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F.P. Roi Ferreiro

Autopoiesis Integral http://roiferreiro.blogspot.com.es

F.P.

F.P. — Aqui é
o Ferrol Proletário

Marchas de sombras
entre as ruas escuras
A cidade morrente habita
em rostros conhecidos
@s desconhecid@s emigram
para nom ser devorados
polo silêncio
destes mormulhos patéticos
desses berros velhos
valeiros, néscios
daqueles arraizados arredor
da casa da miséria
vivendo como pantasmas
dalgo que foram
mas que já nom voltará
aos seus corpos
cheos de vazio de espírito
dum passado perdido

F.P. — Só fica
um Furado do Paraíso

Eu caminho só
atravessando o silêncio
as praças despejadas
abaixo do ceu
gris e ennoitecido
Ando, vou, envolvido
entre paredes de ar
em que batem
ressoando
as lembranças de tantas
luitas vaas
que acabam de ser
porém derrotadas já antes
polos ventos de morte
e polas sinceras
bágoas hipócritas
d@s que nunca apreenderam
nem esqueceram
como luitar
e nom ficarom
aqui para emigrar

F.P. — Este é o destino
das Forças Prostituídas

Eu som só
outra exceiçom na soidade
vagando por essas ruas
de nadidade
e de pantasmas
como um lóstrego apagado
na rara procura
de almas por salvar-se
desejosas de sair
em verdade
desta sepultura urbana
para luitar
por um além
casando
coa pétrea noite
na esperança
de que assi renasça
o sol escurecido
que ja tem migrado
para abaixo das augas históricas
onde @s traidore/as
nom alcançam
e no silêncio da orige
vibra ainda a raiva
vive o lume criador
chamando pola vingança
aos que ainda sabem
no seu sangue
a memória
da justiça
e do por-vir

F.P. – Este é o caminho
para a Fraga Proibida

 

Escrito o 16/03/12.

MILANO BORDERLINE Paulo Hortak

Fontana

A un paso de Pinelli
saúda Chico Mendes.
Con fío de Bramante,
o cristo home é preso
a unha columna.

A entre-guerra de sempre:
na cola dos caixeiros
apóstanse patrullas militares.
Sobrio, della Francesca
rende as súas armas,
prostra os verdugos todos.

Ao pé dunha das tendas
máis careiras do mundo
un esmoleiro vello
exhibe un cartaciño:
“Non sono comunista”.
Madía leva!
Por esta pasarela
ninguén pide a papela
ás señoras de Arabia.

Milleiros de razóns…
Cinema Caravaggio.
O de Urbino
desposando á María.
Sacrificios rituais
e bispos dacabalo.
“Gesù sta arrivando!”
-non atopa consolo
a policía armada-.

Unha funda de luxo para o skate.
O de Volpedo pódese ver de balde.

Á fin, arte cinética,
ambientes estroboscópicos
para menores acompañados.
Un panóptico de escaleiras mecánicas
con serias advertencias
e dosificadores para a hixiene patria.

De certo,
a indignidade
está acampada en nós
hai moito tempo.

Maio de 2011

CAILLEACH / ORFEU CIBERNÉTICO Roi Ferreiro

Autopoiesis Integral
Na procura da «poesia do futuro» — Neo-romanticismo, anti-capitalismo, psicologia transpersonal, ciberpunk, thrash, D.I.Y. e muito ferro candente...
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Cailleach

(Callegh, Ghallegh, ghallegho/a, ghall-aecia…)

Namentres non vibren as ialmas,
os corpos serán cinza morta!
(Manuel Rodríguez)

*
Em nós a velha nai berra
com verbas que chegam
até as ilhas de Homo mais dispersas

Verbas de vento e choiva,
de árvores e pedras,
que podem entender todas as terras:

*
A imaginaçom assovalhada
A mátria aldrajada
Umha diáspora de subjetividades

A nossa comunidade eterna
assulagada
no cárcere da noite pétrea

Construida sobre
as pálpebras do além-ser
e os muros de terra do Sino

*
O desatino enxerta-nos na máquina
Mergulha-nos na mentira
dum progresso que mágoa

