A CAMINHO DUM NOVO PARADIGMA, PARA UMA NOVA HUMANIDADE Artur Alonso

Em 1900 o físico alemão Max Planck introduziu a ideia de que a energia era quantizada; anteriormente em 1838 Gustav Faraday tinha feito a descoberta dos Raios Catódicos. Em 1860 Gustav Kirchhoff, introduz o conceito de Corpo Negro. Já em 1905, Einstein demonstrou que toda a radiação eletromagnética, pode ser dividida num número finito de energia, que denominou “quanta de energia”. Depois em 1926 Gilbert N. Lewis, chamaria estes “quanta de energia” de fotons. Dous anos antes em 1924 Louis-Victor de Broglie apresentara sua teoria de ondas de matéria, fazendo perceber ao mundo que as partículas podem exibir características de onda e vice-versa. Assim é como em 1925 nasce a ideia da mecânica quântica, quando Werner Heisenberg e Max Born (baseados na aproximação de Broglie) desenvolverão a mecânica matricial que, junto com a visão de Erwin Schrödinger, sobre a mecânica de ondas, iniciará a virada de século e de paradigma na física.

Em 1933 às margens do Lago Maggiore, próximo a Ascona, na Suíça, Olga Froebe-Kapteyn funda o Grupo Eranos; abrindo à porta a interação já consciente entre ciência – espiritualidade. Entre os participantes do grupo figuravam pessoalidades tão destacadas como: o eminente teólogo alemão Rudolf Otto, especialista em religiões comparadas; Gilbert Durand, conhecido pelos seus influentes trabalhos sobre Imaginário e Mitologia; James Hillman psicologo analítico, conferencista de fama internacional; D. T. Suzuki, famoso autor japonês de livros sobre budismo (ajudou a introduzir em Ocidente o conhecimento de disciplinas como o Zen); o engenheiro elétrico Max Knoll: os famosos físicos quânticos Rudolf Alexander Schrödinger, Niels Borh e Wolfgang Ernst Paul; os biologos Jacob Johann von Uexkül e Adolf Portmann; assim como diversos especialistas de reconhecido prestigio tais como Mircea Eliade, Heinrich Robert Zimmer, Joseph John Campbell, Erich Neumann e o famoso psicoanalsita Carl Jung (um dos grandes promotores destes encontros), entre outros… Ajudaram a mudar nosso visão da realidade. 
Este grupo reuniu-se durante 70 anos, em reuniões regulares, efetuadas 1 vez por ano; durante as quais, em períodos de 8 horas diárias, cada pensador dispunha de 2 horas para suas palestras. Pudendo agora afirmar que graças a esta iniciativa, muitas das vanguardas atuais, que visam aprofundar os caminhos de confraternização global (não somente entre ciência, humanidade e espiritualidade) senão também entre culturas e povos, beberam direta ou indiretamente desta inesgotável fonte que foi Eranos.

Alberto Filipe Araújo, no seu texto: “Jung e o tempo de Eranos. Do sentido espiritual e pedagógico do Círculo de Eranos”, afirma: “…Vários conferencistas, vindos dos quatro cantos do mundo, partilhavam à volta de uma mesa as suas ideias de acordo com o tema proposto. Por outras palavras, cada participante coloca as suas visões interiores, sob uma forma filosófica ou científica, à disposição de todos os participantes com a condição de que o seu contributo seja simultaneamente imaginativo, criador e rigoroso.” (Revista @mbienteeducação. 94-112, jan/jun, 2013/04). Não é pois de estranhar que em grego Eranos, signifique comida em comum, celebração compartilhada, onde cada um achega sua parte.

Este novo caminho de confluência Ciência – Espiritualidade, ainda que agora nos torne um bocadinho mais céticos, de início; pode, no entanto auxiliar aos individiduos e sociedades dotando-os de novas ferramentas, que permitam com maior acerto, enfrentar, como humanidade global os novos desafios e provações que o futuro e o próprio presente nos está a deparar já, embrulhado na aparência de varias crises isoladas (económica, energética, ecológica, politica, social, cultural…), que bem analisadas partem de um mesmo fio comum: a crise sistémica de um velho modelo já inadequado para ultrapassar novos e mais pujantes desafios planetários.

