O CAMINHO DE LUGH – O CAMINHO DE HORUS Artur Alonso

Nada a dizer. Nada a ensinar. A verdade é tão evidente por si, tão obvia, que toda e qualquer explicação somente servirá para obscurecer essa mesma verdade”

(W.Wats – em “O Budismo Zen”)

 

Um dia comprendí: “A sabedoria traz prudência, o amor fraternidade. Afastando de nosso coração os medos que ainda o perturbam, podemos iniciar o abandono de toda animalidade“… E escrevendo esta frase se me deu por pensar que… Existe o ciclo, aquele no qual pela morte se rejuvenesce na vida. Existe a vida que surge, resurge após a morte. Existe o caminho e existem, como fala o ditado romeno “as pedras”; “pois as pedras também são parte desse caminho e desta cíclica caminhada”. Existe o desvio, individual e coletivo. Quando o coletivo aprofundar e a lei natural começar a dengenerar-se em favor da voragem insaciável dos homens e seus egos, surge então, chamado pelo universal ciclo de reintegração aquele que caminha por cima das águas, aquele que pode elevar-se pelo ar, para ver acima dos mundanos aconteceres. Aquele que prega sua paz no grande deserto estéril das almas já pelo sonho corrompidas, adormecentes.

Diz Khrisa a Arjuna, no Bagavad Gita: “Todas as vezes, ó filho de Bhârata! – que Dharma declina, e Adharma se levanta, Eu me manifesto para a salvação dos bons e destruição dos maus. Para restabelecimento da Lei, Eu nasço em cada Yuga” – Sendo Dharma a lei e Adharma seu oposto, sendo Yuga a Era ou ciclo… E existem ciclos maiores e ciclos menores, e ciclos dentro de ciclos. E existe o ritmo e existe a frequência. E existe a vida dentro da vida, e a morte, no seio da espiral que nasce, cresce e se fortalece. Tudo tem seu inicio, tudo seu fim aparente e sua reciclagem neste plano das correções cabalísticas, também chamado físico…

Lugh, sendo Samildanach, é o mercurial homem perfeito. Aquele que pode e deve ser exemplo para regeneração dum povo cegado na noite profunda das trevas. Ele está agora a retornar, pois a Galiza precisa suas vestes. Ele com a destra mão ensinar-nos de novo há a vivificar, dentro, o ouro da racional consciência que traz a mente tão emocional, irrequieta, a ansiada calma e sossego. Deves, pois, lembrar que tua mente sempre mente: eis sua precaria natureza. Lugh na esquerda mão ensina a joia de prata da emoção e sensibilidade, viciadas na etérea esfera dos que se deixam arrastar pelas paixões que os instintos despertam. Nas verdadeiras bodas da exuberância, o homem que aspira atingir o verdadeiro livre amor, deve de Lugh compreender, como apaziguando o apaixonado coração tranquilizada fica a astuciosa mente. Sendo que ai, no meio do peito, a união verdadeira pode realizar-se com a alquímica fusão do emocional fundido na ração verdadeiramente ética. Um novo caminho então poderá, este povo novamente iniciar: onde a intuição já não vai precisar de comparar continuamente o que deve ou não ser feito. Ele, Lugh, guiará teu caminhar já em contanto eterno com as estrelas. Permanentemente.

Criaste assim dentro de ti o ser universal que voa por cima das nuves rarefeitas, como águia livre que pode antecipar da terra qualquer movimento.

Lugh, o dos “três rostos” sabes que contem em seu seio também as três hipóstases imensas: O Pai, a Mãe, o Filho, em comunião – Sendo de ele a tríplice coroa aureamente bela. Assim como um primeiro impulso de vontade para o gelo animar, um segundo de sabedoria no amor para aquecer a mônada no seu desiderio, um terceiro para realizar-se ao fim. No mundo das causas, no meio está a lei finalmente provando na areia seus efeitos.

Tenta esta tríplice chama não apagar, senão quiseres perder para sempre teu caminho reto: no seio da mãe o círculo de contenção, no meio o pau que sustenta a abóbada ou teto celeste; juntos tens a palhoça onde os filhos dormem e refúgio sempre há para que a fraternidade acrescenta…

Na sociedade humana deveras equilibrar a função espiritual – sacerdotal, a função guerreira – transformadora pela vontade das negras humanas inércias; assim como a função artesanal no espírito criativo a desenvolver o belo por gratidão ao universo.

