sea leído y juzgado por los demás. Y al mismo tiempo, no deja de provocar curiosidad el saber que aceptación tendría, un dilema en definitiva.

El siguiente asunto, el de la paternidad, tampoco ha sido un camino de rosas. Echando la vista atrás, sobre los diecisiete años que tiene mi hija, me encuentro que este recorrido temporal y vivencial ha tenido más de calvario que de experiencia satisfactoria. Mi pronta separación de su madre, el miedo a perder a mi hija, la presión social, las dificultades y desacuerdos educativos, la frustración de una separación forzosa con mi hija. Las desavenencias con ella según se fue haciendo mayor, las incertidumbres sobre su futuro.
Un calvario que está lejos de terminar, y donde te queda siempre la sensación de ser el perdedor.

Y la tercera parte, la de plantar un árbol, no ha ido mucho mejor. No es cuestión de abrir un agujero en el suelo, plantar el esqueje, regarlo y adiós. Es mucho más complejo, las posibilidades de que ese pequeño tronco llegue a ser un ejemplar adulto son muy pocas. Una vez leí que para que un árbol sea adulto, han de pasar sobre veinticinco años, entonces y solo entonces, se podrá hablar de absorción de anhídrido carbónico y expulsión de oxígeno. Sin entrar en aspectos tan técnicos, yo he plantado muchos árboles, y no he visto sobrevivir a ninguno. Mi última y frustrante comprobación me dejo clara la fragilidad de estos seres vivos, y las dificultades para crecer.
Hace años me fui a vivir al campo, rodeado de bosques y vacas. Tenía una finca donde abundaban los castaños, los robles, abedules y frutales, pero no había ningún acebo. Yo adoraba estos árboles, y empujado por una tonta codicia deseaba uno. Un día, en uno de los largos paseos que daba por la región, observe al borde de un camino un pequeño acebo cuya supervivencia estaba amenazada por la cercanía del camino. Las huellas de los tractores pasaban a pocos centímetros y seguro alguno de ellos no tardaría en aplastarlo. No lo dude, fui a casa y volví con una azada dispuesto a llevármelo.
El pequeño árbol no tuvo dificultades para crecer en casa, y pronto otros como él. Aunque algunos sufrieron la voracidad de unas ovejas que criaba por aquel entonces.
Un día tuvimos que dejar aquella casa, y allí quedaron los árboles. Tarde unos años en volver, cuando lo hice, los nuevos dueños habían talado y limpiado las lindes de la finca y talado algunos árboles, pero los acebos que yo había plantado seguían allí, hermosos y con sus dos buenos metros de altura. Estaban preciosos, y yo lleno de orgullo, pensaba que lo había conseguido, que ya nada impediría que aquellos ejemplares llegaran a adultos. Estaba equivocado.
Hace unas semanas volví a aquella maravillosa tierra, y pasé cerca de la casa. Los dos acebos estaban arrasados, triturados bajo las potentes mandíbulas de dos caballos. Un tronco pelado era lo que quedaba de ellos, después de diez años.
A veces me pregunto ¿Quiénes somos nosotros para inmiscuirnos  en el ciclo de la vida?
Creemos estar por encima de muchas cosas que ni siquiera entendemos.

Vuelvo a vivir en el campo, lejos de donde lo hacía antes, sigo plantando árboles, pero no espero nada. En el fondo hago como que los ignoro, por miedo a quererlos demasiado. Intento no meterme, dejarlos. Los árboles que ya había en la casa, ni siquiera los podo. Quiero entender que no me pertenecen, que seguro saben arreglárselas sin mi.

Ellos crecen… Yo también.

AS CAVIDADES DO VEIGA (Parte II) Virgílio Liquito

«Publicou alguns livros em prosa. Participou em revistas (Última Geração e Pé de Cabra), então sediadas no Porto. Colaborou com poemas nos eventos de Versos Soltos, em Espinho. Participou em Filo-Cafés em Portugal e Galiza. Colaborou na Porta Verde e regularmente no Círculo Poético Aberto, cujos eventos têm sido lavrados no café Uf em Vigo, Galiza.» (Revista Elipse, Núm. 4)