Podemos inferir do pensamento de unidade ciência – esperitualidade, que ficam pela teoria quântica, abertos campos que podem desvelar novas possibilidades, nas quais mesmo a consciência, nos permitiria criar uma nova realidade. Já, hoje em dia, muitas pessoas não somente acreditam em este axioma; senão que na prática tentam mudar suas vidas, suas rotinas, tendências, círculos viciados, repetição de caminhadas… Mudando precisamente suas consciências (mesmo permitindo a expansão dessa consciência à procura de novas dimensões). E muitas afirmam mesmo que as positivas mudanças que obtiveram, seriam impossíveis, sem essa mudança de consciência. Há mesmo científicos a concordar, que essas mudanças efetuadas no nível anímico – psicológico, levariam também a profundas transformações bioquímicas no nosso cérebro; acrescentando a ideia de uma maior unidade, nos processos processos da vida; tal como pensa o Dr. Jeffrey Satinover.

Esta conceção nova da realidade, tem também empolgado a inovação terapêutica e campos como o Reiki, Ioga, Meditação… Que anteriormente foram indevidamente associados a “efeito placebo”, agora começam a ser inseridos, dentro de diferentes terapias, que mesmo abrangem a docencia ou a pratica hospitalar. Pelo qual devemos começar a pensar a serio, em esta mudança do paradigma social dominante, nascido no século das luces e muito associado, ao ate agora, entendido como racional. Sabendo que velhos paradigmas, que foram fundamentais na sua época para gerar um avanço evolutivo na humanidade, puderam agora chegar a entorpecer o mesmo ao ficar já velhos e desgastados, pelo avanço do tempo e, as inércias próprias dos ciclos naturais de renovação.

Para o físico indiano Amit Goswami “a consciência é a base de tudo”. Ele afirma ser a consciência, e não a matéria, a base de tudo quanto vemos, percebemos e observamos. Nós, então, podemos criar nossa realidade, dependendo das escolhas que façamos na nossa vida. Sabendo que existem diversas possibilidades, dentro das nossas potencialidades. Como assegura o próprio Goswami : “A consciência diz que o mundo é cheio de possibilidades e que nós temos liberdade de escolha. Se nós aprendermos a escolher com criatividade, acessando esta interconectividade não-local que cada um de nós tem, que é um estado de consciência não-local, se nós aprendermos a dar um salto do nosso ego individual para essa interconectividade não-local, então nós podemos acessar essas ideias de criatividade e mudar as nossas vidas. Assim, se acessarmos esse estado, seremos mais responsáveis pelas nossas ações. E quando assumimos essa responsabilidade, podemos enfrentar todos os problemas que vêm perseguindo-nos. Então “escolha” e “responsabilidade” são as palavras chaves desta nova ciência. Neste sentido, a nova ciência nos ensina a exercitar a criatividade.”

Novos avanços científicos tecnológicos, podem estar a obrigar-nos já a essa mudança; que não entanto não poderá ser possível, sem antes mudar nossa psicologia atual de competência pelos recursos (entre contrários ou inimigos), pela nova psicologia de colaboração e compreensão (entre completares e amigos).

Demonstrado está, também e, fica patente em diferentes estudos que o imaginário coletivo interage no imaginário individual e o mesmo individuo tira muitas vezes suas ideias, desse imaginário. Sabendo também da função que exerce o poder no controlo de esse imaginário coletivo, através de todos os seus meios ao alcance, desde os meios de de comunicação, aos doutrinamentos escolares, o seio familiar, o mundo laboral, etc… Acreditamos que somente plantando pequenas sementes de renovação e encorajando a libertação pessoal e coletiva , poderemos num futuro ver brotar a árvore da renascença.

Estas sementes tendem a avançar da Materialidade à consciência psíquica – dai elevar-nos – à Consciência iluminada da personalidade individual (morte do egoismo, esse entendemos nós foi o verdadeiro sacrificio do Cristo, na cruz – a morte do eu inferior, o ego material apegado a dominação, a imposição, viçado em cumprir os caprichos, paixoes, desejos de controlo…   Para alcançar o Eu Superior: ultrapassando essencialmente ess medo à morte).