O amor tudo embelece. Dai em equilibro os três poderes poderão projetar, na vida dos seres, a estrutura da sociedade ética…

Lugh sempre pode ser útil para ajudar a criar os alicerces, por isso não deves tua porta fechar quando convidada já foi tua alma a abrir-se por dentro: seu caminho é o da luz, o sol interior que sempre acende. O astro inicial, o zero no astro, o Zero-Astro para melhor falar, meu bem, num povo agora ressurecto. Qualquer um, que deixe de viver na pequena ilusão, pode entender que tem nesses ouvidos a Palavra de Valor sua coragem sempre preste, sempre na boca a voz perfeita.

Horus, filho da virgem Isis, de Lugh, Krisnha ou Mitra outro gémeo irmão – outro guia a maiores para iniciar aquele caminho estelar, que pode levar nosso povo atingir o campo das estrelas. Antes de no promontório elevado local, nossa alma ter de render no tunel luminoso seu derradeiro amén eterno (quando no por do sol esta porta se abrir, na ida e a volta já plenas). Vive tua realização miraculosamente.

Se a roda da retorno puderes quebrar (trás uma vida continua e virtuosa) da qual Rumi, no Masnavi nos veio antecipar, teu novo reino será aquele dos Anjos Alegres… Caminha não deixes de caminhar, lembra o exemplo de Lugh, a luta daquele que a si mesmo se vence: a exemplo de Horus mesmo.

Horus a 25 de Dezembro também nasceu, marcando o começo duma Nova Era. Outra Nova Era está hoje a alvorecer, na que todos os seres, povos, serão em abraço fraterno libertos.

Não sejas parte da escuridão, quebra tua dual interior luta cega: nada existe que da natureza te possa separar, se tens o espírito apaziguado do rancor, do ódio, remorsos, feridas por curar, ânsias de reclamar, ignorância imensa…

Assim quando o falcão te incitar, senão te renovas na mágica flor não poderás voar na tua alma por dentro: o lis do gaulês brasão dela é um simbolo perpétuo. Lembra que Horus porta o disco Solar, de Ouro, na sua testa…

Horus com a amarelada cor da serenidade espiritual, com a azul da serenidade anímica, com a verde da vitalização – sintetizadas no Clarão virginal , daquele que traspassou o portão lumínico.

Horus com doze anos tomou instrução no Templo da palavra eterna. Com trinta anos batizado foi, a beira do rio Eridanos, por Anup o purificador da original mácua terrestre. Com doze discípulos predicou. Tentado por Set o filho da Grande Escuridão, no deserto de Amenta. Ali a seus infernos teve de descer e vencer todos seus medos, grandes e férreos apegos (aquele que dessa viagem regressar fica livre de toda vanal inércia, ira, vileza).

Horus depois pode realizar o grande sermão na Montanha Hetep, onde as multidões puderam escutar aquele que se tornara, por seu próprio esforço, Iluminado Mestre.

Horus que crucificado morreu no meio de dous ladroes, aos quais ele amou também profundamente, como amava a todo humano ser, a todos os seres vivos deste planeta.

Horus que o terceiro dia ressuscitou na cidade de Anu. Escuta sua palavra é a tua mesma, que nasce por detrás da tua voz, criada pelo enganoso ego. Compartilhas com Horus, Lugh, do amor solar a mais pura essência.

O escrivã Aun, sua encarrega recebeu para levar pelo mundo a palavra que sempre é certa. Não desesperes, por isso ou aquilo amor, Lugh – Horus amostram o caminho belo. O Buda, Cristo, falam sua mesma língua. Maitreya está a se materializar, tem amor um bocadinho de paciência e não te esqueças de perdoar aos teus inimigos como a ti mesmo.

Se conseguires o labirinto escuro ultraspassar, serás bem-aventurado na luz da verdade sempre imensa. Um ungido te tornarás. Se ainda no conseguiste, paciência…

– Que dizes?… Que queres saber como esta negra sombra ao chão deitar ?

  • Escuta atentamente: segue o caminho de Lugh, segue a senda do bem-aventurado na terra. Forma parte do que ainda está por se realizar, não permitas que teu ódio, tua culpa e negatividade contaminem tua a mente.
  • E lembra, lembra sempre: a mente mente.