A noite calcinava-se…

Espetado com segurança na rua onde nascera, Veiga sentiu então as primeiras fornadas de água encharcando-lhe o corpo; latões aos pinchos pela calçada abaixo, alguns deles atravessando o espaço aberto entre as suas pernas, como se tratasse de uma cena de circo na penumbra, onde o cálculo carregava às costas o acaso, arrastando no seu movimento carradas de gatos esquartejados nessa noite pelos cães inquietos; os estampidos dos trovões fissurando as entretelas negras do espaço procedentes dos relâmpagos apocalípticos absorvidos nas camadas atmosféricas… Realmente Veiga sofria já os vectores do cataclismo, arrastado para os alguidares da fatalidade. Contudo, ele mostrava-se valente, defendendo a sua personalidade que lhe custara muitos amigos abandonados no âmago das multidões, dissabores e horas mórbidas de solidão frágil e nostálgica, nesses absurdos minutos de desespero. Como tal ele já não queria pensar se realmente era essa a única maneira de se lapidar; pensamentos tais que inúmeras vezes o faziam gesticular atabalhoadamente com as solas dos sapatos sob a densa cortina da chuva crescente, e que o faziam rodar-se no pavimento pelos ombros em contraponto às suas próprias querelas e esquisitices dos rebordos das suas óbvias emoções. Por isso mesmo, por estranho que pareça, a sua atitude no que concerne à libertação do seu corpo, foi-se modificando… Então a sua pressa em sair da abertura do buraco, logo se metamorfoseou em tempestades interiores na pança da sua memória, pondo em evidência os estercos – retrospectivos do seu subconsciente. Um lugar escuro do seu cérebro que lhe fazia crer ouvir o chilrear da sua bondosa ama, bem aleitada, de quem a alma tolhida já vagueava há longo tempo em plano inclinado no grande pântano das incertezas metafísicas. E assim Veiga logrou reviver aqueles momentos aprazíveis de colo, principalmente aquele em que a sua ama sempre atenta o deixou cair dos braços na oportuna profundidade do penico de esmalte… (e que bem o marcara em termos de predilecção pelos buracos).

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AS CAVIDADES DO VEIGA (Parte I) Virgílio Liquito

«Publicou alguns livros em prosa. Participou em revistas (Última Geração e Pé de Cabra), então sediadas no Porto. Colaborou com poemas nos eventos de Versos Soltos, em Espinho. Participou em Filo-Cafés em Portugal e Galiza. Colaborou na Porta Verde e regularmente no Círculo Poético Aberto, cujos eventos têm sido lavrados no café Uf em Vigo, Galiza.» (Revista Elipse, Núm. 4)

Regressava de noite a casa, absorto, depois de mais um dia de rotina pelos subúrbios do seu bairro. Um certo cansaço indicava-lhe que a sua existência se sumira mais um pouco. Mas não se importava. Queria só dar corpo ao seu desejo, de se espalmar na cama; era aquela convicção de que enquanto dormiria, os seus tomates encontrariam no leito um repouso positivo, bastante acolhedor.

A atmosfera parecia-lhe quente ao penetrar-lhe nas articulações da língua. Mas a ânsia de percorrer os largos metros até ao repouso, fazia-o secundar esse pormenor. Interessava-lhe mais acabar depressa com o dia, para que na manhã seguinte, já bem robusto como um tronco de árvore, pudesse reiniciar com mais ardor, com mais gana, as suas deambulações farmacêuticas pelos lugares que mais o faziam sumir da Terra. Por isso, nem reparara que a taberna do Semeão já estava cerrada, que os gatos pareciam ter electricidade nos entrefolhos ao atravessarem diagonalmente a calçada enquanto faziam esgares terríficos, que lhes partiam os próprios pêlos do bigode… Que até os latões do lixo e de lavagem abanavam como centeio, fustigados por vento. Efectivamente Veiga estava afastado desses pormenores aparentemente escoados de conteúdo.

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VOLVÍN Á CIDADE ONDE NACERA Vento Morteira

Por espazo de vinte e dúas horas percorrín de novo as rúas e prazas a medias recoñecidas.

De alí marchara con sete anos e só volvera unha vez na mocidade e outra vez quince anos atrás con ocasión dun enterro.

Poucos lugares lograron conmoverme o máis mínimo; só a escola onde estudei, exactamente igual que fai corenta anos, conseguiu evocarme recordos de xiz, leite americano e mañás xeadas de inverno cheirando, ao pasar polo próximo mercado, a queixo , carne e verduras.