A cruz mística sempre como símbolo da união da vertical e a horizontal (aparece em diversas culturas, como na nossa celta): Na horizontal o homem cresce pela racionalidade material, na vertical o homem ascende a intuição pura espiritual.

Na horizontal, a delimitação necessária a definição para tornar compressíveis as partes do todo (delimitar: dar limites; definir: tornar finito). Na vertical de novo a união com o todo, através da compreensão das suas partes. Experiência direita da realidade, através da intuição pura, deixando que o todo inunde o ser, deixando que nosso ser se inunde no todo…

Dai saber necessário razão e intuição serem complementarias. E um dos grandes trabalhos do nosso iniciado século, será esse: aprender a conciliar razão e intuição. Aprender a confraternizar fusionar, também, emoções (coração) e mente (cabeça).

Dai elevar-nos (atravesando o abismo do medo, com a força interior, vontande e coragem integradas, por meio da impassível perserverança) para – alcançar a essência comum (a União do Todo no Uno). Chegando a compreender que o que nos une como humanidade é mais forte, enraizado (raiz comum) que o que nos separa: divisão aparente (fomentada pela discórdia e a guerra). Sendo a união a raiz da árvore da vida e a divisão: as folhas (latejante no símbolo universal e cabalistico da “árvore da vida”).

Do mundo material – elevar-nos ao mundo moral – deste ao mundo intelectual. O intelecto é essencialmente a concretização da intuição a da compreensão.

Chegado aquí o discurso, faremos nossa a frase de Hernri Durville, na dedicatória do seu livro: “A Ciência Secreta” e dedicamos também este texto: “A todos aqueles que têm sede de ideal, que sonham com a Justiça, a Liberdade moral, a Fraternidade…” pois eles certamente foram os que hoje se achegaram a esta leitura (nada é por acaso). Mas advertimos, como também advertiu em seu préfacio o próprio Durville, aqueles que por acaso procuram encontrar em este saber e conhecimento: “o meio de saciar as suas paixões, ódios, amores, ambições, rancores; que procuram o ganho material; desgraçados que tem sofrido e não tem sabido perdoar, que este pequeno e humilde texto, não escrito para eles. Este tipo de atos, são atos de amor e de altruísmo”. Dados a quem compartilham estes nobres ideais.

Acrescentamos também que pela contra aqueles que tens sofrido longamente e que querem sair do tormento, caminhar ousadamente pela senda do amor, para encontrar a Serenidade, a Felicidade e a Paz Interior, realmente estão no local apropriado.

Mas de novo desafiamos aqueles que ainda não preparam seu coração para o amor, a tomar outro caminho, lembrando de novo as palavras de Hernri Durville quando, no mesmo, escrito advertia: “Procuras o ganho material? Não será aqui que tu o encontrarás; este é um estudo desinteressado, uma tentativa mais de dar a todos a felicidade, que vem da paz da alma e do bem feito em torno de si. Nele não se encontra nenhuma idéia cúpida.

Simples curioso, e tu, ambicioso, que acreditas ter nascido para seres o conquistador do mundo, este escrito não é para vós, para os vossos corações presos ao tumulto das paixões vãs que esta obra não foi feita… No estado atual da vossa perturbação, não compreendereis esta obra . Não falamos a mesma linguagem e os propósitos que escolhemos não fariam desaparecer a barreira que nos separa. Não procureis levantar o véu (da sabedoria) antes de terdes mudado os vossos desejos.

Daqui até lá, vosso dia ainda não é chegado; não saberíeis ainda ver nestas páginas a ternura e a alegria que quisemos expressar.”

Sirva pois este trabalho entusiasta, como um pequeno inicio, para na medida da sua humilde projeção, abrir a alma dos leitores à procura desse novo modelo de participação coletiva nas decisões e colaboração ética baseada na lealdade, honorabilidade e transparência; necessárias para criar confiança entre todas as diversas culturas globais.