Deixa teu espírito te guiar, fala com ele na solidão de teu Horus neste deserto…

Areia atiram a teus olhos sem tu saber… Limpa da tua face esse véu carregado pelo medo.

Vibra na frequência de Lugh, voa como falção destas pesadas cadeias para semrpe Liberto!

MÉXICO-OURENSE Rafa Becerra

a Alfonso Rodríguez, poeta

Que ten que ver
o deserto do ardente México
e unha carballeira da Galiza
baixo o peso da néboa

que ten que ver a soidade
coa soidade
os grans de area
coas follas dos castiñeiros

ten que ver
segundo os ollos de quen mira
de quen aprisiona os soños no infinito
e se atopa co deserto ou o bosque

e intimidado e acovardado
pregúntase que fai naqueles lares
onde os berros non se oen
e non hai ecos que os devolvan

A CAMINHO DUM NOVO PARADIGMA, PARA UMA NOVA HUMANIDADE Artur Alonso

Em 1900 o físico alemão Max Planck introduziu a ideia de que a energia era quantizada; anteriormente em 1838 Gustav Faraday tinha feito a descoberta dos Raios Catódicos. Em 1860 Gustav Kirchhoff, introduz o conceito de Corpo Negro. Já em 1905, Einstein demonstrou que toda a radiação eletromagnética, pode ser dividida num número finito de energia, que denominou “quanta de energia”. Depois em 1926 Gilbert N. Lewis, chamaria estes “quanta de energia” de fotons. Dous anos antes em 1924 Louis-Victor de Broglie apresentara sua teoria de ondas de matéria, fazendo perceber ao mundo que as partículas podem exibir características de onda e vice-versa. Assim é como em 1925 nasce a ideia da mecânica quântica, quando Werner Heisenberg e Max Born (baseados na aproximação de Broglie) desenvolverão a mecânica matricial que, junto com a visão de Erwin Schrödinger, sobre a mecânica de ondas, iniciará a virada de século e de paradigma na física.

Em 1933 às margens do Lago Maggiore, próximo a Ascona, na Suíça, Olga Froebe-Kapteyn funda o Grupo Eranos; abrindo à porta a interação já consciente entre ciência – espiritualidade. Entre os participantes do grupo figuravam pessoalidades tão destacadas como: o eminente teólogo alemão Rudolf Otto, especialista em religiões comparadas; Gilbert Durand, conhecido pelos seus influentes trabalhos sobre Imaginário e Mitologia; James Hillman psicologo analítico, conferencista de fama internacional; D. T. Suzuki, famoso autor japonês de livros sobre budismo (ajudou a introduzir em Ocidente o conhecimento de disciplinas como o Zen); o engenheiro elétrico Max Knoll: os famosos físicos quânticos Rudolf Alexander Schrödinger, Niels Borh e Wolfgang Ernst Paul; os biologos Jacob Johann von Uexkül e Adolf Portmann; assim como diversos especialistas de reconhecido prestigio tais como Mircea Eliade, Heinrich Robert Zimmer, Joseph John Campbell, Erich Neumann e o famoso psicoanalsita Carl Jung (um dos grandes promotores destes encontros), entre outros… Ajudaram a mudar nosso visão da realidade. 
Este grupo reuniu-se durante 70 anos, em reuniões regulares, efetuadas 1 vez por ano; durante as quais, em períodos de 8 horas diárias, cada pensador dispunha de 2 horas para suas palestras. Pudendo agora afirmar que graças a esta iniciativa, muitas das vanguardas atuais, que visam aprofundar os caminhos de confraternização global (não somente entre ciência, humanidade e espiritualidade) senão também entre culturas e povos, beberam direta ou indiretamente desta inesgotável fonte que foi Eranos.

Alberto Filipe Araújo, no seu texto: “Jung e o tempo de Eranos. Do sentido espiritual e pedagógico do Círculo de Eranos”, afirma: “…Vários conferencistas, vindos dos quatro cantos do mundo, partilhavam à volta de uma mesa as suas ideias de acordo com o tema proposto. Por outras palavras, cada participante coloca as suas visões interiores, sob uma forma filosófica ou científica, à disposição de todos os participantes com a condição de que o seu contributo seja simultaneamente imaginativo, criador e rigoroso.” (Revista @mbienteeducação. 94-112, jan/jun, 2013/04). Não é pois de estranhar que em grego Eranos, signifique comida em comum, celebração compartilhada, onde cada um achega sua parte.