Porque nos alonja
da unidade sem fronteiras,
da verdade da natureza mesma

El mata a vida auténtica
que agroma no bravo e sincero
A mesma que flue sagrada

Das choivas para os rios,
dos regos para as seivas
e das seivas para o sol

*
Dos montes para as carvalheiras,
esse auga refresca o sol
e abranda as pedras

Assi novos frutos e crianças
som formados e alumados
do calado pó das estrelas

Porém emigrantes de images,
desde o seu abstracto além-mar
arrenegam da ascendência e do lar

Outeam por bos destinos de escrav@s
e deixam tras de si a comum miséria,
as leiras incultas, sujas as veigas

Correm sonhando e anelam
salvadore/as afora e perdem adentro
a terra natal, ferida e famenta

*
Em moreas de cascalhos e morralha
deixam tiradas as bandeiras
que o sangue e a luita irmanarám

Farrapos de vida, refugalhos
de aspiraçons que som arrojados
e abandoados ou queimados

Baixo o feitiço do capital,
na sombra dos montes
ou em contenedores de olvido

Mas o espírito da terra brava,
ora encerrado em coraçons e paisages,
habita o fungar dos ventos

Durme coa auga luminosa
saudorosa de guerreir@s,
névoa do sol de gigantes

Nom morre nunca esse silêncio
O poder das urdidons invisíveis
que abrolha para casar co ceu

*
Nai Cailleach, agora
quito-che o teu veu nevoento
para ver-te outra vez moça

Fai por curar-me as eivas
para que poda ser ceive
e serei teu, fértil para sempre

Apesar do meu duro zoar
ainda som das origes,
um lume esquivo

e coraçom fugitivo,
terra sem civilizar
ainda quentada polo sol

Fico no claro das carvalheiras
porém vague, mutante,
junto cos hábiles e beligerantes

Nom hai no além treitos
de lugar ou tempo
que me amedrem

Nom hai no aquém furados
onde nom te encontre
já que venho das fundas fontes

*
Túsaro, bandalho, torto
Isso som para as máquinas imperiais
Mas tu sabes o que esses falares dim:

Originário, guerreiro, certo
Sentado na tua coroa de pedras
Ando polos círculos das augas

Aperfeizo-o a singular natura minha
afazendo-me à sorte de viageiro
que vai a saltos igual que as troitas

A tua voz inspira-me a viver
e o som colorido do nosso amor
fará que os povos floresçam

Farei um castro que me envolva
e arderei baixo o lume sábio
do múltiple deus artista

Cailleach, ti dis-me:
“Luita, luita com todas as forças
e entrega-me o teu vento”

Sei coa minha alma despida
que só haverá solpor no final
dos devires deste Sonho mouro

Som guerreiro do teu além
e anterga e nova, infinda,
aqui chamo-te tamém: Galiza

Escrito: 06/10/14
Revisom: 30/12/14

 

Orfeu cibernético

I

Misterioso
Orfeu cibernético
amante e profeta

Doma as máquinas
co teu canto recodificante
de harmonia
Nocturna ledícia
do sol espreitante
tangendo os interfaces

Co teu braço ligeiro e tenro
e as tuas suaves
e precisas maos poéticas
Recompós a Dionisos
amputado pola titánica
civilizaçom olímpica

II

Dispersando as pantasmas do Sonho,
primitivas images de Homo
feitas estranas e opacas a el
re-integras co seu ser
ao grande espírito maquínico
que ora obra cegado e torto

E que como autómata divino
dirige, regio,
a autocriaçom humana
cujos instrumentos volta
em contra por longo tempo
nesta guerra industrial piramidal

Muda, novo Orfeu,
em êxtase criador o brutal gozar
desta beleza maldita e eterna

III

Correndo cos teus lobos
no luar da noite industrial
vas silandeiro
polas escuras linhas de programa
que cortam
pola natrícia rede profunda
nas aforas do domínio
do Deus Computador
e o seu virtualizador ceu