Xa non quedaba gran cousa daquela cidade idealizada da nenez. O centro histórico, como adoita suceder nestes tempos, converteuse nun escaparate para turistas, un gran museo baleiro de vida propia. Os chigres, as ferraxerías e as tendas de ultramarinos deixaran paso a bares de deseño, tendas de delicadezas , hoteis de luxo e despachos profesionais. Só permanecían algunhas antigas librerías.   O resto da cidade achábase partido polas arterias de incomunicación, barrios dispersos e sen conexión entre eles como illotes de cemento. Da familia só quedaban enfermidades e ausencias por morte.

De regreso á miña casa constataba entristecido que nunca máis habería unha revolución en Asturias.

Xa non sentía un vínculo especial coa cidade que deixaba atrás como tampouco sentía ningún afecto   pola miña cidade de acollida. No me sentía xungido ao pobo do meu pai onde deixara suor e sangue. Tampouco me sentía parte nen da terra nen do pobo onde vivía; nen sequera da miña propia terra esta que traballaba desde facía once anos, na miña propia casa, e que entre os dedos das mans, se me escurría allea. As verbas “pertenza” e “posesión” “raigame”, non tiña senso, eran pura invención.

Miraba á miña muller deitada na cama, miraba as nubes e as copas das árbores, xa de noite, dende o balcón e pensaba que todo era un desperdicio de vida.

BREVE APUNTAMENTO CONTRA O TEATRO DO DESTINO Paulo Hortak

“Non é que os oráculos calaran: os homes deixaran de escoitalos”.
Lichtenberg (1742-1799)

Dous non rifan se un non quer. Isto sábeo moi ben o poderoso, mais é divisa común dos que son, día tras día, asoballados pola súa condición servil. Que é o destino senón o miolo culpábel dun perecer rastreiro?

Precisamos o choio, a pugna, a traxedia episódica que significa, literalmente, o- sacrificio-ritual-do-cabrón. Mentres, natureza e vida, palcos e destinatarios estáticos do noso papanatismo, levan unha malleira.

A pregunta do fantoche: de que lle serve a alguén reflexionar sobre a impostura radical do seu tempo?

Non hai máis xuízo ao fin que aquel que xorde da liturxia e da perpetuación da inxustiza. Apertando a loita, ese outro sino, tratarás de evadir sen suceso a sobreactuación e o patetismo da interpretación. Apenas a restauración revolucionaria da anarquía orixinal cuestionará por algún tempo o ordeamento e as súas tremoias. A sociedade interpreta a súa farsa no espazo ficcional da crenza, mais require o atrezzo mineral das túas bágoas. O actor do destino precisa de ti, o seu público.

Pese ao suxeito teatral e á metafísica causal que o suxeita, nace o actante libre para identificar no seu propio corpo a natureza orgánica do conflito e tomar consciencia das súas propias accións. O clan-destino elude o espectáculo. O sen-destino exerce a vontade para identificarse no cariño do posíbel, para ocultar e ampliar os límites da súa existencia.

Erguer a vontade sobre a dupla vida onde nos desbota a civilización do diñeiro é facermos un propósito, odiar e amar sen finximento e desatender a imposición normativa dun xogo que se denuncia como adestramento.

Fronte ao fado-masoquismo relixioso cabe esquencer todas as habilidades e itinerarios do escravo. Fronte á desgraciada miraxe burguesa, apenas cabe o consolo de que é posíbel outro mundo sen nós?

[Último acto]

Primeiros auxilios: amor e risos mentres despedimos ao médico.

Outubro de 2011

 

O FIN DOS DÍAS (UNHA PELÍCULA VELADA) Alí Ben Teu Pai

Dende A Morteira vén o vento caloroso do verán promulgando as rutinas dos días silandeiros ou non tanto. Alí Ben Teu Pai obséquianos cunhas sabias palabras simples como todo ou nada...

Co fin do día unha película velada, as veces rápida, as veces lenta, pasa ante os ollos pechados do durmevela.

Nela todo se difumina, nada ten demasiada importancia e o máis interesante é que son aqueles detalliños non percibidos conscientemente no axetreo diario do traballo e as tarefas ás que nítidamente volven ó cerebro como se realmente estas foran o esencial pra o aprendizaxe e o desenrolo.

Unha mirada de esguello non percibida naquel intre; as gotas de suor pingando polo naris ata o zapato e dende ali nun regueiro de po deica o chan; as derradeiras palabras dunha conversa que xa facia rato que deixaras de atender e agora volven ; o rato que botaches seguindo os movementos nervosos e precisos da lagartixa no que se che esqueceu a dor nas costas.

Temo que a vida non ten importancia ata que estas a piques de a perder.