Este novo caminho de confluência Ciência – Espiritualidade, ainda que agora nos torne um bocadinho mais céticos, de início; pode, no entanto auxiliar aos individiduos e sociedades dotando-os de novas ferramentas, que permitam com maior acerto, enfrentar, como humanidade global os novos desafios e provações que o futuro e o próprio presente nos está a deparar já, embrulhado na aparência de varias crises isoladas (económica, energética, ecológica, politica, social, cultural…), que bem analisadas partem de um mesmo fio comum: a crise sistémica de um velho modelo já inadequado para ultrapassar novos e mais pujantes desafios planetários.

Podemos inferir do pensamento de unidade ciência – esperitualidade, que ficam pela teoria quântica, abertos campos que podem desvelar novas possibilidades, nas quais mesmo a consciência, nos permitiria criar uma nova realidade. Já, hoje em dia, muitas pessoas não somente acreditam em este axioma; senão que na prática tentam mudar suas vidas, suas rotinas, tendências, círculos viciados, repetição de caminhadas… Mudando precisamente suas consciências (mesmo permitindo a expansão dessa consciência à procura de novas dimensões). E muitas afirmam mesmo que as positivas mudanças que obtiveram, seriam impossíveis, sem essa mudança de consciência. Há mesmo científicos a concordar, que essas mudanças efetuadas no nível anímico – psicológico, levariam também a profundas transformações bioquímicas no nosso cérebro; acrescentando a ideia de uma maior unidade, nos processos processos da vida; tal como pensa o Dr. Jeffrey Satinover.

Esta conceção nova da realidade, tem também empolgado a inovação terapêutica e campos como o Reiki, Ioga, Meditação… Que anteriormente foram indevidamente associados a “efeito placebo”, agora começam a ser inseridos, dentro de diferentes terapias, que mesmo abrangem a docencia ou a pratica hospitalar. Pelo qual devemos começar a pensar a serio, em esta mudança do paradigma social dominante, nascido no século das luces e muito associado, ao ate agora, entendido como racional. Sabendo que velhos paradigmas, que foram fundamentais na sua época para gerar um avanço evolutivo na humanidade, puderam agora chegar a entorpecer o mesmo ao ficar já velhos e desgastados, pelo avanço do tempo e, as inércias próprias dos ciclos naturais de renovação.

Para o físico indiano Amit Goswami “a consciência é a base de tudo”. Ele afirma ser a consciência, e não a matéria, a base de tudo quanto vemos, percebemos e observamos. Nós, então, podemos criar nossa realidade, dependendo das escolhas que façamos na nossa vida. Sabendo que existem diversas possibilidades, dentro das nossas potencialidades. Como assegura o próprio Goswami : “A consciência diz que o mundo é cheio de possibilidades e que nós temos liberdade de escolha. Se nós aprendermos a escolher com criatividade, acessando esta interconectividade não-local que cada um de nós tem, que é um estado de consciência não-local, se nós aprendermos a dar um salto do nosso ego individual para essa interconectividade não-local, então nós podemos acessar essas ideias de criatividade e mudar as nossas vidas. Assim, se acessarmos esse estado, seremos mais responsáveis pelas nossas ações. E quando assumimos essa responsabilidade, podemos enfrentar todos os problemas que vêm perseguindo-nos. Então “escolha” e “responsabilidade” são as palavras chaves desta nova ciência. Neste sentido, a nova ciência nos ensina a exercitar a criatividade.”

Novos avanços científicos tecnológicos, podem estar a obrigar-nos já a essa mudança; que não entanto não poderá ser possível, sem antes mudar nossa psicologia atual de competência pelos recursos (entre contrários ou inimigos), pela nova psicologia de colaboração e compreensão (entre completares e amigos).

Demonstrado está, também e, fica patente em diferentes estudos que o imaginário coletivo interage no imaginário individual e o mesmo individuo tira muitas vezes suas ideias, desse imaginário. Sabendo também da função que exerce o poder no controlo de esse imaginário coletivo, através de todos os seus meios ao alcance, desde os meios de de comunicação, aos doutrinamentos escolares, o seio familiar, o mundo laboral, etc… Acreditamos que somente plantando pequenas sementes de renovação e encorajando a libertação pessoal e coletiva , poderemos num futuro ver brotar a árvore da renascença.