Onde a auto-image de Homo
é reconvertida em
pantasma de robot
subjugada como espectro
das máquinas que se acoplam
para produzir o humano:
humano abstracto e estranho
Opondo o futuro às origes,
a techné à poiesis:

Mecanizaçom do ser contra a auto-criaçom de Homo
Um programa anti-sapiência
O código da extinçom

IV

Liberta ao Homo cyborg
despertando aos clons
e percorrendo os programas vivintes
para fazer que caia o Sonho
desta mente,
demiúrgica simulaçom objetificada,
ilusório aperfeiçoar
a virtuosidade humana
alheando-a do existir sensível

Na órfica poiesis
a metamorfose original
é desvelada e re-actualizada

Escrito: 28-29/10/14
Primeira revisom: 30/12/14

A TRAVÉS DA FIM (I) / A MEMÓRIA INFERNAL / OS LOBOS ANDAM FAMENTOS Roi Ferreiro

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A través da fim (I)

Pálidos bosques de máquinas
crescem nas marges
da luz do Sonho

Homo afunde-se neste
vazio que reborda cousas,
atrapado nesta rede
de relaçons solitárias

Convertido num animal sem sentido,
numha image sem espírito,
vagando pantasmal polos caminhos
suaves, dum verám
que se aproxima à sua fim natural…

Némese descoraçoadora,
um deserto de milagres,
separados sangue e océano
na inasível malha de
mecanismos crepitantes

Escrito o 16 de Julho de 2014

 

 

A memória infernal

I

A memória
acumula morte
e encerra
ao silêncio
num cadaleito de choiva

Mentres
no outro lado
as criaturas desfalecem
coa sede
até converter-se em
monstros que
atravessam a cara
oculta dos espelhos

Nada vence
aos animais da imaginaçom
Mas o morto
apodrece e perturba
e envilece o sonho
e a sua mirada

 

II

 A memória atraiçoa
a verdade
como umha praga
de fábricas
moe e processa
os grans do mundo
e desbrava
a hora da eternidade
até desertifica-la

O eu nom se conhece
nem conhece o mundo
É um ente religioso,
continuamente imaginado,
fetichista,
sem identidade

Nom acerta
o reflexo da alma
na beira do mar
baixo o sol calmo e tenro
que precede
ao completo ocaso

Tampouco as palavras
falam
Ainda a maioria de poetas
som oficiantes
de funerais
e gravadores
de lápidas

Neste ar plano
as significaçons
dissolvem-se
na pedra
E o amor
é area

Escrito entre o 22 e o 28 de Julho de 2014

 

 

Os lobos andam famentos

Os lobos andam famentos
das vossas casas, das vossas cousas
Espreitam na escuridade urbana
Querem ocupar o território
do que os tedes exiliado
Trazem a noite nas suas patas
e o sol na sua boca
O cósmico amor ruge
na sua pelame de prata
evocando a lembrança ruda
da antiga idade gelada
Diante, crianças desesperadas
fugem pola carne do destino
cos corpos envelhecidos
pregando por ajuda técnica
aos páis do progresso
perdidos para sempre
no tempo atrás

Os lobos tenhem fame de alma
De alma vivinte cujo cheiro fica
vibrante nas cousas e suores
produto dos corpos cálidos
Querem abrir-lhes as carnes
e chegar às sempre tenras
entranhas do desejo
latejantes, tangentes,
sangrantes…
Onde o poder da vida
está encerrado
por sacerdotes da morte
cegos, sombrios
e enlamados
Os lobos libertarám
cos seus colmilhos profanos
ao espírito dessas opacidades,
fendas no múltiple movimento
que separam um inconsciente,
umha consciência
e um Deus

