AUTOPOIESIS INTEGRAL Roi Ferreiro

Autopoiesis Integral
Na procura da «poesia do futuro» — Neo-romanticismo, anti-capitalismo, psicologia transpersonal, ciberpunk, thrash, D.I.Y. e muito ferro candente…
http://roiferreiro.blogspot.com.es

MENINOS DA NOITE TRAS A PORTA

MENINOS DA NOITE TRAS A PORTA. ROI FERREIRO

CANTO A MIM MESMO, MENTRES…

escrevo apoiado numha mesa de soidade,
fazendo da minha prisom umha ocasiom de autolibertaçom
com lóstregos. Berros fundem ruído e silêncio
conto que vivo nas minhas encruzilhadas
atravesando-as mentres interminavelmente se refam
em lugar de alimentar os rios delirantes que vam cheos de bágoas
olho-me umha e outra vez no espelho da infáncia, nunca esquecida
já que tudo o que me rodea o sinto insignificante e elusivo
ainda se me fala coas cores da beleza e com vontade de luitar
vam versos livres, mentres vou e veño desde o meu adentro,
em continua pugna cos conceitos do mundo, do eu, da arte
tentando umha poesia que comprehenda a existência humana concreta
as hervas do amor e do saber crescem espessas,
ao contrário da ignoráncia crassa que se arrastra polos sonhos,
ora o océano levanta as ondas que enchem a liberdade
a fame comezou dentro de min e será a minha fim
porque nom é umha fame coa que podam acabar êxitos, prémios, laureados
que oferta umha sociedade transtornada, a vida de mercado
mas comemoro sempre os dous peixes do fevreiro
que sempre preludiam as primaveras e as luitas do por-vir
sabendo que finalmente chegarám o seco e o gelo
somos um mundo de tumbas entre a herva e assi finaremos
amor, gozos, nuves húmidas e a escuridade ficarám atrás
a danza, a música, estalidos e susurros já nom importarám
procuro a alquímia dos opostos, obter um cinzento aguzado em cores
permaneço arraizado no silêncio, mentres deixo à mente lançar-se
contra o sofrer que, próprio ou alheo, desde o coraçom vejo injusto
caminho por umha infinitude extrana, pródiga em multitudes,
eternidade vivinte onde ser supóm perder-se
e para saber hai que morrer
canto para mim mesmo, mentres a tormenta se me achega
e com luz e choiva estala regeneradora
sobre a vívida herva baixo os meus pés

— Escrito a finais de Junho de 2014

MOTIVAÇOM E EMOÇOM (ou por que sabem melhor os poetas mortos)

I
Soidade
suja e gris
etéreo muro sobre mim
vazio
sem sentido
dor que contrae
no lado esquerdo
do meu peito
Lume
no meu pensar
calma que incêndia
o silêncio direito
Força
no corpo
tensando fibras
punhos enfrente
A mirada penetra
a matéria morta
dum mundo infértil
pola corrupçom das mentes
Ódio que se seca
destruindo a esperança
no futuro, no incerto
Só capital, tolo desejo de mais
Essa é a paz do cemitério presente
II
Poesia da morte
— Isso produzides
Bela mercadoria
da agonia que apodrece
até dar novo brilho
à miséria que cresce
A criaçom
é selvage
e nom um lamento
ou umha crítica
É umha apertura,
o rachamento do presente
Porque só se vive (no agora)
aquilo que se transforma (efectivamente)

— Escrito em Abril de 2011

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