ERRODIARIO minux

Erro, lapsus, fallo, falla… fenda
escapada, fuga, alborada.
Dixéronnos que os galos cantaban
polas mañás, dixéronnos non sei que do medo
mais os galos cantan a todas horas
igual que os cans que cantan ás veces
con medo… os páxaros ladran tamén
ladran os páxaros engaiolados nesa tenda
baixo a alameda.
Un día lancei a dous páxaros coa súa
gaiola encomendada ao chan dunha terraza
e ou ben voaron ou ben morreron.
Non soportaba que estiveran pechados e
despois o que estivo dentro da gaiola
fun eu pero iso xa pasou e agora como
pinchos de tortilla e bebo cervexa sen alcohol.
Liña de fuga que non se disolva no nariz
eu de neno saboreaba peta zetas.
Montaña, alborada, río, sementes
auga pura, auga envelenada.
Plásticos na lama, papeis na beirarrúa
camiño oscilando na mente.
Ti acompáñasme na viaxe celeste
ás veces non…
melancolía do tabaco entumecido
sospirando amianto
hiperactividade, hiperventilación… pasos.
Auga regadeira pasa pola miña alma
pechado no círculo que ten currunchos con espiños
a culpa das laranxas debe ser maior
que a fibra
eu visito poucos lugares
pola gorxa morre o rei… ás veces as autopistas
do internet van cada vez a máis velocidade
non leo tan rápido a Deleuze. En Bueu
leo máis. Mar calmo, que chova quinindiola
ás veces son autista e penso como na
praia da Lanzada hai morea de xente
camiñando dun extremo a outro da praia
procurando morenos e morenas? Despois
hai rapaces que pescan polbos e tamén
hai polbos na toalla.
Os políticos non tiran a toalla porque
non hai quen lles rompa o nariz. O rapaz
que se atreveu a darlle unha hostia ao Rajoy
mandárono para un centro de menores, aquí
en Ourense e iso que era familiar. Familias
hai moitas. Todos iguais, todos diferentes dí
o lema mais a lama de todos parte dos
mesmos lodos ou era dos mesmos polbos?
Inquisición, parisién, fútbol, catequese.
O colexio máis horripilante do mundo.
O meu avó estivo tres anos no cárcere nesa
época infame que aínda non se vomitou ata
quedar medianamente ben. Herdanzas, rodas,
xílgaros.
Moito trauma. Agora mesmo estou estirándome
e estrálanme todas as vértebras do corpo.
Eu teño vértebras ata na pixa.
A rúa onde vivimos lémbrame á canción
de Silvio Rodríguez, esa que dí: “Viva el
harapo, señor y la mesa sin mantel. Viva
y que huela a callejuela, a palabrota y
taller.
Nesta rúa e neste barrio hai xente de todas
as cores e ata se falan distintos idiomas
pero non me chega, gustaríame que fora moito,
moito máis. Que compensaran polo menos á
toda a xente maior autótona que vexo por todos os lados.
Aínda que agora que o penso eu tamén debo ser maior.
Algas o pelo do pé
craváchesme as tenazas
no buraco da uña
pero foi sen querer
durmiches coas gatas
e un menda tamén
choveu toda a noite
nevou en Maceda
nevou en Compostela
e estamos na primavera
andas na lama
eu en distintas prisións
entrullado de raíces
entrullado de ósos
cos músculos aletargados
co miolo amorado
a pel fría e dopada
non penetra nela ren
mais dela non sae tampouco nada
só mancho os dedos
ás veces de pintura
ás veces de verniz
imos expoñer
vóume expoñer con medo
a gorxa rota
polos xeados
río pequeno
no que collen benxamíns
cágados, algas
visóns, caranguexos americanos
quizais lontras
vimos unha o ano pasado
patos a mansalva
merlas, paporroibos
lavandeiras brancas e amarelas
e ata o martiño pescador
co seu brillo azul
vimos voar
garzas, corvos mariños
gaivotas que non son do pp
río pequeno
cheo de latas, plástico,
papeis, verquidos de todo tipo.
Pneumáticos, bidóns,
valados, ladrillos,
ferranchadas de todo tipo
río que andas na cidade
e non te podes alonxar dela
soportas o insoportable
pero das vida plena
eu mírote con mirada extraviada
con ollo birollo e sorrío.
Motor ruído de fondo
banda sonora da rúa
permanezo quedo
asténico
mais cos dedos pegoñentos
non de seme nin de semente
senón de pintura
sintética pintura que dana