Os lobos venhem famentos de vida
atraídos polo abatimento de Homo
Comendo e bebendo,
a carne e o sangue,
salvarám o que lhe reste de alento
e voltarám-no,
refulgente de novo,
para o seu fogar na noite eterna
onde se gestará e será parido
e da que sairá el
outra vez erótico futuro
para alimentar
o lume da criaçom inacabável
Será quando os lobos
voltem a andar e caçar junto aos homes
Quando retorne a alma humana à natureza
para viver a unidade de Gaia
e se funde a sociedade das espécies

Estám famentos, si, os lobos aziveche
que andam pola tua alma negada,
ouveando ao poder vital que resplandece
ao reflectir os raios do si-mesmo
Aparecem coas sombras,
mas venhem detrás
porque venhem de antes
Eles som a mensage da noite selvage
que se advém
e que acurtará as sombras
provocadas polo ego
projetadas sobre as cousas
Devorará os lineamentos
da percepçom e das obras
no próprio mundo de Urizen
Som prelúdio e vento
dumha nova evoluçom,
da nova espécie humana

Os nossos lobos nom se deterám
até que tenham devorado o medo
Iluminará-no até formar
com el um sol de gelo
Ou até que o pánico ferva
liquefazendo o ego desviado,
afastado da nossa natura
E o si-mesmo poda
directamente guiar o ser,
a alma-corpo enteiro,
fazendo que se embeba
radiante
do brilho da noite,
e que os sentidos se transparezam
pola graça da luz
que subjaze a tudo
Ressucitando da orige
ao concreto home cósmico

Escrito do 9 ao 11 de Agosto de 2014

CAMINHO LONGO FINAL / PRESAUSENCIA Ad Hoc


Caminho Longo Final. Vídeo sobre improvisación musical a cargo do grupo de acción poética Ad Hoc (Pedro Lamas, Ramón Cruces, Antonio Rivas, Roque Mosquera e Lois G. Magariños) e texto de Neira Vilas realizada na Filloaldea de O Tremo, Brión, Febreiro de 2010.


Presausencia. Vídeo-improvisación realizada en Caldas de Reis coa colaboración do bailador Xosé Candal e improvisación musical a cargo de Ad Hoc para o filocafé Presencias, Esencias, Ausencias celebrado en Rois no ano 2006.

LUÍS PIMENTEL Claudio Rodríguez Fer

Videopoema manuscrito “Luís Pimentel” (1990)

 

Lémbraste, amigo Luís, de Lugo libre
antes do espanto sobre a lama?
Entraba a mañá pola túa praza
e a lúa abandonaba os bancos da alameda.
Dende a fiestra acristalada
vías levitar a túa cidade
no espello que levaban os obreiros.
Baixabas con coidado
por non crebar as sabas da néboa
e lentamente só ti paseabas.
(Lonxe os arrabaldes achegábanse).
A música do palco
poñía luvas brancas ás bandeiras.
Despois viña o solpor:
a hora en que a cidade era paisaxe.
Pola rúa subían as casas en muletas
e as murallas durmían redondas e brandas.
Ti dicías: “Solpores da miña vila,
longos, case eternos.
(Os anos pasan rápidos;
os días, lentos)”.
E Lugo abandonábase á noite
velado polo seu poeta de garda.

Pero unha noite lenta de solpores
desamparaches de versos tanta calma.
E ti que crías que nun pobo pequeno
non había asasinos
comprendiches que a cidade morrera.
Con ninguén podías trocar o teu sorriso
e todos os rostros resultaban forasteiros.
Para ti xamais volverían ser ledas
as bandeiras que sangran anilina.
Os arrabaldes abatidos a balazos
queimaban os últimos farrapos
e os sucos abríanse aos cadáveres
que enchían de metralla as vísceras da terra.
E cada verso que escribías
resultaba ser un suco de bágoas
que se convertía en cuneta.
Lémbraste amigo Luís de Lugo en loito
baixo a sombra fugacísima das balas?