Estas sementes tendem a avançar da Materialidade à consciência psíquica – dai elevar-nos – à Consciência iluminada da personalidade individual (morte do egoismo, esse entendemos nós foi o verdadeiro sacrificio do Cristo, na cruz – a morte do eu inferior, o ego material apegado a dominação, a imposição, viçado em cumprir os caprichos, paixoes, desejos de controlo…   Para alcançar o Eu Superior: ultrapassando essencialmente ess medo à morte).

A cruz mística sempre como símbolo da união da vertical e a horizontal (aparece em diversas culturas, como na nossa celta): Na horizontal o homem cresce pela racionalidade material, na vertical o homem ascende a intuição pura espiritual.

Na horizontal, a delimitação necessária a definição para tornar compressíveis as partes do todo (delimitar: dar limites; definir: tornar finito). Na vertical de novo a união com o todo, através da compreensão das suas partes. Experiência direita da realidade, através da intuição pura, deixando que o todo inunde o ser, deixando que nosso ser se inunde no todo…

Dai saber necessário razão e intuição serem complementarias. E um dos grandes trabalhos do nosso iniciado século, será esse: aprender a conciliar razão e intuição. Aprender a confraternizar fusionar, também, emoções (coração) e mente (cabeça).

Dai elevar-nos (atravesando o abismo do medo, com a força interior, vontande e coragem integradas, por meio da impassível perserverança) para – alcançar a essência comum (a União do Todo no Uno). Chegando a compreender que o que nos une como humanidade é mais forte, enraizado (raiz comum) que o que nos separa: divisão aparente (fomentada pela discórdia e a guerra). Sendo a união a raiz da árvore da vida e a divisão: as folhas (latejante no símbolo universal e cabalistico da “árvore da vida”).

Do mundo material – elevar-nos ao mundo moral – deste ao mundo intelectual. O intelecto é essencialmente a concretização da intuição a da compreensão.

Chegado aquí o discurso, faremos nossa a frase de Hernri Durville, na dedicatória do seu livro: “A Ciência Secreta” e dedicamos também este texto: “A todos aqueles que têm sede de ideal, que sonham com a Justiça, a Liberdade moral, a Fraternidade…” pois eles certamente foram os que hoje se achegaram a esta leitura (nada é por acaso). Mas advertimos, como também advertiu em seu préfacio o próprio Durville, aqueles que por acaso procuram encontrar em este saber e conhecimento: “o meio de saciar as suas paixões, ódios, amores, ambições, rancores; que procuram o ganho material; desgraçados que tem sofrido e não tem sabido perdoar, que este pequeno e humilde texto, não escrito para eles. Este tipo de atos, são atos de amor e de altruísmo”. Dados a quem compartilham estes nobres ideais.

Acrescentamos também que pela contra aqueles que tens sofrido longamente e que querem sair do tormento, caminhar ousadamente pela senda do amor, para encontrar a Serenidade, a Felicidade e a Paz Interior, realmente estão no local apropriado.

Mas de novo desafiamos aqueles que ainda não preparam seu coração para o amor, a tomar outro caminho, lembrando de novo as palavras de Hernri Durville quando, no mesmo, escrito advertia: “Procuras o ganho material? Não será aqui que tu o encontrarás; este é um estudo desinteressado, uma tentativa mais de dar a todos a felicidade, que vem da paz da alma e do bem feito em torno de si. Nele não se encontra nenhuma idéia cúpida.

Simples curioso, e tu, ambicioso, que acreditas ter nascido para seres o conquistador do mundo, este escrito não é para vós, para os vossos corações presos ao tumulto das paixões vãs que esta obra não foi feita… No estado atual da vossa perturbação, não compreendereis esta obra . Não falamos a mesma linguagem e os propósitos que escolhemos não fariam desaparecer a barreira que nos separa. Não procureis levantar o véu (da sabedoria) antes de terdes mudado os vossos desejos.

Daqui até lá, vosso dia ainda não é chegado; não saberíeis ainda ver nestas páginas a ternura e a alegria que quisemos expressar.”

Sirva pois este trabalho entusiasta, como um pequeno inicio, para na medida da sua humilde projeção, abrir a alma dos leitores à procura desse novo modelo de participação coletiva nas decisões e colaboração ética baseada na lealdade, honorabilidade e transparência; necessárias para criar confiança entre todas as diversas culturas globais.