a lingua-bolboreta
pintura negra de loito
lingua de loito
loito nas veas e nas carreteiras
e nas rochas do mar
o mar que está máis alá.
Hoxe unha lavandeira
colleu co seu pico pole das árbores
para un niño
e naceron patiños
facían carreiras polo río
e a barba vaime minguando
como a lúa que medra
e a lingua que pica
pica alabastros
mancho o diario e a caneta vermella
pinto cadros vila morena
e semella que chove acobardado
todo o diario está subxectivado
e envasado no pasado que verte
con substancias e é teu o meu embigo de visón
algas na mesa
a modo de mostrario
devecen por ser penduradas no fume
o fume de primavera de toxos
carreiras nas medias de calzedonia
non verás
carreiras no medio da calzada de motos
si
e a auga da baixada non é auga da traída
a auga ten cloro e sulfitos e sulfatos
eu teño co psiquiatra o sete
xa van tres veces que me cambian a data
quérolle pedir un favor
quero menos xalea real
paso de monarquías
eu quero ser zángana
sen garavata nin camisola de forza
procuraba fotos de revistas
que foran gráficas e porno
ou sexa pornográficas
só para recortar en saudade
nin en pelos púbicos
si quero escoitar esa auga
que cae chovendo contra o asfalto
diseminando burbullas polos sumidoiros.
Aquel día o cosmos
pegou no río
e caeron estreliñas
coa súa luz
na superficie da auga
escura
as lápidas ás veces brillan
e a vida nas rás das charcas
tamén
vin un cágado nunha tomba
en San Pedro de rochas
estaba quedo mais a súa cabeza
ía moi rápido
alí se reflexaban ás árbores
autótonas que se ancoraron no outono
o chan cheo de follas secas
as pedras na auga
e aquí e agora segue a chover
debe haber fútbol ou houbo fútbol
ou haberá fútbol
e sigo manchando o diario
diario de ex-fumador que voltou fumar
diario de ex-okupa… voltará okupar?
diario de ex-pontino… ?
akelarre para os teus ollos
de apátrida invencible.
Calquera sae á rúa!
non trouxen chuvasqueiro
e a pelo non o quero
polas mans cheas de pintura
de pintura negra de loito
de loito senil
abafante adoito mergullarme
en obsesións tipo redes sociais
por que os asociais teñen facebook?
ou temos, xa non sei
resulta contraditorio
ao final resulta que odiamos tanto
e aí andamos procurando aloumiños
sigo manchando o diario
diario de século vinteún
entre os ríos dunha cidade de provincias
que non son as vascongadas…
unha vez fomos a esas provincias
e vimos realmente a moita garda civil
parando carros e furgonetas
por se aparecía alguén da eta
ou por tocar as bolas sería tamén.
Ían cargados ata os dentes
daba algo de medo, a verdade
polo demais ben, moi curriño todo
e segue a chover e xa non sei que hora é?
pica a lingua e non comín peta zetas.
Os vídeos que gravo
son tremendos polo que tremo
entran nos meus ollos
os desexos de ollar
baleiros e enchidos
vermellos e verdes
fauna e flora
e ata o cemento e a xente
expóñome a taquicardias
e ataques ao corazón
por toda a ilusión que
me provoca a vida
que sempre está acompañada
da morte
porque a vida doe, pica,
ás veces espanta e ata delira
entón dase a volta á moeda
e cáeche enriba
someténdote con medo
parálise física e mental
tes que facer moita forza
para alonxar ese peso
e cando o consegues
xa non tes présa por vivir
xa camiñas arrastrado
ollando cara os lados
mirando sempre ao carón
non vaia ser que apareza
a morte outra vez
e non queres vivir
tampouco morrer
queres adecuarte a un molde
quizais non moverte demasiado
para que non che caia un raio
e así van pasando días, semanas,
e algún que outro mes, si
para de novo comezar a vivir
e vives, minguas, estiras, berras, ris
unha boa tempada
aínda non aprendiches
técnicas zen para florecer
acadar a paz e o pracer
de seguir ben mes a mes
és un pobre aprendiz
ignorante da sabiduría inxente
e necesaria para subir á montaña
ou mergullar no mar sen afogar
que lle imos facer, imos parar
non nos imos laiar porque
deseguida tildaránnos de algo, verás.