Poeta en nicho
cruzaches aínda a ponte do terror
e houbo máis palabras para os teus versos.
(Ti sabías que a cidade morrera).
Seguramente un día
saudaches os meus pais
no parque ou na alameda
e dixéchesme algo
porque eu xa cumprira un ano
e mantiña implacable a ledicia.
Pero ti sabías como ninguén
que os nenos tamén morren
que existen nenos solitarios e tristes
estraños nenos
que coñecen a morte.
Prematuramente desvelado
eu nunca esquecín a túa canción
para que un neno non durma.
(Nos arrabaldes xa non quedaban nenos).
Lémbraste amigo Luís de tanta sombra
sen luces pola brétema de Lugo?

 

Composición de *Lugo blues* (1987)

AUTOPOIESIS INTEGRAL Roi Ferreiro

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MENINOS DA NOITE TRAS A PORTA

MENINOS DA NOITE TRAS A PORTA. ROI FERREIRO

CANTO A MIM MESMO, MENTRES…

escrevo apoiado numha mesa de soidade,
fazendo da minha prisom umha ocasiom de autolibertaçom
com lóstregos. Berros fundem ruído e silêncio
conto que vivo nas minhas encruzilhadas
atravesando-as mentres interminavelmente se refam
em lugar de alimentar os rios delirantes que vam cheos de bágoas
olho-me umha e outra vez no espelho da infáncia, nunca esquecida
já que tudo o que me rodea o sinto insignificante e elusivo
ainda se me fala coas cores da beleza e com vontade de luitar
vam versos livres, mentres vou e veño desde o meu adentro,
em continua pugna cos conceitos do mundo, do eu, da arte
tentando umha poesia que comprehenda a existência humana concreta
as hervas do amor e do saber crescem espessas,
ao contrário da ignoráncia crassa que se arrastra polos sonhos,
ora o océano levanta as ondas que enchem a liberdade
a fame comezou dentro de min e será a minha fim
porque nom é umha fame coa que podam acabar êxitos, prémios, laureados
que oferta umha sociedade transtornada, a vida de mercado
mas comemoro sempre os dous peixes do fevreiro
que sempre preludiam as primaveras e as luitas do por-vir
sabendo que finalmente chegarám o seco e o gelo
somos um mundo de tumbas entre a herva e assi finaremos
amor, gozos, nuves húmidas e a escuridade ficarám atrás
a danza, a música, estalidos e susurros já nom importarám
procuro a alquímia dos opostos, obter um cinzento aguzado em cores
permaneço arraizado no silêncio, mentres deixo à mente lançar-se
contra o sofrer que, próprio ou alheo, desde o coraçom vejo injusto
caminho por umha infinitude extrana, pródiga em multitudes,
eternidade vivinte onde ser supóm perder-se
e para saber hai que morrer
canto para mim mesmo, mentres a tormenta se me achega
e com luz e choiva estala regeneradora
sobre a vívida herva baixo os meus pés

— Escrito a finais de Junho de 2014

MOTIVAÇOM E EMOÇOM (ou por que sabem melhor os poetas mortos)

I
Soidade
suja e gris
etéreo muro sobre mim
vazio
sem sentido
dor que contrae
no lado esquerdo
do meu peito
Lume
no meu pensar
calma que incêndia
o silêncio direito
Força
no corpo
tensando fibras
punhos enfrente
A mirada penetra
a matéria morta
dum mundo infértil
pola corrupçom das mentes
Ódio que se seca
destruindo a esperança
no futuro, no incerto
Só capital, tolo desejo de mais
Essa é a paz do cemitério presente
II
Poesia da morte
— Isso produzides
Bela mercadoria
da agonia que apodrece
até dar novo brilho
à miséria que cresce
A criaçom
é selvage
e nom um lamento
ou umha crítica
É umha apertura,
o rachamento do presente
Porque só se vive (no agora)
aquilo que se transforma (efectivamente)