ERRODIARIO minux

Erro, lapsus, fallo, falla… fenda
escapada, fuga, alborada.
Dixéronnos que os galos cantaban
polas mañás, dixéronnos non sei que do medo
mais os galos cantan a todas horas
igual que os cans que cantan ás veces
con medo… os páxaros ladran tamén
ladran os páxaros engaiolados nesa tenda
baixo a alameda.
Un día lancei a dous páxaros coa súa
gaiola encomendada ao chan dunha terraza
e ou ben voaron ou ben morreron.
Non soportaba que estiveran pechados e
despois o que estivo dentro da gaiola
fun eu pero iso xa pasou e agora como
pinchos de tortilla e bebo cervexa sen alcohol.
Liña de fuga que non se disolva no nariz
eu de neno saboreaba peta zetas.
Montaña, alborada, río, sementes
auga pura, auga envelenada.
Plásticos na lama, papeis na beirarrúa
camiño oscilando na mente.
Ti acompáñasme na viaxe celeste
ás veces non…
melancolía do tabaco entumecido
sospirando amianto
hiperactividade, hiperventilación… pasos.
Auga regadeira pasa pola miña alma
pechado no círculo que ten currunchos con espiños
a culpa das laranxas debe ser maior
que a fibra
eu visito poucos lugares
pola gorxa morre o rei… ás veces as autopistas
do internet van cada vez a máis velocidade
non leo tan rápido a Deleuze. En Bueu
leo máis. Mar calmo, que chova quinindiola
ás veces son autista e penso como na
praia da Lanzada hai morea de xente
camiñando dun extremo a outro da praia
procurando morenos e morenas? Despois
hai rapaces que pescan polbos e tamén
hai polbos na toalla.
Os políticos non tiran a toalla porque
non hai quen lles rompa o nariz. O rapaz
que se atreveu a darlle unha hostia ao Rajoy
mandárono para un centro de menores, aquí
en Ourense e iso que era familiar. Familias
hai moitas. Todos iguais, todos diferentes dí
o lema mais a lama de todos parte dos
mesmos lodos ou era dos mesmos polbos?
Inquisición, parisién, fútbol, catequese.
O colexio máis horripilante do mundo.
O meu avó estivo tres anos no cárcere nesa
época infame que aínda non se vomitou ata
quedar medianamente ben. Herdanzas, rodas,
xílgaros.
Moito trauma. Agora mesmo estou estirándome
e estrálanme todas as vértebras do corpo.
Eu teño vértebras ata na pixa.
A rúa onde vivimos lémbrame á canción
de Silvio Rodríguez, esa que dí: “Viva el
harapo, señor y la mesa sin mantel. Viva
y que huela a callejuela, a palabrota y
taller.
Nesta rúa e neste barrio hai xente de todas
as cores e ata se falan distintos idiomas
pero non me chega, gustaríame que fora moito,
moito máis. Que compensaran polo menos á
toda a xente maior autótona que vexo por todos os lados.
Aínda que agora que o penso eu tamén debo ser maior.
Algas o pelo do pé
craváchesme as tenazas
no buraco da uña
pero foi sen querer
durmiches coas gatas
e un menda tamén
choveu toda a noite
nevou en Maceda
nevou en Compostela
e estamos na primavera
andas na lama
eu en distintas prisións
entrullado de raíces
entrullado de ósos
cos músculos aletargados
co miolo amorado
a pel fría e dopada
non penetra nela ren
mais dela non sae tampouco nada
só mancho os dedos
ás veces de pintura
ás veces de verniz
imos expoñer
vóume expoñer con medo
a gorxa rota
polos xeados
río pequeno
no que collen benxamíns
cágados, algas
visóns, caranguexos americanos
quizais lontras
vimos unha o ano pasado
patos a mansalva
merlas, paporroibos
lavandeiras brancas e amarelas
e ata o martiño pescador
co seu brillo azul
vimos voar
garzas, corvos mariños
gaivotas que non son do pp
río pequeno
cheo de latas, plástico,
papeis, verquidos de todo tipo.
Pneumáticos, bidóns,
valados, ladrillos,
ferranchadas de todo tipo
río que andas na cidade
e non te podes alonxar dela
soportas o insoportable
pero das vida plena
eu mírote con mirada extraviada
con ollo birollo e sorrío.
Motor ruído de fondo
banda sonora da rúa
permanezo quedo
asténico
mais cos dedos pegoñentos
non de seme nin de semente
senón de pintura
sintética pintura que dana
a lingua-bolboreta