FACEBOOK EXISTENCIAL Vento Morteira

Gústame emborracharme polas mañás, pasar as tardes con resaca e estar sobrio pola noite.

Gústame o cheiro da palla húmida, e do estiércol de vaca, gústame ver voar e ver danzar entre as ramas aos paxaros, gústame ver amencer e o aroma do vapor da muller tras facer o amor.

Gústame ver correr os ríos e as nubes, todas as nubes.

Gústanme as casas humildes, os alpendres, as cuadras e os muros de pedra.

Gústame o pan, as patacas, o aceite, as agullas en lata , os froitos secos e a froita.

Gústanme as tres estrelas do cinto de Orión.

Gústanme os labregos que falan pouco, aman a terra e non minten. Gústanme as mulleres que non enganan.

Gústanme os oficios vellos de cesteiros, alfareiros, latoeiros; e os nenos cando cospen.

Gústanme os mapas e as fotos estelares. Gústanme os rifs de guitarra, os acoples e a distorsión; gústame o son do roncón da gaita.

Gústame andar descalzo e beber da billa. Gústanme as visitas inesperadas e a alegría desorganizada.

E pouco máis…

E non me gusta todo o demais.

NACIONALISMO E ANARQUISMO VVAA

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O libriño/"panfleto" Nacionalismo e Anarquismo foi editado polo colectivo Treboada no ano 1992. Ano significativo por todos os fastos como a exposición de Sevilla, as olimpiadas de Barcelona ou a celebración do Vº centenario do xenocidio de América. Foron anos de bastante actividade a nivel contestatario e se debatía de moitas ideas e prácticas que concernían a diferentes ámbitos políticos e como non ao ámbito libertario. O tema do nacionalismo suscitou e suscita moitas controversias a nivel xeral e se o focalizamos nos parámetros do eido libertario pois o tema chega acalorar de grande maneira. Treboada que se adicou despois máis a edición de música punk e hardcore, na súa maioría galega de maneira alternativa, xuntou neste libriño a autores e colectivos libertarios de moito peso que dan a súa opinión de distintas facetas asociadas á temática, rompendo quizais, isto o dicimos ilusamente, os mitos do anarquismo máis ríxido con respecto ao tema.

ARCO DA VELLA (PENSAMENTO LIBERTARIO GALEGO) 1 VVAA

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Arco da Vella (Pensamento Libertario Galego) foi unha publicación de carácter libertario editada polo colectivo Arco da Vella en Santiago de Compostela.
Publicáronse catro números, a comezos dos anos 80. Estaba escrito integramente en lingua galega, e contou cunha tirada de 1.000 exemplares, con depósito legal. Aparecía impreso con moitas ilustracións, presentado con follas de distintas cores e con formatos distintos, así como pegotes e obxectos engadidos (pedazos de espello, letras de sopa…).
Entre os seus colaboradores están Carmen Blanco, Ramiro Fonte, Manuel Forcadela, Claudio Rodríguez Fer, Margarita Ledo, Henrique Monteagudo, Dionisio Pereira, María Balteira (pseudónimo de Rosa Bassave Roibal), Alberto de Esteban Gracia, Susana Antón, Albino Prada, Manuel Xirimbao, César Rodríguez, Álvarez, Cide, Cobas, Llamazares, Miragaia, Prada, Díez, Rábade, Louxas, Alvite, Barba, ou Vétula.
Tiña unha liña claramente anarcocomunista, libertaria, galeguista e pro-CNT. Máis que polo seu contido, destacou pola súa extraordinaria presentación, con pingas de vangardismo.
No 1º número aparece o artigo “o Estado non é a patria”, firmado pola Federación Anarcocomunista Galega. Falábase tamén de temas diversos como o parto natural, a loucura e os manicomios, a identidade galega, a enerxía nuclear, o antimilitarismo, a cociña natural ou os problemas urbáns. Inclúe un texto de Eva Forest.
O número 2 apareceu no verán de 1981, con 30 páxinas máis cubertas e engadidos, e cun formato de 27 x 42 cm. Fala de temas como a homosexualidade, o caso Scala, a prisión de Herrera de la Mancha, a heterodoxia anarquista, ou a protección animal.
O número 3 editouse no verán de 1982, con 36 páxinas máis oito do anexo, cun formato de 21 x 27 cm e 13,5 x 27 no anexo. Trata temas como a lingua galega, o campo, a apicultura, a tecnoloxía alternativa ou a gastronomía.