— Escrito em Abril de 2011

MAIS Minux

Este é un poemario, por chamarlle dalgunha maneira, que inaugura unha nova etapa do blog que estaba morto, ULTRAGRÁFICO. É unha reconversión industrial que lle dará como todas unha nova morte non se sabe se doce ou salgada.
Inaugura MAIS  esta nova etapa de- construción/in/out/reconstrución... Ao pior quédase así estancado como quedou dende hai case anos con estes poemiñas ou ao millor hai xente que se anima a participar ou algo e asín expoplanetarium.net abrirá este oco para que outras mentes e desmentes podan aportar ou deportar os seus grans de pólvora e flores secas. Facemos chamamento para que enviedes o que vós prace (textos, imaxes, vídeos, insultos ou o que miredes) a planetarium@expoplanetarium.net
Xa sabemos que todo isto está moi pasado de moda pero como dicía Manuel Fraga pois pasando de modas... Este blog queda a vosa disposición. Iso si temos un poderoso filtro de amor que decidirá quen si ou quen non se visibiliza neste glorioso e histórico espazo que no seu día foi lugar para vídeos desternillantes do tuvo.
E falando de MAIS este primeiro artefacto en ULTRAGRÁFICO de minux contar que foi escrito no tempo que durou a reproducción dunha cinta de cassette con título de "ZINTA DE TEMPOS DE CRISE" de noventa minutos de variedade musical gravada máis de dez anos atrás en intres realmente alterados de conciencia. Serviu así de inspiración para escribir esta pequena obra, entre outros: ELECTROHIPPIES, RATOS DE PORAO, LOS ENEMIGOS, KOJÓN PRIETO Y LOS HUAJALOTES, SONIC YOUTH, THE SONICS, MILLADOIRO, CICATRIZ, SUBTERRANEAN KIDS, ANTÓN REIXA, OBUS, etc etc
Saúde!

VERDE

verde cor da herba
árbores milenarias estenden súas raíces
na terra
miñocas arelan o deserto
sen auga
con sede e cloro.

 

BRASIL

brasil mundial
fútbol global
guerra eterna nas favelas do corazón
represión e morte
turismo – nádegas
mocos e bile
acaparando os sumidoiros
piollo no pelo
pinchar todos os balóns
coiro de merda!

 

PANACEA

panacea
pan de cea
pop
flocos no cine
rañarse as vestiduras
sen xeito
derrochar
estoupidos sen par
nacer nun sitio
defender a rúa
con versos e mamuts.

 

WARHOL IS DEAD

sabedoría popular
warhol is dead
sopas de sobres negros
así artísticos
xa desbotei a cinza
e mergúllome
nas bágoas de risa
procurando osíxeno
para a miña cachola
chea de ruídos de litio.

 

INMEDIATO

inmediato
xa

 

PARABÓLICAS

parabólicas tapan as nubes
e atrapan raios de amor
treboadas con e sen vento
armonizan as orellas
acusadas de alterar
as vibracións acuciantes
de agardar polas confusións
de misturas de augardentes
e chuchameles insertadas
nas flores molladas
en blocos de azucre
ecolóxico o alento
do teu dinosaurio desexo
infectado de delirios.

 

BAILAR

bailar cos ollos pechados
arrecendendo á música
que amplifica os oídos
os pés ondulando as baldosas
que xa están ralladas
das risas dos nosos dentes.

 

ADEMÁIS

ademáis dun atracón
de magdalenas ausentes
e de bágoas petrificadas
bailando ao son da música
tamén soño moitas veces
aínda que sexa mentira
cun atracón naquela caixa
ou neses bancos non de peixes
cargados de cartos
para queimalos nalgunhas igrexas
ou devocións/institucións
de todos os países incluso no meu.

 

OCASO

ai como me doe o cinturón do ocaso
que medo me dá o vaivén
deste tren de vida que pasa e pasa
por estacións nas que ás veces para
e logo me tremen as pernas
pero nunca dou chorado de verdade
só son capaz de botarme baixo a cama
ou laiándome cara a miña irmá
non soporto por veces os treces do calendario
logo xa vou levando os catorces e quinces
a non ser que teña algún esguince.