pintura negra de loito
lingua de loito
loito nas veas e nas carreteiras
e nas rochas do mar
o mar que está máis alá.
Hoxe unha lavandeira
colleu co seu pico pole das árbores
para un niño
e naceron patiños
facían carreiras polo río
e a barba vaime minguando
como a lúa que medra
e a lingua que pica
pica alabastros
mancho o diario e a caneta vermella
pinto cadros vila morena
e semella que chove acobardado
todo o diario está subxectivado
e envasado no pasado que verte
con substancias e é teu o meu embigo de visón
algas na mesa
a modo de mostrario
devecen por ser penduradas no fume
o fume de primavera de toxos
carreiras nas medias de calzedonia
non verás
carreiras no medio da calzada de motos
si
e a auga da baixada non é auga da traída
a auga ten cloro e sulfitos e sulfatos
eu teño co psiquiatra o sete
xa van tres veces que me cambian a data
quérolle pedir un favor
quero menos xalea real
paso de monarquías
eu quero ser zángana
sen garavata nin camisola de forza
procuraba fotos de revistas
que foran gráficas e porno
ou sexa pornográficas
só para recortar en saudade
nin en pelos púbicos
si quero escoitar esa auga
que cae chovendo contra o asfalto
diseminando burbullas polos sumidoiros.
Aquel día o cosmos
pegou no río
e caeron estreliñas
coa súa luz
na superficie da auga
escura
as lápidas ás veces brillan
e a vida nas rás das charcas
tamén
vin un cágado nunha tomba
en San Pedro de rochas
estaba quedo mais a súa cabeza
ía moi rápido
alí se reflexaban ás árbores
autótonas que se ancoraron no outono
o chan cheo de follas secas
as pedras na auga
e aquí e agora segue a chover
debe haber fútbol ou houbo fútbol
ou haberá fútbol
e sigo manchando o diario
diario de ex-fumador que voltou fumar
diario de ex-okupa… voltará okupar?
diario de ex-pontino… ?
akelarre para os teus ollos
de apátrida invencible.
Calquera sae á rúa!
non trouxen chuvasqueiro
e a pelo non o quero
polas mans cheas de pintura
de pintura negra de loito
de loito senil
abafante adoito mergullarme
en obsesións tipo redes sociais
por que os asociais teñen facebook?
ou temos, xa non sei
resulta contraditorio
ao final resulta que odiamos tanto
e aí andamos procurando aloumiños
sigo manchando o diario
diario de século vinteún
entre os ríos dunha cidade de provincias
que non son as vascongadas…
unha vez fomos a esas provincias
e vimos realmente a moita garda civil
parando carros e furgonetas
por se aparecía alguén da eta
ou por tocar as bolas sería tamén.
Ían cargados ata os dentes
daba algo de medo, a verdade
polo demais ben, moi curriño todo
e segue a chover e xa non sei que hora é?
pica a lingua e non comín peta zetas.
Os vídeos que gravo
son tremendos polo que tremo
entran nos meus ollos
os desexos de ollar
baleiros e enchidos
vermellos e verdes
fauna e flora
e ata o cemento e a xente
expóñome a taquicardias
e ataques ao corazón
por toda a ilusión que
me provoca a vida
que sempre está acompañada
da morte
porque a vida doe, pica,
ás veces espanta e ata delira
entón dase a volta á moeda
e cáeche enriba
someténdote con medo
parálise física e mental
tes que facer moita forza
para alonxar ese peso
e cando o consegues
xa non tes présa por vivir
xa camiñas arrastrado
ollando cara os lados
mirando sempre ao carón
non vaia ser que apareza
a morte outra vez
e non queres vivir
tampouco morrer
queres adecuarte a un molde
quizais non moverte demasiado
para que non che caia un raio
e así van pasando días, semanas,
e algún que outro mes, si
para de novo comezar a vivir
e vives, minguas, estiras, berras, ris
unha boa tempada
aínda non aprendiches
técnicas zen para florecer
acadar a paz e o pracer
de seguir ben mes a mes
és un pobre aprendiz
ignorante da sabiduría inxente
e necesaria para subir á montaña
ou mergullar no mar sen afogar
que lle imos facer, imos parar
non nos imos laiar porque
deseguida tildaránnos de algo, verás.

Blogo máis alá do que imaxinas!