gl.wikipedia

Presentamos aquí para poder visualizar e descargar ao mesmo tempo o primeiro número que apareceu en 1981 da revista Arco da Vella. Pensamento libertario galego, que editaba a Cooperativa Reprografía 1846 en Compostela.
 Facémolo porque consideramos que é imprescindible facer os exercicios de memoria precisos para rescatar e non deixar atrás proxectos que foron moi importantes na época, entre outras cousas, por que non se vai dicir, porque eran moi minoritarios e sen embargo existiron, como teñen existido outros aos que acollerse xa que serven de exemplo para continuar expresando a nosa disconformidade co establecido e seguir sementando as ideas libertarias tan obviadas nestes tempos.
 Hoxe en día que repuntan dalgunha maneira certas historias que teñen que ver co fanzine, a autoedición e a modernidade pensamos que é significativo que na Galiza de principios dos oitenta existira algo como Arco da Vella.

DE VIVIR. CUADERNOS DA GADAÑA 3 Xosé Dono

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Os Cuadernos da Gadaña (colección patrocinada pola Irmandade Galega de Madrid e con deseño de Xosé Manuel Pereiro) viron a luz no ano 1979 e arrancaban cun número 0 no que se reproducía un escrito de Luís Seoane, “Textos encol da Arte Galega”, publicado en Bos Aires xunto cun cartafol de debuxos inéditos que servirían para ilustrar un libro de Carlos Oroza. Do pintor, estudoso e teórico da arte, ofrécensenos tres capítulos: “Arte galega”, “Anotacións sobre da creación artística” e “Nota encol da arte galega” onde Seoane reivindica que “non se pode prescindir dos que traballan fora, pois proieitan a Galicia lonxe dela e polas mesmas razós que nengún país da terra renuncia ós seus fillos”. Así eran presentados, no Limiar desta primeira entrega, estes “Cuadernos”: “arelan ser unha publicación discontinua, de carácter experimental, na que se recollan unha serie de traballos realizados hai anos e non pubricados deica agora por razóns de todos sabidas, secomasí as novas experiencias /…/ e tamén números monográficos adicados ben a un escritor, ben a un pintor…”. Logo viría o especial dedicado aos “Poemas Caligráficos” de Uxío Novoneyra, cun prólogo realizado por Reimundo Patiño no que salienta o traballo do poeta: “un home do Caurel, labrego e druida, fixo o relato das penedías, dos cumes, do xordo e anónimo devir das augas, do rítmico sobrepoñerse das colleitas, do impersoal estar xeolóxico das terras”. E aínda a parecerían dos volumes máis: o libriño de Xavier Vaz “O muíño de antrasaguas”, unha prosa na que, en verbas de Reimundo Patiño, “hai unha concepción animista da natureza na persoalización de animás e cousas…”, e o denso volume lírico da autoría de Xosé Dono, titulado “De vivir (Noiturno de pub. Caledonia. Santuarium)” aparecido no ano 1980 con ilustracións de Reimundo Patiño.

“Brais Pinto e a creación nos Cuadernos da Gadaña”, Xavier Castro Rodríguez, Galicia Hoxe

ULTRAGRÁFICO recupera o derradeiro volume cos tres poemarios de Xosé Dono como se comentaba aparecido en 1980. Chegou un exemplar as nosas mans e pareceunos que ao igual que co resto de entradas desta nova actualización do noso blog deberíamos facer un exercicio de memoria porque moitas veces hai cousas que non se lles dá/deu a saída que merecían. Nós non somos ninguén, somos conscentes do pouco alcance dos nosos verquidos, será millor tamén así, mais mentras podamos gústanos resaltar o que nos semella que merece a pena e estes poemarios de Xosé Dono nos fixeron meditar e non só mostralos senón que nos levou ao feito de mostrar esas outras dúas novas entradas do blog desde o punto de vista da memoria. E así unhas cousas levan as outras e ademáis do "Cuaderno da Gadaña" nº 3 pois animámonos e reeditamos dixitalmente o libriño nacionalismo e anarquismo e o primeiro número da revista libertaria Arco da Vella. Que aproveite!

Blogo máis alá do que imaxinas!