 

AGORA

agora estou aquí e penso
que os golpes que oio
xa non son propios
senón que están dando
moi forte moi forte
quizais deberíamos devolver
ou trousar polo menos
todas estas infamias e telexornais
infumables, intragables
estou aquí e penso: merda!

 

NON QUERO ROUBAR

non quero roubar
coma ti
só quero andar
lonxe de ti
e voar co vendaval
ata desfacerme no mar
e desfacer o mal de cabeza.

 

IMAXINACIÓN

rápido corro coa miña imaxinación
e flúen fluídos
e corren os narcocorridos
e os narcóticos son aprensivos
de derrotas e pelotas.

 

CANDO ERA NENO

articulos-027cando era neno pensaba
que a primavera era a miña curmá
e dixéronme que ía vir
agora sempre que vén estou
“a tu vera, siempre a la verita tuya…”

 

ESCURIDADE

alí na escuridade palpando as partículas
e vendo resprandores aprendín a bailar
no espazo sideral da alucinación
e a voar na antártida e no
círculo polar ártico da nada.

 

GOLPE A GOLPE

golpe a golpe conto a conto
fun espabilando ata a seguinte morte
da que resucitaba
entre garaxe e garaxe
hai paxes, traxes e vagaxes.

 

UNLLAS

unllas pintadas de cores resprandecentes
guitarras rosas e baterías con brillantina
un grupo de bonecas literalmente
tomadas en sesións fotográficas
simulan

 

SEXO

noites en vela unha vela na noite
unha vela vermella anarcosindicalismo
e comunismo, cousa de borrachos?
straight edge non é cascar ovos
así me movía eu polos escenarios
dun lado ao outro como vampiro
ou bolboreta en lata que non da eta
temo ser agora malinterpretado
case sempre se pensa en sexo…

 

VELOCIDADE

a velocidade das gacelas
a velocidade dos guepardos
a velocidade da conexión a internet
a velocidade do ave
sal de froitas.

 

VENTO MALVA

vento malva
rosa capullo
europa
un fillo teu
glande prepucio
socios listos
neurastenia
de salón
fondo de armario
fascistas no fondo

 

CASTRACIÓN

aquí estou de novo coa miña castración
unha folla de leituga
monifates
e o de sempre tentado
de non caer deitado ao carón
desa mentira xenuína
innecesaria e sentido o óxido
na caixa de tomates pera
que xa chego.

 

MUNDO

perdínme e atopéime
agora procuro non perderme
nunha toupeira
mundo!

 

ESPANTO ABECEDARIO

teño as mans amoradas
con pelos e escamas
cumpro anos cada ano
coma todos e todas
e sáciome cando bebo
ás veces teño apetito
e camiño cun pé diante doutro
digo máis
camiño
deliro e ás veces pinto
o indio e o vaqueiro
leite bebo pero desnatada
senfín nin serafín
anxo da garda non teño
e agardo sentado
polo espanto abecedario.

 

MÚSICA

música introducida en caixiñas
de puros habanos
con arrecendo a marihuana
salta salpicando notas
aos ollos impacientes por
bailar ao son da deusa fortuna.

 

CAMIÑO

camiño pola estación de buses
esquecida estación
con destartalados vehículos longos
onde están señoras con
gaiolas, caixas, bolsas
e entremeses
entre ti e máis eu
hai unha ralla verde
autopista de neón
luz negra
límite e fandango
penso ao carón da bancada
que na máquina expendedora
de refrescos tamén hai auga
trago o cuspe, tremo
sorrío e respiro.

 

AS ESTRELAS

as estrelas pintadas
sobre a cartulina negra
son mentira e verdade á vez
a ela gústalle o viño branco
e as chulas de bacallau
e sorríe e ríe inconmensurable
ata abrir todas as ventás
entra o ar e limpa
a area dos meus dedos
que estaba pegada no meu suor
cheo de virus estupefactos.

“te visitará la muerte” obus
“galicia no país das marabillas” milladoiro

(23/05/14)